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Produção nacional de vinho deve fechar em alta

O consumo de vinho tem aumentado ano após ano, com a bebida caindo no gosto dos brasileiros

 

O vinho continua caindo no gosto dos brasileiros ano após ano. Com isso, o consumo tem aumentado, aliado, especialmente, ao impulso que a pandemia da covid-19 tem trazido nos últimos anos. 

Nos últimos anos, a cadeia de produção da uva e do vinho passou por transformações, que exibem ao mundo a possibilidade de unir estudo e investimento para driblar condições climáticas extremas. 

Afinal, o Brasil é um continente de solos e climas, e, neste universo, engenheiros agrônomos e enólogos, se debatem em uma jornada eloquente buscando a melhor compreensão de cada microclima para extrair o melhor de cada vinhedo. 

São 26 regiões produtoras em 10 estados brasileiros, cada uma com suas particularidades. Mesmo assim, de forma geral, podemos dizer que a Safra 2021, no Brasil, colheu uvas sãs, no ponto ideal de maturação para cada tipo de vinho a ser elaborado. Ou seja, foi uma vindima de qualidade e também de grande volume.

COMO FOI O CONSUMO DE VINHO EM 2020?

Fugindo da correnteza dos setores que sofreram com a pandemia do coronavírus, o mercado de vinhos teve alta de 31% em 2020. Ao todo, foram 501,1 milhões de litros comercializados em 2020 contra 383,9 milhões de litros no ano anterior. 

Segundo a maior autoridade no setor, a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o consumo de vinho no Brasil cresceu mais de 18% no Brasil em 2020. 

Ainda segundo a organização, o Brasil passou de cerca de 360 milhões de litros para 430 milhões de litros entre os anos de 2019 e 2020. Esse aumento foi o maior registrado entre os países associados da entidade.

Em 2020, o brasileiro bebeu uma média de 2,6 litros de vinho no ano. Já em 2019, foram 2 litros ao ano por pessoa. Vale reforçar que, para chegar nesse número, a métrica da OIV considera como adultos quem for maior de 15 anos.

Apesar disso, ainda não atingimos a média de países tradicionais no mercado de vinho como Portugal e Itália. Em Portugal a média é de 51,9 litros ao ano, ou seja, um português bebe 69 garrafas de vinho enquanto um brasileiro fica apenas com apenas três.

A SAFRA DAS SAFRAS

Foi graças ao clima no Rio Grande do Sul e Santa Catarina durante a vindima que enólogos e produtores trabalharam em meio ao sentimento de estarem vivendo um momento único na vitivinicultura brasileira. 

O baixo índice de chuvas na região foi fantástico para o vinho. Segundo especialistas, as safras 2011 e 2018 foram boas, mas a de 2020 impressionou. Graças à maturação fenólica plena nos tintos, foi um ano espetacular. 

Esses índices foram primordiais para amadurecer as uvas de maneira uniforme, tanto os açúcares quantos os fenóis, e oferecer a colheita quando os grãos atingem plena maturação sem risco da diluição que a chuva pode trazer. 

O QUE ESPERAR PÓS SAFRA HISTÓRICA DE 2020? 

A safra 2021 tem sido marcada por uma condição de clima mais frio do que a 2020 – cujo ponto alto, além do clima extremamente seco, foi um calor mais intenso. 

Em 2021, a safra tem relação muito boa entre acidez e PH, com vinhos mais frescos e frutados. De acordo com enólogos, a safra deste ano repete boa parte das condições que tornaram 2020 tão histórica. 

Apesar do período de chuva em meados de janeiro, que poderiam ser prejudiciais para o vinho, a colheita seguiu variada e sem diminuir sua qualidade. Com o passar dos meses, a safra de 2021 passou de boa para ótima. 

COMO ESTÁ O CONSUMO DE VINHO EM 2021?

Para 2021, o Brasil segue com forte tendência no consumo de vinho, segundo a OIV. Dos países do hemisfério sul analisados pela entidade, apenas Argentina e Nova Zelândia têm tendência de queda.

Ademais, de acordo com dados apresentados pela ABS (Associação Brasileira de Sommeliers), o ano de 2020 foi um divisor de águas para o mercado do vinho no Brasil.

O ano de 2020 fechou em 2,78 litros per capita, sendo que em 2019 a média era de 2,17. Esse aumento foi refletido também no vinho brasileiro, uma vez que houve um aumento de 76% de comercialização. 

Segundo levantamento da ABE (Associação Brasileira de Enologia), os vinhos brasileiros estão cada vez melhor posicionados no cenário mundial quando o assunto é qualidade.

A INFLUÊNCIA DO DÓLAR NO CONSUMO DE VINHO

Com a desvalorização do real diante do dólar e do euro, o volume de garrafas cresceu proporcionalmente mais do que seu valor, quando medido em moeda estrangeira. Aqui, vale dizer que no mercado de vinhos, vale o dólar FOB.

O importador pode até ter procurado vinhos mais baratos em sua origem para compensar a carência do câmbio, mas isso não significa que ele necessariamente tenha desembolsado um valor menor na sua moeda.

PROJEÇÕES DE FUTURO

O Brasil ainda não tem os dados oficiais de fechamento da Safra 2021, mas previsões feitas pela União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) indicam a possibilidade de mais de 800 mil toneladas somente na região do sul do país.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje o estado mantém mais de 46 mil hectares destinados ao cultivo da uva, com produção em 122 dos quase 500 municípios gaúchos. 

A previsão é que, para 2022, o mercado tenda a crescer, alcançando a margem de mais de 15 milhões de caixas de vinho que batemos em 2020. Porém, o que pode ser um diferencial são as origens de cada vinho. 

Resta aguardar que o vinho siga com bons olhos contando com a fidelidade dos brasileiros.