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No Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas convivem com a doença; pesquisa com proteínas abre caminho para novas terapias
Um tratamento combinado de proteínas, testado pela primeira vez em animais, pode significar um avanço no tratamento da osteoporose. O estudo inédito, desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Química da USP, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e de outras instituições, demonstrou aumentos significativos no volume e na densidade ósseos de ratas com osteoporose, após o uso das proteínas BMP-7 e PDGF-BB.
A descoberta abre caminho para novas opções terapêuticas contra a degeneração óssea. A previsão é de que os estudos prossigam para a comprovação da eficácia.
Segundo informações divulgadas pelo Instituto, a osteoporose atinge aproximadamente 200 milhões de pessoas no mundo, com maior prevalência em idosos e mulheres após a menopausa. A doença é caracterizada pela perda de massa e degeneração do tecido ósseo, o que aumenta o risco de fraturas. Quando é feita a ressonância magnética, esse quadro pode ser melhor diagnosticado.
Entre as complicações advindas da osteoporose estão dor crônica, depressão, deformidade, perda da independência e aumento da mortalidade.
De acordo com relatório do Ministério da Saúde, estima-se que a doença afete 23% das mulheres e 12% dos homens em todo o mundo. No Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas convivem com a osteoporose e, segundo a pasta, ocorrem cerca de 200 mil óbitos relacionados à doença por ano. O tema será tratado pela classe ortopedista na cidade de São Paulo, durante o Congresso Brasileiro de Densitometria, Osteoporose e Osteometabolismo, previsto para agosto deste ano.
Nutrição e consumo de cálcio seguem como pilares da saúde óssea
Além de avanços terapêuticos, especialistas destacam que a prevenção da osteoporose também passa por hábitos alimentares adequados ao longo da vida. Entre os nutrientes mais associados à saúde dos ossos está o cálcio, mineral presente em alimentos como leite e derivados, tradicionalmente apontados como importantes aliados na manutenção da densidade óssea.
Nesse contexto, a cadeia produtiva do leite desempenha papel relevante na oferta de alimentos ricos em nutrientes ligados à saúde óssea, especialmente em fases da vida em que a formação e manutenção dos ossos são mais críticas, como infância e envelhecimento.
Estudo com moléculas pode trazer alternativas para tratamento de osteoporose
Conforme a professora do Instituto de Química da USP, Mari Cleide Sogayar, as proteínas BMP-7 e o PDGF-BB, usadas no estudo, desempenham papéis importantes no desenvolvimento de embriões e na regeneração e formação dos ossos.
A família das BMPs é responsável pela regulação e equilíbrio no tecido ósseo, além do reparo de cartilagens, desenvolvimento embrionário, proliferação e diferenciação celular. A BMP-7 induz a diferenciação de células-tronco que dão origem aos ossos.
Já a família de PDGFs exerce uma função de cicatrização. O PDGF-BB, em particular, atua no reparo da pele e de outros tecidos moles, além de fraturas ósseas, pois regula as células e moléculas que restauram tecidos danificados.
Após a escolha e síntese das duas proteínas, os pesquisadores induziram artificialmente a osteoporose em ratas, por meio da remoção de seus ovários. Em seguida, foram desenhados diferentes protocolos de administração das proteínas. O ensaio contou com a aplicação conjunta e individual das duas moléculas em diferentes doses e intervalos de tempo. Ao final, descobriu-se que o tratamento conjunto aumentou efetivamente o volume e a densidade óssea neste modelo animal.
Alternativa aos tratamentos atuais
Atualmente, as terapias disponíveis para tratar a osteoporose se dividem em dois grupos: os medicamentos antirreabsortivos, que evitam a degradação natural do tecido ósseo, e as drogas anabólicas, que estimulam a formação de ossos.
Em um organismo saudável, os processos de destruição e reconstrução óssea são equilibrados, mantendo o esqueleto resistente. Nas pessoas com osteoporose, ocorre um descompasso: o corpo destrói o tecido ósseo mais rápido do que consegue repor, fazendo com que os ossos percam massa, fiquem mais finos e quebrem com muito mais facilidade.
O tratamento com BMP-7 e PDGF-BB mostrou-se uma potencial alternativa às drogas comerciais atuais.








