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Nova escala passa a valer em meados de dezembro, no auge das vendas e das confraternizações. Abrasel alerta para falta de mão de obra, preços mais altos e serviços essenciais desfalcados
A emenda constitucional que proíbe a escala 6×1, promulgada nesta sexta-feira (16), começa a valer em 15 de dezembro. A data cai a dez dias do Natal, no período mais movimentado do ano para o comércio e os serviços. Para a Abrasel, a corrida para reorganizar escalas e contratar em pleno dezembro vai deixar o consumidor com menos atendimento e preços mais altos.
“As empresas terão 60 dias para encontrar cerca de 3 milhões de trabalhadores. Essa mão de obra não existe. E o prazo termina justamente quando o país mais precisa de gente trabalhando”, afirma o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci.
Segundo o Ministério do Trabalho, quase 15 milhões de trabalhadores com carteira assinada estão hoje na escala 6×1. Todos passam a trabalhar um dia a menos por semana. Para manter o atendimento, as empresas precisam contratar mais. O restaurante que quiser continuar aberto seis dias terá alta de 20% na folha. Esse custo deve chegar ao cardápio, com aumento de 7% a 8% nos preços.
O mês mais forte do setor
Dezembro é o melhor mês do ano para bares e restaurantes. Pesquisa da Abrasel mostra que o faturamento do mês costuma ficar cerca de 20% acima de um mês comum, puxado pelas confraternizações e pelas festas de fim de ano. É esse dinheiro que ajuda a pagar o 13º salário e a atravessar janeiro, quando o movimento cai.
O setor já tinha dificuldade para montar equipes nessa época. No fim de 2025, 88% dos empresários relataram problemas para contratar, segundo a Abrasel. Agora, a busca por cozinheiros e garçons vai coincidir com a obrigação de dar duas folgas semanais a cada funcionário.
“Vai ser um rouba-monte de mão de obra. O restaurante com mais dinheiro vai tirar a cozinheira do mais simples. Muitos vão fechar um dia a mais justamente na semana do Natal”, diz Solmucci.
O trabalhador também perde. Para o garçom, a gorjeta pode representar de 60% a 70% da renda. Ele terá um dia a menos de salão cheio no mês em que mais ganha.
Comércio e serviços essenciais
O impacto vai além dos restaurantes. O Natal é a data mais importante do varejo. Para o Natal de 2025, a CNC estimou vendas de R$ 72,7 bilhões e a abertura de 112,6 mil vagas temporárias.
Os serviços essenciais também ficam mais exigidos em dezembro. Nas festas, os prontos-socorros recebem mais vítimas de acidentes, intoxicações e queimaduras. É também a época dos temporais de verão. Em 10 de dezembro de 2025, uma tempestade em São Paulo gerou na rede elétrica um volume de ocorrências 580% acima de um dia normal, segundo a distribuidora Enel. São os eletricistas que sobem no poste para religar a luz que também terão de ser repostos.
Na limpeza urbana, o volume de lixo dispara com as festas. Em Jundiaí (SP), a coleta passa de cerca de 350 toneladas por dia para até mil toneladas no fim de ano, segundo a prefeitura. “O Natal deste ano vai ser mais caro e mais desorganizado. O consumidor vai encontrar portas fechadas, demora no atendimento e preços mais altos”, afirma Solmucci.







