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Saúde: O que é realmente integral?

Quem já segue uma alimentação saudável sabe: os alimentos integrais não devem ficar de fora da dieta. Substituir os alimentos processados pelos equivalentes integrais é uma recomendação praticamente unânime entre os profissionais da área da saúde, pois esse tipo de alimento possibilita melhor aproveitamento dos nutrientes (que são preservados quando o processo de refino não é aplicado).

Os nutricionistas ressaltam que alimentos integrais são mais saudáveis que alimentos refinados. E, atualmente, não podemos falar de alimentação saudável sem incluir os integrais no cardápio.

Os integrais são alimentos que não passaram pelo processo de refinamento ou industrialização. Ou seja, é o alimento na sua forma íntegra. Em geral, cereais como arroz, trigo, centeio e aveia, suas farinhas e produtos como pães, bolos e biscoitos. Porém, também podemos apontar alimentos como açúcar, óleo e sal, que, apesar da legislação não classificá-los como integral, também podem ou não passar pelo processo de refinamento.

Para o consumidor é muito importante entender e receber essa informação, pois nos alimentos não refinados (integrais) permanecem a casca, o farelo, película protetora do grão e, assim, todos os seus nutrientes como vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos. Estas partes são importantes no desenvolvimento, proteção e nutrição do próprio cereal.

Pela legislação regulamentada pela ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária), alimentos como cereais (arroz, aveia, cevada), as farinhas destes cereais (trigo, arroz, aveia) e seus derivados, como pão, macarrão, biscoito e bolos, são encontrados na versão integral e devem conter no rótulo a descrição integral.

Por que nem todos os produtos são verdadeiramente integrais?

Nem todo mundo sabe, mas boa parte dos produtos colocados à venda como integrais não é integral. O que significa que muita gente acaba sendo enganada ao comprar um produto que acredita que trará vantagens à sua saúde.

Essa é uma questão de falha na legislação. A resolução 263/2055 da ANVISA regulamenta produtos à base de cereais, amidos e farinhas e, realmente, não estabelece quantias mínimas para alegação de que o produto é integral. Dessa forma, se o produto utiliza qualquer quantidade de farinha integral em sua composição, a rotulagem alegará que há farinha integral em sua formulação, tendo 5% ou 100% de farinha integral.

Assim, continua a nutricionista, o consumidor que estiver comprando um “pão integral” com 5% de farinha integral e o restante de farinha branca, certamente não estará consumindo pão integral e nem recebendo os benefícios que os produtos integrais oferecem.

No início do ano de 2014, o tribunal de Justiça no Rio de Janeiro estabeleceu um prazo de 180 dias para que os fabricantes de pães informassem em suas embalagens de pães integrais qual o real teor de farinha integral na composição dos produtos. Essa ação civil pública foi movida pela denúncia de consumidores. Com a decisão, as companhias terão que informar se seus produtos são 100%, 10% ou 1% integrais.

Em 2012, também a partir de denúncias, a questão tomou tanta relevância que já tramita, no Congresso Nacional, o projeto de lei 5.081/2013, do deputado Onofre Santo Agostini, que estabelece que, para se intitular integral, o produto terá que apresentar em sua composição mais de 51% de grãos integrais. Prevê, ainda, que sejam criadas outras duas categorias para rotular os pães: semi-integrais ou com adição de farinha integral (com 15% a 51% desses grãos) e sem as expressões ‘integral’ ou ‘semi-integral’, se o percentual for inferior a 15%. O projeto ainda não tem data para ser votado em plenário.

Os alimentos integrais são mais saudáveis que alimentos refinados e que, atualmente, não é possível falar de alimentação saudável sem incluir os integrais no cardápio. Há vários produtos, uma multiplicidade de marcas, mas o que a gente vê na prática é que, em alguns casos, apesar de se dizer integral, a composição ainda tem mais farinha refinada.

Como descobrir se o alimento é realmente integral

Diante desta realidade, surge a dúvida: como escolher um alimento integral?

A maneira de saber se os produtos são realmente integrais: é necessário reconhecer se o alimento preponderante da composição é o integral. E isso é uma tarefa fácil, basta apenas ler a lista de ingredientes do alimento, esta fica próxima à tabela nutricional nas embalagens.

Os ingredientes aparecem em ordem decrescente. Ou seja, o que tem em maior quantidade é o primeiro na lista. A farinha integral ser a primeira da lista não significa que ela esteja dentro de percentual que a lei exigirá, de 51%, mas pelo menos já indica que há mais dela que da farinha industrializada, o que já é bom.

Para um produto 100% integral a farinha de trigo branca (descrita nos ingredientes como farinha de trigo rica em ferro e ácido fólico), ou outras farinhas, não aparece em sua composição.

Grãos como sementes de linhaça, gergelim, pepitas de girassol, quinoa, amaranto, também podem ser componentes dos pães 100% integral.

Então agora você já sabe: não acredite em tudo o que ler nos produtos – especialmente no que estiver na parte da frente da embalagem. Muitas vezes, “a propaganda é enganosa”.

O que vale mesmo é o que vem escrito atrás do rótulo, ou seja, a lista dos ingredientes. Procure pela farinha integral como primeiro ingrediente da lista – ainda que o produto não seja 100% integral, já é certo que há mais farinha integral do que industrializada.