Santa Bárbara d´Oeste 

Quando ser jovem e gostar de política se tornou vergonhoso – por Bárbara Demarchi


O fazer política é algo incomum entre a juventude e grande parte da culpa é sim, do sistema brasileiro.
A primeira vez que ouvi sobre política, aprendi sobre política e discuti política em minha vida foi aos 17 anos, na faculdade. Idade que penso ser avançada.
Ainda sim, considero a abordagem universitária que tive sobre o assunto rasa, mesmo graduada em jornalismo. Parte disso não é culpa dos professores, até porque em sua maioria, eles tem grande participação política/partidária.
A culpa na verdade é do sistema, que obriga, mesmo os jornalistas em formação, a soltarem um gemido de decepção quando são escolhidos para a editoria política do jornal. A política se tornou, sem razão, o bixo de sete cabeças brasileiro.
É preciso ensinar as crianças a diferença entre fazer política e fazer politicagem, mas como falaremos para os professores defenderem a partição política se são oprimidos pela politicagem de nosso país?
Ao mesmo tempo, é preciso reeducar os adultos já desacreditados no governo, para que entendam que fazer política é um dever moral e uma necessidade fundamental da pessoa humana, mas como faremos isso se somos surpreendidos diariamente com escândalos de corrupção?
Não sei quando foi que isso aconteceu, mas o Brasil vive um momento em que é preciso esconder seu posicionamento político, ou admitir a segregação das rodas de conversar entre “fora, temer” e “tchau, querida”.
Negar a política é se marginalizar da vida social e estamos, aos poucos, nos enganando com a ideia de que é possível viver sem ela, sem lembrar que todos vivemos e colhemos os frutos da atitudes de nossos políticos.
Fazer política não é ser político. É saber usar de seu direito de cidadão. Portanto, todos que acordam todos os dias empenhados em, de alguma forma, fazer política, deveriam de orgulhar disso e não precisar se esconder atrás de falsos ideais.

 

Bárbara Demarchi é jornalista e proprietária da Elefante Press Assessoria

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