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Origem emocional responde por 30% das doenças na pele


Dermatologista do HFI fala da correlação entre doenças dermatológicas e psiquiátricas

A pele é o maior órgão do corpo humano e o único visível a olho nu. Extremamente sensível às emoções, qualquer doença que a afete pode causar estigma, ansiedade e depressão. Segundo Márcia Senra, dermatologista do Hospital Federal de Ipanema (HFI), no Rio de Janeiro, em torno de 30% dos casos de distúrbios que se manifestam na pele, têm origem emocional. Com formação também em psicossomática (estudo dos efeitos de fatores sociais e psicológicos sobre processos orgânicos do corpo) e pós-graduada em psiquiatria na Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, Márcia, desde 2008, utiliza a Psicodermatologia para diagnosticar os efeitos do estresse sobre a pele, o impacto psicológico e social causado por doenças cutâneas e a correlação de doenças dermatológicas e psiquiátricas nos pacientes que atende no ambulatório do hospital.

A Psicodermatologia estuda a conexão entre a pele e o sistema nervoso. Essa conexão entre a pele e o cérebro começa no período embrionário, derivam do mesmo ectoderma (folheto embrionário mais externo, do qual deriva a pele, o sistema nervoso, os órgãos dos sentidos entre outros) e são afetados pelos mesmos hormônios e neurotransmissores.

Sintomas como ansiedade, depressão e baixa autoestima podem estar associados à manifestação ou agravamento de problemas como acne, vitiligo, psoríase, dermatite atópica (provocada por reação alérgica), rosácea e herpes. “Um paciente que está incomodado com algum problema na pele, pode desenvolver várias patologias psíquicas como ansiedade, fobia social e depressão. Um paciente com queda de cabelo, por exemplo, procura um dermatologista, não procura um psiquiatra, mas o problema pode ser psiquiátrico”, alerta Márcia.

A paciente R.S.V, de 43 anos, é hipertensa e sofre de hérnia de disco, já passou por duas cirurgias e chegou ao consultório da dermatologista do HFI encaminhada pela ortopedia do hospital. Com assaduras nas axilas e virilhas, locais normalmente quentes e úmidos, ela sofre com o intenso atrito nessas áreas, agravado pelo excesso de peso. Vários tratamentos já foram tentados. Sem conseguir perder peso, a paciente é encaminhada para dermatologia onde poderá tratar as assaduras.

“Investigando mais a fundo, conhecemos a realidade dela e o que a leva a comer compulsivamente. A resposta é ansiedade. Como podemos tratar essa pessoa sem tratamos o comportamento dela? Ela precisa conhecer o seu próprio comportamento”, explica a dermatologista.

A idade do paciente, a localização e a aparência das lesões, provocam reações psicológicas variadas, causando impacto na qualidade de vida. Os fatores psicológicos pioram os sintomas e o efeito psicossocial dessas doenças aumenta o estresse. Tratamentos convencionais podem até apresentar melhoras, mas Marcia Senra esclarece que  o problema pode não ser sanado, por isso cabe ao médico ensinar ao paciente como sair desse ciclo: “Cada caso necessita de uma orientação adequada a sua realidade, que pode variar de atividades físicas a terapêuticas. Existem várias linhas trabalho que podem ajudar o indivíduo a reduzir os fatores que geram o estresse. O importante é buscar o equilíbrio”.

 

Adriano Schimit, para o Blog da Saúde

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