Racionamento garante a NO desperdício 45% menor de água tratada que a média nacional

Novo projeto do IEMA trabalhará com jovens a economia dos recursos hídricos no São Jorge

 

 

 

Graças a um racionamento de 13 horas por dia, Nova Odessa (SP) está desperdiçando 45% menos água que a média nacional, que é de 36.9%. “Nossas perdas, hoje, estão em torno de 20%. Com a distribuição normal, este índice seria em torno de 30% a 34%”, informa a Coden (Companhia de Desenvolvimento de Nova Odessa).

Relatório divulgado pelo Instituto Trata Brasil revela que, em 2013, o volume de água tratada desperdiçado no país foi equivalente a 6,5 vezes a capacidade do Sistema Cantareira (1 bilhão de m3), o que causou um prejuízo aos cofres públicos superior a R$ 8 bilhões.

O estudo “Perdas de Água: Desafios ao Avanço do Saneamento Básico e à Escassez Hídrica”, elaborado em parceria com a GO Associados, foi desenvolvido com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS – 2013) do Ministério das Cidades.

“De acordo com a Sabesp [Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo], estudos indicam que cerca de 50% das perdas correspondem às chamadas ‘físicas’, relacionadas a vazamentos e extravasamento de reservatório, e os outros 50% são de perdas aparentes – água consumida e não computada, fruto de submedição, fraudes, falhas de cadastro e imprecisão de hidrômetro”, comenta a Coden.

O relatório aponta as regiões Norte e Nordeste como as que apresentam os índices mais altos de perdas devido a problemas na distribuição da água – 50% e 45%, respectivamente.  As cidades campeãs em perdas são São Luis (MA), Cuiabá (MT) e Jaboatão dos Guararapes (PE) – nesta, 70% da água tratada não chega até a população.

Inspiração

As perdas no processo de distribuição não são exclusividade brasileira, mas a média de países europeus – 15% e 25% – são bem mais satisfatórias. Por sua vez, outra cidade pode nos inspirar: na japonesa Tóquio, as perdas com água são de apenas 2%, graças a um forte investimento governamental e à fiscalização dos moradores.

“As principais cidades do mundo que conseguiram aumentar a eficiência da gestão hídrica têm investido na educação ambiental de seus habitantes e na modernização e substituição frequente de suas redes de distribuição. A responsabilidade ambiental deve ser difundida entre todos, pois não dá para aceitar qualquer desperdício, ainda mais na crise hídrica que estamos vivenciando”, afirma a presidente do IEMA (Instituto de Educação e Meio Ambiente), Ana Lúcia Mestrello de Micheli.

O estudo do Instituto Trata Brasil informa três cenários possíveis de redução dos índices de água desperdiçada e não cobrada. O primeiro, otimista, alcança perdas de 15% em 2033; o segundo, de base, atinge 20%; e o terceiro, conservador, chega a 25% em 20 anos.

“Mesmo o cenário base precisa de um grande esforço para ser realizado. É um desafio grande, precisa ter foco e planejamento anual das empresas e das esferas de poder envolvidas. E, claro, a população deve manter seu papel fiscalizatório, sempre atenta aos vazamentos para poder cobrar”, disse Édison Carlos, presidente do Trata Brasil, em entrevista ao G1.

A partir de maio, um projeto de empreendedorismo social voltado à água e direcionado aos jovens do bairro novaodessense São Jorge será realizado pelo IEMA, em parceria com a Paróquia São Jorge. Um dos trabalhos que será estimulado pela organização socioambiental é justamente o combate ao desperdício hídrico em Nova Odessa.

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