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PT admite ceder cabeça de chapa em SP

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O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou que não é “totalmente improvável” que o partido deixe de lançar um candidato próprio ao governo de São Paulo, no ano que vem, e apoie um aliado.

O deputado federal Gabriel Chalita e o vice-presidente da República, Michel Temer, ambos do PMDB, vêm sendo cogitados para concorrer contra o governador tucano Geraldo Alckmin, numa articulação que estaria sendo montada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Não é impossível ter candidato de outro partido”, disse Falcão. A afirmação foi publicada em primeira mão pelo Valor PRO, serviço em tempo real do Valor.

Se a decisão prevalecer terá sido a primeira vez que o PT fica fora de uma cabeça de chapa numa disputa pelo governo de São Paulo.

O presidente do PT lembra que, em 2010, o candidato dos petistas era o então deputado federal e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, do PSB, que transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo, mas acabou não participando da disputa.

Falcão afirma que a conquista da prefeitura da capital por Fernando Haddad aumenta as chances do partido ao Palácio dos Bandeirantes e poderia reforçar a tese de candidatura própria. Mas, como o PT já tem fortes concorrentes aos governos estaduais de grandes colégios eleitorais, a legenda deverá dar algo importante em troca. Pode ser São Paulo.

No Rio Grande do Sul, aponta o dirigente, o candidato é do PT, o governador Tarso Genro, que tem direito à reeleição. No Paraná, é a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Em Minas Gerais, os petistas já apoiaram o ex-senador pemedebista Hélio Costa, em 2010, e os aliados não teriam um concorrente com o potencial de Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior que é a aposta do PT. No Rio de Janeiro, o senador Lindbergh Farias, apesar da aliança regional com o PMDB, mobiliza sua candidatura, já está fazendo caravana, e para detê-lo “só com intervenção federal”.

“Se você puser São Paulo com o PT – que digamos é a maior probabilidade – você tem quantos por cento do eleitorado nacional?”, pergunta Rui Falcão. Os cinco Estados juntos reúnem cerca de 53% dos eleitores do país. São Paulo corresponde a 22,3%.

Por isso, a tendência é que haja pressão dos aliados por mais equilíbrio e que o PT faça concessões. O problema, pondera Rui Falcão, é que nas próximas eleições haverá apenas uma vaga em disputa para o Senado em cada Estado, e não duas, como em 2010, o que reduz as moedas de troca.

Ceder a cabeça de chapa em São Paulo também não é impossível em virtude do cenário e da escassez de nomes. Por um lado, Alckmin, embora desgastado, detém o controle da máquina, o que lhe dá vantagem. Por outro lado, o PT encontra dificuldades de achar um candidato viável.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, era o mais cotado, mas seu desempenho na Pasta ainda não lhe rendeu uma marca forte para se apresentar como gestor. Padilha ainda tem o domicílio eleitoral no município de Santarém, no Pará. Para concorrer teria até outubro para transferir o título.

A ex-prefeita Marta Suplicy não deverá ser candidata. No ano passado, ela assumiu o Ministério da Cultura, depois de ter sido preterida por Lula, que preferiu lançar Haddad à prefeitura.

Aloizio Mercadante, que concorreu ao governo do Estado em 2010, “está no ministério mais importante” do governo, o da Educação, e poderia trabalhar para ficar seis anos na Pasta e sair fortalecido para a eleição de 2018 – em vez de apostar numa disputa difícil com Alckmin e perder o ministério.

O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, que vinha sendo cogitado como preferido de Lula, teria se comprometido a completar os quatro anos do segundo mandato.

Agora, a opção petista do ex-presidente volta-se para o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Mas a profusão de nomes só reforça a ideia de que o PT não tem um candidato natural, nem uma cartada clara como foi Dilma Rousseff, em 2010, e Fernando Haddad, em 2012.

 

Fonte: BTR