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Portadores de Síndrome de Down são incluídos no mercado corporativo

Redação 21 de março de 2017 5 minutes read
  • Contém Suzano - YouTube

Restaurante Vila Paraíso abre as portas e já recebeu dois estagiários. Na foto Ricardo Barreira, à esquerda, com Gabriel Felipe Mariano, no centro.

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Em parceria com a Fundação Síndrome de Down, de Campinas, o Restaurante Vila Paraíso, no distrito de Joaquim Egídio, abriu suas portas para um projeto que tem como propósito a inclusão de pessoas com deficiências no mercado de trabalho. Desde o segundo semestre de 2016, dois jovens assistidos pela entidade passaram por estágios na casa por um período de três meses cada um. Outros serão recebidos ao longo deste ano. Durante o estágio, os jovens têm a oportunidade de conhecer o mundo corporativo, como responsabilidade de horário, bater o ponto, assumir responsabilidades no serviço e a conhecer o funcionamento dos negócios.

Essa experiência de inclusão social do Restaurante Vila Paraíso teve inicio com Gabriel Felipe Mariano, de 19 anos, jovem com deficiência intelectual e que, com poucos meses de trabalho, demonstrou que gosta da gastronomia e conseguiu um avanço social imprescindível, tendo atuado como auxiliar de cozinha.

Segundo a especialista em inclusão corporativa da Fundação Síndrome de Down, Renata Lellis, a ação de busca de parceiros, a fim de promover a iniciação ao trabalho das pessoas com alguma deficiência, foi batizada de Curso de Iniciação ao Trabalho (CIT) e tem colhido resultados positivos aos usuários da Fundação.

“Nós acolhemos as famílias na fundação e, de acordo com o estudo que fazemos caso a caso, identificamos quem já está apto para ter seu primeiro contato com o mundo corporativo. São identificadas as preferências e aptidões dos usuários da instituição, através de conversas feitas pela nossa equipe”< explica. “Após esta análise, é possível dar o primeiro passo na carreira que mais lhe é peculiar. A inserção nos estabelecimentos é realizada, primeiramente, por um período de três meses. Conversamos com os responsáveis do estabelecimento para analisarmos uma prorrogação do prazo ou ver se há a necessidade de trocarmos o local de trabalho. É muito importante receber esse feedback dos empresários para podermos dar sequência no trabalho de estágio e o usuário estar apto para ser registrado na CLT”, disse.

No período em que a pareceria é firmada, o usuário é avaliado nos quesitos de funcionalidade do trabalho, como assiduidade, compromisso com horários e responsabilidades peculiares a cada função, além do relacionamento com os colegas de trabalho.

Segundo o chef do Restaurante Vila Paraíso, Ricardo Barreira, os dois jovens se tornaram amigos de todo o pessoal que atua na cozinha. Além disso, houve o cuidado de nomear um integrante para acompanhar os dois jovens ao longo de seus estágios. “É muito legal ver a evolução deles na cozinha do restaurante. Nos primeiros dias, eles chegaram tímidos, falando pouco. Para nós é uma experiência incrível e os jovens estão cumprindo rigorosamente a tudo que se propuseram a fazer”, disse.

Para a gerente de marketing do Vila Paraíso, Fernanda Barreira, a experiência tem sido bastante positiva. “Ficamos encantados com o trabalho da Fundação. Nós ajudamos no crescimento profissional e eles nos ajudam também, com mais paciência, compreensão e coletividade no ambiente de trabalho.”.

A Instituição

A Fundação Síndrome de Down, foi criada por três pais que enfrentaram dificuldades com a inclusão social de seus filhos, pessoas com Síndrome de Down. Ao batalharem para a evolução de seus filhos, eles decidiram criar a fundação para também auxiliar outros pais que enfrentam as mesmas situações que eles. A entidade atende 200 pessoas com alguma deficiência intelectual e tem no mercado corporativo 60 usuários do programa.

De acordo com Renata Lellis, o trabalho é muito mais complexo do que parece e exige um acompanhamento não só do usuário do programa, mas também da família.

“Quando nós os recebemos, percebemos que por muitas vezes, a família cria certa resistência em dar autonomia às pessoas que têm alguma deficiência intelectual. Nós atuamos com o propósito de quebrar essa barreira e mostrarmos que, mesmo com todos os desafios enfrentados, a vida pode ser cheia de conquistas. Todos têm a capacidade de alcançar seus objetivos e crescer como cidadão. A família tem uma importante participação no programa, mas prezamos pela autonomia. Quem decide o que quer fazer profissionalmente, e se aceita as condições de trabalho, é o próprio usuário. Este é um grande passo rumo à autonomia na tomada de decisões de cada um”, completou.

Foto: Divulgação

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