S. Bárbara promove ações de conscientização sobre o cerol nas escolas


Palestras da Guarda Civil orientam como brincar de pipa de maneira segura

 

 

Nesta época do ano é muito comum ver crianças e adolescentes brincando de pipa. Isso porque o período de maior incidência de ventos, condição propícia à brincadeira, é entre os meses de junho a setembro. A Prefeitura de Santa Bárbara d´Oeste, por meio da Sesetran (Secretaria Municipal de Segurança, Trânsito e Defesa Civil) e da Guarda Civil, mantém ações de conscientização sobre as consequencias do uso do cerol o ano todo. Mas quando as aulas começam, o trabalho acontece de maneira intensa com as crianças nas escolas municipais, por meio de palestras em parceria com a Secretaria de Educação. O objetivo é que crianças e adolescentes disseminem a brincadeira de pipa de maneira responsável para os familiares, amigos e sociedade.

 

A palestra “Pipa Amiga: É no lugar certo e sem cerol” aborda a conscientização dos locais apropriados para pratica da brincadeira, os benefícios pedagógicos de soltar pipa, a proibição do uso do cerol e a responsabilidade dos pais. “Deixamos claro que não é proibido se divertir, buscamos a conscientização, pois o uso cerol pode tirar vidas e danificar bens, informamos também que existem locais apropriados para prática da brincadeira”, disse o subinspetor da Guarda Municipal, Marcelo Vieira, responsável pela apresentação da palestra.

 

A parceria da Guarda Civil com a Secretaria de Educação têm sido satisfatória. “Esse trabalho tem propiciado que a informação chegue até aos pais para que eles possam orientar seus filhos sem oferecer riscos a si mesmo e a outras pessoas”, comentou a secretária de educação, Tânia Mara da Silva. “É bem positivo, porque eles acabam relatando o que acontece fora da escola e conseguimos intervir junto com os pais nessas ações”, declarou o diretor do Ciep “Angélica Sega Tremocoldi”, no Jardim das Orquídeas, Lourival Francisco dos Santos.

 

Outra questão importante abordada na palestra é o local adequado para brincar de empinar pipa. É necessário evitar a proximidade com antenas, fios telefônicos e elétricos. Se as pipas enroscarem nos fios, pode ocorrer a queda de energia, e até queimar aparelhos elétricos das residências da localidade. Ainda há o risco da criança tomar um choque na tentativa de recuperar a pipa enroscada nos fios. O ideal é escolher espaços abertos como praças, campos de futebol e parques para soltar a pipa. E longe do trânsito para não se arriscar.

 

No mês de agosto, alunos do Ciep “Carmelina Pellegrino Cervone”, no Jardim Santa Fé, do Ciep “Dom Eduardo Koaik”, no Planalto do Sol II e do Ciep “Angélica Sega Tremocoldi”, no Jardim das Orquídeas já receberam a palestra, totalizando quase mil crianças. Qualquer escola, empresa ou interessado pode solicitar a palestra de conscientização do uso do cerol gratuitamente, basta entrar em contato com a Sesetran.

 

Brincar de pipa

 

A brincadeira com pipa é bem tradicional e passa por gerações. É preciso apenas assegurar a maneira correta e segura da brincadeira. “Já ouvi nas escolas, crianças me dizerem que usam o cerol com os pais, apresentando, inclusive, cicatriz nas mãos pelo uso da mistura cortante”, conta o guarda palestrante, Marcelo Vieira.

 

“O perigo da brincadeira é quando vira competição e a criança quer tirar a pipa do colega, cortando por meio da linha com cerol”, declarou o subinspetor Vieira. “E quando isso acontece, a criança corre para pegar a pipa que tirou do outro não se importando com o trânsito. É aí que o acidente pode acontecer.”, alerta Vieira.

 

Empinar pipas utilizando cerol pode ocasionar diversos acidentes, atingindo mãos, braços e pescoço de motociclistas e ciclistas, além de pedestres. A linha é cortante, portanto pode causar ferimentos graves e até levar a morte. No caso de acidente, o uso de cerol pode ser considerado crime. Alguns motociclistas se protegem utilizando protetores de pescoço e antenas aparadoras em motos.

 

Em Santa Bárbara d´Oeste as orientações e ações de conscientização têm surtido efeito.  “Não registramos nenhum incidente ocasionado pelo uso do cerol este ano”, declarou o comandante da Guarda Civil, Samuel Silas. De acordo com o comandante, no período de aulas, mais palestras acontecem e, durante as férias, o patrulhamento é intensificado.

 

Proibição do Cerol

 

Existem inúmeras leis que tratam da proibição do cerol. O artigo 132 do Código Penal  prevê detenção, de três meses a um ano, se o uso do cerol “expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente”. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os menores podem ser encaminhados ao Conselho Tutelar e, os pais, sofrerem multa de três a vinte salários de referência se constatado o descumprimento dos deveres da tutela e guarda a negligência (ECA, artigo 249).

 

Em Santa Bárbara d´Oeste, a Lei n. 2817 de dezembro de 2003, “proíbe a venda e o uso do cerol e/ou substâncias cortantes para aplicação nas linhas destinadas a empinar papagaios, pipas e similares no âmbito municipal”.  Por isso, a Guarda Civil fiscaliza a venda do cerol e da linha “chilena” de alto poder cortante em estabelecimentos comerciais. Em caso de denúncia a Guarda Civil orienta, faz apreensão do material e ainda há possibilidade de autuação no valor de até R$ 1 mil.  Para denunciar o uso ou venda do cerol e linha chilena, basta ligar nos telefones 153, 3458.1388 ou 0800 7732 8383.

 

O cerol é uma mistura de caco de vidro e cola de madeira. Alguns fazem o cerol com mármore moído. “Ele é colocado na palma de mão, e a linha da pipa vai sendo solta, passando pela mistura, impregnando a linha”, explica o subinspetor da Guarda Municipal, Marcelo Vieira.

 

História da Pipa

 

Há indícios históricos de que a primeira pipa no mundo tenha surgido na China há cerca de 200 anos a. C.  para fins militares. Os chineses a utilizam para transmitir sinais por meio das cores e movimentos das cores. Com o tempo, a ferramenta de guerra tornou-se arte popular na China. Aos poucos a pipa ganhou espaço em outros países, como Japão e Coréia.

 

No oriente as pipas adquiriram simbologia religiosa e mística, sendo utilizada como atrativo de felicidade, sorte, nascimento, fertilidade e vitória. Dragões para atrair prosperidade, tartarugas para atrair vida longa e corujas para adquirir sabedoria eram as figuras mais encontradas nas pipas.

 

Após ganhar os céus da Europa, as pipas foram trazidas para o Brasil pelos portugueses na época da colonização. Dependendo da região de nosso país, a pipa é conhecida como papagaio (São Paulo), pandorga (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina), arraia (Bahia), quadrado, tapioca e balde (Nordeste), curica, jamanta, pepeta, casqueta (Norte) e até coruja, barril ou bolacha.

 

Assessoria de imprensa

Comentários

Notícias relacionadas