Montagem: Dennis Moraes
Análise apresentada por Dennis Moraes destaca necessidade de reforço nos gabinetes, mas defende revisão da estrutura administrativa e dos cargos com maiores remunerações do Legislativo
A ampliação do número de assessores parlamentares na Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste continua repercutindo no cenário político local. A reestruturação administrativa aprovada pela Mesa Diretora permitirá que cada um dos 19 vereadores conte com dois assessores, elevando o total de cargos de 19 para 38.
Segundo estimativas apresentadas pela própria Câmara, caso todas as vagas sejam preenchidas, o impacto financeiro poderá chegar a aproximadamente R$ 3,4 milhões por ano, enquanto em 2026 o custo estimado é de cerca de R$ 1,7 milhão.
Dos 19 novos cargos autorizados, 17 já foram preenchidos. Os outros dois permanecerão vagos neste exercício e, conforme a programação orçamentária e as regras da Casa, somente poderão ser ocupados a partir de janeiro de 2027.
A medida dividiu opiniões entre moradores, principalmente pelo impacto financeiro. Entretanto, durante participação no Jornal da Brasil, na última quarta-feira (15), o jornalista e comentarista político Dennis Moraes apresentou uma análise diferente da discussão que tomou conta das redes sociais.
Segundo assessor é necessário, afirma comentarista
Segundo Dennis Moraes, a criação do segundo assessor não representa apenas aumento de despesas, mas uma adequação da estrutura parlamentar à realidade enfrentada pelos vereadores.
O jornalista comparou a situação de Santa Bárbara d’Oeste com a Câmara Municipal de Americana.
“Tenho acompanhado as sessões da Câmara de Americana e lá cada vereador possui três assessores e ainda conta com um estagiário. Em Santa Bárbara, durante anos, o parlamentar trabalhou praticamente apenas com um assessor.”
Na avaliação dele, quem acompanha diariamente a política barbarense percebe uma dificuldade operacional nos gabinetes.
“Muitas vezes o assessor está acompanhando o vereador nos bairros, atendendo demandas da população, visitando obras ou órgãos públicos. Quando um cidadão chega ao gabinete, encontra o local praticamente sem atendimento. Com dois assessores, um poderá permanecer no gabinete enquanto o outro acompanha o trabalho externo.”
Para Dennis Moraes, essa mudança tende a melhorar o atendimento ao cidadão e dar mais agilidade ao acompanhamento das reivindicações encaminhadas aos vereadores.
Debate não pode ficar restrito aos assessores
Apesar de defender a contratação do segundo assessor, Dennis Moraes faz questão de separar essa posição da discussão sobre gastos públicos.
Segundo ele, não existe defesa do aumento indiscriminado das despesas da Câmara, mas sim da necessidade operacional dos gabinetes parlamentares.
“O problema não é simplesmente contratar um segundo assessor. O cidadão precisa olhar toda a estrutura administrativa da Câmara antes de concluir onde realmente estão os maiores impactos financeiros.”
O comentarista destacou que o salário-base do novo assessor parlamentar gira em torno de R$ 2,9 mil, valor que considera compatível com as funções exercidas.
Por outro lado, ao analisar a folha de pagamento disponibilizada no Portal da Transparência da Câmara referente ao mês de junho, observou que diversos cargos administrativos, diretorias, chefias e procuradorias possuem remunerações significativamente superiores, algumas ultrapassando R$ 30 mil, R$ 40 mil e até R$ 50 mil mensais.
Revisão da estrutura administrativa
Durante sua análise, Dennis Moraes ressaltou que a população tem razão ao cobrar responsabilidade com o dinheiro público, mas acredita que o foco do debate precisa ser ampliado.
Segundo ele, a Câmara Municipal deveria discutir, em um futuro próximo, uma revisão completa da estrutura administrativa e das remunerações dos cargos de maior impacto financeiro.
“O cidadão tem o direito de saber onde está sendo aplicado o dinheiro público. A discussão sobre economia precisa envolver toda a folha de pagamento, e não apenas os assessores parlamentares.”
O jornalista destacou ainda que essa eventual revisão exigirá coragem política.
“Será preciso que algum agente político tenha disposição para enfrentar uma discussão que há muitos anos não é encarada de frente. Não é uma tarefa simples, porque envolve uma estrutura consolidada dentro do Legislativo. Mas esse debate precisa acontecer.”
Dennis também ponderou que essa revisão não significa retirar direitos adquiridos dos servidores, mas sim promover uma análise técnica da estrutura administrativa, verificando se ela continua adequada à realidade financeira e às necessidades atuais da Câmara.
Dois vereadores ainda não contrataram
Outro aspecto destacado pelo comentarista é que nem todos os parlamentares optaram pela contratação imediata do segundo assessor.
Dos 19 vereadores, 17 entenderam necessária a ampliação da equipe e realizaram as nomeações. Os outros dois parlamentares decidiram não preencher as vagas neste momento e, conforme as regras da Casa, somente poderão fazê-lo a partir do próximo exercício legislativo, em janeiro de 2027.
Na avaliação de Dennis Moraes, esse dado demonstra que a contratação não ocorreu de forma automática ou obrigatória, mas ficou sujeita à decisão de cada gabinete conforme sua realidade e necessidade.
Debate deve continuar
Para o jornalista, a criação do segundo assessor pode contribuir para melhorar o funcionamento do Poder Legislativo, desde que venha acompanhada de uma discussão mais ampla sobre eficiência administrativa e responsabilidade fiscal.
Segundo ele, o fortalecimento dos gabinetes não deve impedir que a Câmara também promova, no futuro, uma avaliação criteriosa de toda sua estrutura administrativa, especialmente dos cargos de chefia e direção que possuem maior impacto na folha de pagamento.
“Sou favorável ao segundo assessor porque ele melhora o atendimento ao cidadão. Isso não significa ser favorável ao aumento de despesas. Muito pelo contrário. Defendo que a Câmara faça uma análise séria de toda sua estrutura administrativa. Se houver excessos, eles devem ser corrigidos. A fiscalização precisa alcançar toda a folha de pagamento, e não apenas os cargos que estão mais expostos ao debate público.”
Essa posição, segundo o comentarista, busca diferenciar duas discussões distintas: a necessidade operacional dos gabinetes parlamentares e a responsabilidade permanente do poder público em revisar seus gastos, buscando eficiência e transparência na aplicação dos recursos públicos.






