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O conflito das gerações Por Rita Ritz

Rita Ritz: Professora Doutora da IBE-FGV especialista em RH e Gestão de Pessoas

Diferenças de idade, pensamentos e interesses dos profissionais alteram relações e impõem desafios às empresas

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Rita Ritz

Identificar, motivar e reter os bons profissionais em um mundo repleto de opções, possibilidades e diferenças. Esses são apenas alguns dos desafios que as empresas têm enfrentado no mundo corporativo atual. Enquanto alguns querem estabilidade, outros se preocupam em dar um sentido ao trabalho, com questionamentos que vão além dos ganhos financeiros, sem falar daqueles que preferem sempre mudar para enfrentar novos desafios.  As gerações X, Y e, mais recentemente, a Z, têm imposto uma nova relação com os empregadores, que passaram a ter que se preocupar não apenas com a produção do seu produto, mas também com os anseios e interesses de cada profissional de acordo com a sua geração.

 

O conflito de filosofias, pensamentos e interesses é uma realidade do encontro das gerações. As diferenças são grandes, mas, segundo a especialista em desenvolvimento organizacional da IBE-FGV, Rita Ritz, é necessário que tanto as empresas quanto os profissionais identifiquem essas características. “A maior parte das pessoas já sofreu com adventos em relação à diferença de gerações. Muitas organizações têm perdido profissionais preciosos por problemas que poderiam ser resolvidos com simples ajustes”, aponta.

 

De acordo com a diretora da Business Partners Consulting, Viviane Gonzalez, essa é a primeira vez que três gerações tão diferentes se encontram no mercado de trabalho. “Nestes últimos 30 anos, com a velocidade das informações e a criação constante de novas tecnologias, o mundo mudou muito. Apesar da diferença de apenas 10 anos entre os profissionais X, Y e Z, as diferenças, especialmente de comportamento, podem ser gritantes”, explica a especialista.

 

As especialistas concordam que cada geração deve ser vista de sua perspectiva. “O profissional que vai conseguir se destacar é aquele que melhor se entender nas diversas gerações. Para isso, é necessário ter a mente aberta para entender e aceitar”, destaca Rita Ritz.

 

Para manter uma equipe com tantas diferenças sem prejudicar o desenvolvimento do trabalho, é preciso que todos os escalões da empresa se prepararem, com investimentos em palestras para os funcionários antigos e treinamentos para os recém-contratados. “A mescla de gerações, apesar de conturbada, será muito positiva em um futuro bem próximo. É preciso que as empresas encarem essa mudança e atualizem seus negócios, criando novas formas de liderança e motivação, mas caso decidam manter-se conservadoras frente às alterações ocorridas nos últimos anos e lutar contra a maré, poderá morrer na praia”, alerta.

 

Para solucionar os problemas, as especialistas apontam que a melhor receita é a comunicação. “É preciso conversa e disposição para aprender de maneira compartilhada. Rotular prejudica em todas as áreas, inclusive, na produtividade. É importante não deixar a idade impactar, antes, ela deve acrescentar”, enaltece Rita Ritz.

 

Tradicionais, Baby Boomers, X, Y, Z… Confira algumas curiosidades sobre as gerações

 

1)      Os Tradicionais, com mais de 68 anos, nasceram em tempos de crise, o que os fez disciplinados, colocando sempre o dever antes do prazer. Assim, é muito mais fácil as gerações mais novas entenderem o pensamento das mais antigas.

2)      Os nascidos entre 1946 e 1964 são os chamados ‘Baby Boomers’. Eles são os filhos do pós-guerra, que romperam padrões e lutaram pela paz. São pessoas definidas por sua profissão e são viciadas no trabalho. Gostam de se sentir valorizadas e necessárias.

3)      A geração X (1965 – 1977) pensa em qualidade de vida, liberdade no trabalho e nas relações. Devido às crises que enfrentaram, são céticos. Eles trabalham para viver e não vivem para trabalhar. Com isso, saem e entram nos empregos em função das necessidades da família. São profissionais que têm mais respeito por competência do que pela idade ou tempo de serviço na empresa.

4)      A geração Y (1978 – 1990) cresceu sem o pai e a mãe em casa, por eles estarem trabalhando. Com isso, tornaram-se extremamente independentes. É uma geração que cresceu em uma época de valorização intensa da infância, com internet, computador e educação. Eles sabem trabalhar em rede, ganharam autoestima e lidam com autoridades como se fossem colegas de turma. São pessoas que nasceram em tempos de prosperidade, por isso não temem o desemprego e veem o trabalho como um meio e não como um fim. A geração Y sai feliz do emprego se ele não estiver de acordo com suas expectativas, questionam qualquer coisa e não toleram mentiras. Quer manter as pessoas da geração Y motivadas? Dê a eles um trabalho desafiador e não digam COMO fazer, mas O QUE fazer.

5)      A geração Z, abaixo de 21 anos, é ainda mais imediatista e não gosta de ser ‘contradita’. Conectado com a modernidade, este grupo de profissionais, formado por jovens que nasceram nos anos 90, em plena Era Digital, chega para trabalhar esperando por uma empresa semelhante ao seu mundo, com novas tecnologias, rápida, aberta a novas ideias, globalizada, agitada e muito criativa. Não é à toa que a letra que os denomina vem do termo `zapear´, ato de trocar de canal de TV constantemente pelo controle remoto.

 

 

Dicas das especialistas para evitar os conflitos

1)      Tenha a mente aberta e procure entender o outro.

2)      Nem todos os nascidos numa mesma época agem ou reagem da mesma forma. Não se prenda a rótulos de gerações.

3)      Comportamentos diferentes entre as gerações não podem ser vistos como errados ou sem importância.

4)      O objetivo da empresa para resolver os conflitos é equilibrar a liberdade que as novas gerações querem com a estrutura das antigas.

 

 

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Dennis Moraes