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Presente em protestos, jornalismo cidadão força adaptação da mídia tradicional

Cobertura independente deve fazer grande imprensa buscar o ‘jornalismo com alguém’ em vez de ‘para alguém’

As manifestações que aconteceram do Cairo a São Paulo passando por Nova York e Moscou nos últimos anos desataram não somente discussões sobre o modelo econômico e de representação política das sociedades atuais, mas também debates relacionados à cobertura jornalística dos eventos que se multiplicaram nas ruas.

 

Getty Images

Manifestante tira fotografia de protesto na Praça Taksim em Istambul (foto de arquivo)

Munidos com smartphones e câmeras conectadas à internet, testemunhas, manifestantes e os chamados coletivos desempenharam um papel de protagonistas ao adotar uma forma alternativa de coletar e disseminar informações com forte uso das redes sociais, servindo como um paralelo – e em alguns momentos, contraponto – às notícias veiculadas na grande imprensa.

Transmissões ao vivo, sem cortes e sem edição de protestos deram a tônica da difusão de informações durante os movimentos 15-M da Espanha (conhecidos como indignados), do Occupy nos EUA, das revoltas na Primavera Árabe , das manifestações contra Vladimir Putin na Rússia e, mais recentemente, dos protestos na Praça Taksim , na Turquia. No Brasil, o destaque ficou para o coletivo Mídia Ninja (sigla para Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), que atraiu cerca de 100 mil espectadores ao transmitir os confrontos entre a Polícia Militar e os manifestantes na noite de 18 de junho em São Paulo .

Mais do que conviver, Courtney Radsch, especialista em mídia no Oriente Médio, afirma que o chamado jornalismo cidadão, no qual a audiência não é parte passiva, mas ativa do processo de fazer notícia, relaciona-se com a mídia tradicional de forma simbiótica. Segundo ela, grande parte dos praticantes dessa modalidade jornalística deseja que suas questões e perspectivas ganhem atenção na corrente dominante da imprensa, que continua a ter maior impacto na opinião pública.

“A mídia tradicional tem de se adaptar e está se adaptando. A americana CNN, britânica BBC e a Al-Jazeera (do Catar), por exemplo, incluem jornalismo cidadão de alguma forma. Repórteres usam blogueiros, seguidores no Twitter como fontes para matérias, para checagem”, acrescentou.

Velocidade da informação

Entusiastas do jornalismo cidadão sustentam que, com um celular na mão e uma conexão à internet, qualquer um é capaz de relatar a realidade ao seu redor. Mas a prerrogativa de reportar flagras não é exclusiva do jornalista há anos, desde antes mesmo do advento da web. Como Lemos recorda, o empresário Abraham Zapruder, em 1963, foi responsável por filmar a morte do presidente americano John F. Kennedy utilizando uma câmera super 8 caseira. O motorista George Holiday gravou com videocassete o espancamento do taxista negro Rodney King, em Los Angeles, produzindo imagens que rodaram o mundo e provocaram protestos nos EUA nos anos 90.

A internet, com sua facilidade de transmissão ao vivo por redes sem fio, amplia essa capacidade e multiplica seus autores. Para Adriana Garcia, fellow da Universidade de Stanford e cofundadora da Orbitalab, organização que busca fomentar empreendedorismo entre jornalistas, essa pluralidade de espaços pelos quais a informação é produzida e circula deverá provocar nos grandes meios uma mudança de relacionamento entre produtor e receptor.

“Não se vai mais fazer jornalismo para alguém, mas com alguém”, afirmou. “Ao mesmo tempo, o papel da mídia tradicional é muito importante, não só para organizar essas informações que vêm em avalanche das plataformas de redes sociais, como também como um grande checador de informações, capazes de separar o joio do trigo.”

Getty Images

Manifestantes do Occupy Wall Street usam seus computadores em parque perto do centro financeiro (26/09/2011)

Fonte: IG

 

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Dennis Moraes