
Santa Bárbara d’Oeste — Uma atitude simples, mas carregada de significado, chamou a atenção dos moradores do Conjunto dos Trabalhadores na tarde de ontem (17). Um grupo de crianças do bairro decidiu transformar indignação em ação: organizou uma vaquinha, arrecadou recursos e comprou galões de tinta para revitalizar sinalizações de trânsito nas ruas da comunidade.
Sem apoio oficial e movidos apenas pelo desejo de melhorar o lugar onde vivem, os pequenos moradores pintaram faixas e demarcações viárias, contribuindo diretamente para a segurança de pedestres e motoristas. A iniciativa rapidamente repercutiu entre vizinhos, que enxergaram no gesto um exemplo concreto de cidadania e responsabilidade coletiva.
A mobilização espontânea também escancara um problema que se arrasta há anos. O Conjunto dos Trabalhadores convive com a ausência de manutenção básica e investimentos estruturais. Moradores relatam falta de calçadas adequadas, carência de espaços de convivência e inexistência de áreas de lazer.
Desde a construção do conjunto habitacional, segundo relatos da própria comunidade, não houve investimentos significativos em infraestrutura urbana. Durante o período de férias escolares, a situação se agrava: sem praças, quadras ou campos, as ruas acabam sendo o único espaço disponível para as crianças brincarem.
Além da revitalização das sinalizações, moradores reforçam a necessidade de implantação de um campo e de áreas destinadas ao lazer e à prática esportiva. A demanda não é recente, mas permanece sem resposta efetiva do poder público.


A ausência de equipamentos urbanos adequados compromete não apenas o lazer, mas também a segurança e a qualidade de vida da população local.
A atitude das crianças do Conjunto dos Trabalhadores vai além da pintura das ruas. Ela simboliza senso de pertencimento, união comunitária e consciência cidadã. Mesmo diante do abandono, os pequenos demonstraram que é possível agir e buscar melhorias de forma organizada e pacífica.
O gesto, no entanto, também levanta um questionamento inevitável: se crianças conseguem mobilização para promover melhorias básicas, por que o poder público ainda não atendeu às demandas históricas do bairro?
Mais do que aplausos, o exemplo dado pelos moradores mirins pede atenção, reconhecimento institucional e, sobretudo, ações concretas que garantam dignidade, segurança e infraestrutura adequada à comunidade.









