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Projeto permite descarte adequado a 17 mil eletroeletrônicos

Redação 27 de janeiro de 2016 5 minutes read

Projeto realizado numa parceria entre o Laboratório de Sustentabilidade (LASSU) da Escola Politécnica (Poli) da USP e o Instituto GEA Ética e Meio Ambiente possibilitou que mais de 17 mil eletroeletrônicos (computadores e impressoras, entre outros) descartados e inservíveis da Caixa Econômica Federal tivessem uma destinação final adequada. A iniciativa, que recebeu o nome de Descarte Legal, é uma das repercussões do Projeto Eco-Eletro, em que catadores ligados a cooperativas de material reciclável receberam treinamento de especialistas da USP para desmontar e separar as peças de eletroeletrônicos de forma segura e rentável.

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Cooperativas treinadas pela USP realizaram a desmontagem e venda das peças

 

 

 

 

 

 

De acordo com a professora Tereza Cristina Carvalho, coordenadora do LASSU, a iniciativa da Caixa prova que é possível incluir catadores treinados na desmontagem segura de eletroeletrônicos. “Ainda há muita resistência dos produtores e de outros setores da sociedade em incluí-los na logística reversa. Um dos questionamentos é quanto à qualidade da desmontagem. Porém, o sucesso deste projeto mostra o oposto”, observa a coordenadora do LASSU.

De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei 12.305, logística reversa é um “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”. A PNRS destaca o papel dos catadores e das cooperativas nesse processo.

Separar as peças dos eletroeletrônicos para vendê-las é mais rentável que a venda do equipamento bruto, como sucata. Mas a desmontagem precisa ser feita de forma segura, pois alguns componentes podem poluir as pessoas e o meio ambiente. Vale lembrar que eletroeletrônicos levam, em sua composição, elementos tóxicos, como chumbo, mercúrio e cádmio. Já outros componentes podem ser reaproveitados pela indústria, como plástico e metais. Por isso, é necessário treinamento.

Os eletroeletrônicos da Caixa foram entregues a cooperativas de São Paulo, Brasília e Salvador, tendo sido treinadas duas em cada cidade. Recife foi incluída posteriormente. Após o tratamento, as peças foram vendidas e o dinheiro obtido (cerca de R$ 200 mil) foi dividido entre os 76 cooperados.

O projeto foi realizado entre julho de 2013 e junho de 2015 e possibilitou que voltassem para a cadeia produtiva cerca de 4,67 toneladas de alumínio; 1,57 toneladas de chumbo; 59,31 toneladas de ferro; 11,66 toneladas de placas eletrônicas, e 54,43 toneladas de plástico, fechando assim o ciclo de reciclagem. O resultado foi tão positivo que a Caixa decidiu renovar o contrato para o período 2016 e 2017, e ampliar o projeto para todo o Brasil.

Além de liberar os depósitos de eletroeletrônicos inservíveis, economizando cerca de R$60 mil mensais com alugueis, o banco se adiantou à regulamentação da PNRS e recebeu laudo emitido por indústrias recicladoras certificadas, como a Umicore, atestando a destinação final correta dos equipamentos. Sediada na Bélgica, a indústria é referência mundial na extração de metais em materiais como eletroeletrônicos.

Inclusão social
A gerente executiva da Gerência Nacional de Sustentabilidade e Responsabilidade Socioambiental da Caixa, Laura Ferreira Macedo, destaca a importância das instituições contribuírem e trabalharem com as cooperativas aptas a realizarem o tratamento adequado de resíduos eletroeletrônicos. “Essa área tem atraído cada vez mais o interesse do empresariado. Apesar de terem sido os catadores que lançaram a questão da reciclagem no Brasil, eles poderão ser passados para trás neste processo”, alerta.

Para ela, a fragilidade está no fato de o catador não ter a mesma estrutura, nem tanto domínio do processo quanto os empresários. “O empresariado pode sim atuar no setor. Mas é muito importante pensar em inclusão social e criar mecanismos para que os catadores também participem disso e que as oportunidades sejam para todos.”

Ampliação
Em cada cidade houve a participação de uma Universidade local: a USP, em São Paulo; a Universidade de Brasília, na capital federal, a Fundação Joaquim Nabuco e o ITEP, em Recife e a Universa – Universidade Salgado de Oliveira, em Salvador. “Isso fez toda a diferença, pois ajudou a aumentar a autoestima dos catadores. O fato de estarem frequentando os bancos escolares de uma universidade os deixava muito felizes”, comenta Ana Maria Domingues Luz, do Instituto GEA.

Na nova etapa do projeto, além das quatro cidades, foram incluídas Belém, Fortaleza, Goiânia, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. Mas o foco não se restringirá a equipamentos eletroeletrônicos: os catadores irão trabalhar com mesas, cadeiras, mobiliários e geladeiras.

“Tem estopa, tecido, madeira, parafusos, plástico. Como esses materiais podem voltar para a indústria de reciclagem?”, questiona Laura. “Por isso, este projeto tem um caráter inovador, porque precisaremos desenvolver, junto com essas universidades, todo um conhecimento para criar soluções para essas e outras demandas”, finaliza.

O projeto conta recursos do Fundo Socioambiental da Caixa, que é constituído com 2% do lucro anual do banco e aplicado em projetos na área socioambiental.

Imagem: Marcos Santos / USP Imagens

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