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Por que a geração “selfie” não consegue emprego nos EUA?

Redação 15 de abril de 2014 4 minutes read

Reuters

Desemprego entre jovens americanos é quase quatro vezes maior do que na média da população

Segundo especialistas, eles são “incapazes de desenvolver seu potencial e que são viciados em redes sociais e nos autorretratos chamados ‘selfie'”

BBC

Muitos nos Estados Unidos comemoraram as estatísticas, recém-divulgadas, indicando que o desemprego no país se manteve em 6,7%, mas o cenário ainda é preocupante para os jovens que estão entrando no mercado de trabalho.

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A taxa de desemprego para pessoas entre 20 e 24 anos chegou a 12,2%, enquanto para aquelas com 16 a 24 anos bateu em 14,5%.

Por que é mais difícil encontrar trabalho para esses jovens americanos que formam a chamada geração Y?

Má reputação

Quem faz parte desta geração costuma ter uma má reputação. Diz-se que eles são “incapazes de desenvolver seu potencial e que são viciados em redes sociais e nos autorretratos conhecidos como ‘selfies'”, escreve Seth J. Carr no jornal Chicago Tribune.

Apesar dessa mania por “selfies”, há boas razões para estes jovens estarem sem emprego.

Estar desempregado não é uma escolha de muitos deles, escreve Tim Donovan no site Salon. Nesse grupo, há muitos “jovens pobres, com pouca educação e quase sempre de minorias” que não conseguem arrumar emprego.

Rachel Lu, professora de Filosofia da Universidade Saint Thomas, escreve no The Federalist que os pais dos jovens desta geração – nascidos durante o boom demográfico do pós-guerra – aconselham seus filhos a perseguir seus sonhos e aproveitar as oportunidades de autossuperação em vez de “estabelecer raízes”.

“O principal objetivo destes novos adultos de hoje em dia é aperfeiçoar-se”, diz a pesquisadora. “Supõe-se que as responsabilidades em relação a outras pessoas farão parte de suas mais vidas só mais tarde.”

Lu acredita que não é certo colocar toda a culpa na geração Y. A economia americana atual não está em marcha lenta por causa deles.

Em seu blog na American Interest, Walter Mead comenta que esses jovens adultos precisarão se ajustar. Eles “pensam que podem ficar sentados sem fazer nada até que o governo e a economia lhes ofereça um posto de trabalho”.

“Não é como o mundo funciona hoje. Em meio ao redemoinho da nova economia da informação e de serviços, eles terão que criar seus próprios empregos se quiserem trabalhar”, afirma Mead.

Empresa própria

É provável que isso seja algo positivo, já que grande parte desses jovens terá que enfrentar uma batalha ladeira acima para encontrar um emprego estável tradicional.

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AP

Jovens de hoje, como Mark Zuckerberg, preferem criar empresas

Um estudo realizado pela empresa de Recursos Humanos Adecco descobriu que as chances de esses jovens serem contratados por empresas são três vezes menores em comparação com trabalhadores mais experientes, considerados mais “responsáveis” e “profissionais”.

Muitos jovens adultos estão optando por aventurar-se na criação de uma empresa própria, por exemplo criando programas de computador e celulares, porque acreditam que ter um trabalho com um propósito maior é melhor do que ter um emprego que não lhes traz satisfação.

Isso não é sinal de preguiça, escreve Zachary Karabell para a revista Atlantic, mas uma “evidência de que se trata de uma geração de universitários recém-formados que não aceita qualquer coisa, o que é bom para o nosso futuro”.

Outras pessoas consideram pouco realista esse desejo dos jovens de ter seu próprio negócio ou esperar pelo emprego perfeito. A geração Y tem que aceitar um lugar de trabalho tradicional, escreve Jewelyn Cosgrove, do Policy Mic:

“Muitos destes jovens tem dependido de trabalhos freelancer para sobreviver durante a crise econômica. Essa geração, na qual me incluo, se esquece do valor das habilidades obtidas em um ambiente de trabalho tradicional.”

Mesmo que Cosgrove pense que estes jovens estejam mal preparados para enfrentar a economia de hoje, ela não perdeu completamente sua fé neles.

“Temos sido pisoteados e caluniados pelos meios de comunicação, mas mantemos nossa esperança.”

 

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