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24horas Opinião

O horizonte perdido norte-americano

Por Cássio Faeddo

 

A divisão sem igual encontrada hoje nos EUA reflete a angústia do povo por um país que nunca mais será como antes.
A eleição de Donald Trump foi o primeiro capítulo de uma história que começa com um final redigido.
Depois da 2ª Guerra os EUA ditaram as regras do jogo político, pois foram os maiores vencedores junto com a antiga URSS.
Ilustrando o martírio norte-americano de perda de espaço econômico temos a indústria de automóveis.
O Japão, já nos anos 80, vendia mais carro nos EUA do que as próprias empresas estadunidenses. E assim Detroit e o cinturão da ferrugem foi fechando empresas, como bem mostra o documentário da Netflix , “Fábrica Americana”. A angústia está presente no filme.

Faça a América grande de novo, bradava Trump em sua campanha.
E o americano médio, cristão, branco e desempregado, acreditou fortemente que o problema era o outro, especialmente a China e os imigrantes.
Assim como a tradicional indústria norte-americana de automóveis, a exemplo da Ford, reclama por incentivos fiscais a todo o tempo, como se o contribuinte fosse sócio da empresa e responsável pelos automóveis que não conseguem mais fazer frente aos carros asiáticos, pois defasados e caros.

Dr Cassio Faeddo

O problema é sempre o outro. Já ouvimos habitualmente essa história.
O mundo de Trump e da Ford não existe mais. Os atores econômicos e sociais são outros. Não podem mais reclamar da bola, do juiz, do gramado. Todos jogam nas mesmas condições.
Logo o dólar poderá ser engolido por outras moedas, mesmo as digitais, e os EUA não poderão mais financiar dívida interna emitindo moeda livremente.
O problema é que os EUA ainda têm um imenso poderio militar e nuclear. Esse poder nas mãos de um insano é um risco para a humanidade.
Vivemos um ponto de inflexão, um “mile stone”, utilizando uma expressão em inglês.

Se haverá uma guerra, só o tempo dirá, mas as condições já foram criadas.

 

Cássio Faeddo é Advogado, Mestre em Direitos Fundamentais, MBA Relações Internacionais – FGV/SP