O prefeito de Santa Bárbara d’Oeste, Rafael Piovezan, anunciou nesta semana a implantação do Complexo Regional de Saúde da Zona Sul, um novo equipamento público que promete ampliar e reorganizar o atendimento à população da região. O projeto prevê a reforma e ampliação da atual Unidade de Saúde da Zona Sul, localizada na Rua José Calixto, resultando em uma estrutura com mais de 1.000 metros quadrados de área construída.
De acordo com a Prefeitura, o novo complexo contará com 15 consultórios médicos destinados a atendimentos gerais, ginecológicos, pediátricos, odontológicos e multiprofissionais, além de farmácia, salas de procedimentos, vacinação, exames de eletrocardiograma, agentes comunitários de saúde e um novo laboratório para coleta de exames clínicos e ginecológicos.
Durante visita ao local, o prefeito destacou que o modelo já foi implantado em outras regiões da cidade, como os bairros Jardim Pérola e Jardim Europa, e afirmou que o equipamento será uma das maiores estruturas da saúde pública municipal. “O Complexo Regional de Saúde é um modelo que deu certo em outras regiões. Transformaremos a atual Unidade Zona Sul com reforma e ampliação, dando sequência ao processo de reformulação da nossa rede”, declarou Piovezan.
Investimentos e planejamento
O anúncio ocorre em um contexto em que a Prefeitura reforça os investimentos na área da saúde. Dados oficiais apontam que o município destinou mais de R$ 186 milhões à Saúde nos primeiros oito meses de 2025, superando o percentual mínimo exigido por lei. A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025 também prevê aproximadamente R$ 268 milhões para o setor, indicando prioridade no planejamento municipal.
Na avaliação da administração, a ampliação da infraestrutura tem potencial para melhorar o acesso da população a consultas, exames e serviços básicos, além de contribuir para a descentralização do atendimento e redução da sobrecarga em outras unidades da rede.
Crise recente e questionamentos
Apesar dos anúncios e investimentos, a saúde pública de Santa Bárbara d’Oeste enfrentou um período crítico ao longo de 2025, marcado por denúncias, instabilidade administrativa e dificuldades operacionais. Entre os principais problemas relatados estiveram atrasos no pagamento de salários de médicos e profissionais da saúde, especialmente nos prontos-socorros, situação que chegou a ultrapassar três meses sem repasses em alguns casos.
As denúncias repercutiram na Câmara Municipal, motivaram cobranças públicas e levantaram preocupação quanto à continuidade dos atendimentos. Também houve registros de insatisfação de funcionários ligados ao Hospital Santa Bárbara, além de relatos sobre problemas na manutenção de ambulâncias, o que impactou diretamente o transporte de pacientes.
Esses episódios alimentaram críticas de que, embora haja investimentos anunciados em obras e estrutura física, a gestão da saúde ainda enfrenta desafios relacionados à valorização profissional, regularidade de pagamentos e estabilidade dos serviços.
Impacto esperado do novo complexo
Especialistas em gestão pública avaliam que a implantação do Complexo Regional de Saúde da Zona Sul pode representar um avanço importante, desde que venha acompanhada de planejamento operacional, contratação e manutenção de equipes e garantia de recursos para custeio contínuo.
Sem uma data oficial de entrega divulgada até o momento, o impacto do novo equipamento dependerá não apenas da conclusão da obra, mas da capacidade do município de resolver gargalos históricos da rede, como a falta de profissionais, atrasos salariais e dificuldades logísticas.
Entre expectativa e cautela
O anúncio do Complexo Regional de Saúde da Zona Sul gera expectativa positiva na população da região, que historicamente cobra melhorias no atendimento. Ao mesmo tempo, o histórico recente de dificuldades na saúde municipal impõe cautela e reforça a necessidade de acompanhamento permanente por parte da sociedade e dos órgãos de fiscalização.
A consolidação do projeto como um verdadeiro avanço para a saúde pública dependerá, sobretudo, de gestão eficiente, transparência e compromisso contínuo com a qualidade do atendimento, para que a nova estrutura não se torne apenas uma obra física, mas um serviço efetivo à população.




