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Mitos e verdades que você ouve no posto de gasolina sobre óleo lubrificante

Entenda o quanto a cor, a viscosidade e a mistura de óleos interferem realmente no desempenho do veículo e outras dúvidas comuns na hora da troca

Troca de óleo é uma pauta recorrente na vida de qualquer motorista. Basta parar para abastecer que logo vem a pergunta pelo vidro do carro: “como está o óleo?”. Parece simples, mas boa parte das pessoas não têm ideia de “como está o óleo” ou o que isso significa. É nessa hora que a pessoa que abre o capô do carro vira autoridade no assunto e vai dizer o que se deve ser feito – e é nessa hora também que muitos equívocos acontecem.

Óleo escuro é óleo velho? Viscosidade indica sujeira? Misturar tipos de óleos estraga o motor do carro? Tem mesmo que trocar o filtro de óleo a cada troca? Edson Reis, piloto da Copa HB20 e CEO da TecLub Maxon Oil, que está entre as 10 marcas de lubrificantes automotivos mais vendidas do país, respondeu a cada uma dessas perguntas e revelou mitos e verdades que são facilmente ouvidos em postos de gasolina e outros pontos de serviços automotivos.

É possível avaliar o óleo lubrificante pela sua cor?

MITO. A cor de cada tipo e marca de óleo tem a ver com a tecnologia utilizada. Óleo sintético é sempre mais claro, sua base é transparente como água, são os aditivos que mudam sua cor. Já o óleo mineral apresenta grandes variações de cor, pois essa característica pode mudar de acordo com o petróleo de onde ele é extraído. Além disso, há regionalismos nesse mito: as regiões mais ao Sul do país tendem a acreditar que o óleo claro é melhor, enquanto nas regiões ao Norte acredita-se que o produto, quando mais escuro, possui mais aditivos e, portanto, seria melhor. Edson destaca que o único fato real é que, independentemente da sua cor, o óleo tem a função de limpar o motor e logo após iniciar o seu uso ele vai naturalmente começar a escurecer dentro do motor – o que é totalmente normal e esperado.

Óleo grosso é sinal de olho velho?

MITO. Assim como a cor, a espessura visual ou tátil do óleo não é um indicador de qualidade. Mais que isso: tecnicamente, é impossível se medir a viscosidade do produto esfregando-o nos dedos, especialmente em temperatura ambiente. Isso só pode ser feito em laboratório, com um equipamento chamado viscosímetro, e simulando as condições dentro motor, já que o produto é desenvolvido para alcançar a viscosidade certa na temperatura do carro em funcionamento. Os diversos tipos de óleo sofrem variações desta propriedade entre si e a especificação certa é aquela indicada no manual do veículo. O CEO da Maxon Oil alerta que é comum motoristas utilizarem um óleo mais viscoso do que o indicado para tentar minimizar falhas no veículo, como vazamentos ou queima, mas ao invés de ajudar, esta ação pode agravar problemas mecânicos.

É sempre preciso trocar o filtro de óleo?

VERDADE. O filtro de óleo é um item essencial para o processo de limpeza do motor. O óleo limpa e o filtro retém essa sujeira. Vale destacar que o lubrificante, se usado corretamente, nunca vai danificar o motor de um veículo. Já a falta dele, sim. E não trocar o filtro, ou escolher filtros de baixa qualidade, podem fazer com que o óleo não circule como deveria e causar sérios danos. Sem falar que é um produto relativamente barato que não encarece substancialmente o serviço durante a revisão do motor, então não há motivos para não trocá-lo sempre que renovar o óleo.

Óleo sintético é melhor que óleo mineral?

MITO. Esses são dois tipos diferentes de óleos lubrificantes e não se classificam entre melhor e pior. São produtos com características distintas e o melhor é aquele indicado no manual de cada veículo. Por exemplo: é sabido que o óleo mineral se desgasta mais rápido que o óleo sintético, porém, justamente por isso que veículos cujos fabricantes recomendam esse tipo de lubrificante já vêm com a recomendação de um intervalo de troca menor. As principais diferenças entre eles são: que o óleo mineral é refinado do petróleo, se desgasta mais rápido e geralmente custa menos para o consumidor; já o sintético é feito a partir de bases sintéticas, tem maior durabilidade e pode sair mais caro.  

Edson Reis – CEO da Teclub Maxon Oil e piloto de corrida
Divulgação

Misturar óleo sintético e mineral estraga o motor?

MITO. Caso o motorista tenha feito uso de um tipo de óleo – por engano, por exemplo – e precise mudar para o outro, seja do mineral para o sintético ou vice-versa, isso não vai gerar nenhum problema para o motor do carro. Edson Reis explica que essa ideia tem origem no antigo mercado de lubrificantes, quando a tecnologia não estava tão bem desenvolvida e a mistura de óleos podia promover o encontro de substâncias incompatíveis, que juntas poderiam danificar o veículo. Porém, a tecnologia se desenvolveu e alguns aditivos foram abolidos desta indústria por poder causar mais problemas do que soluções. Hoje, as melhores marcas do mercado usam tecnologias com boa compatibilidade e o encontro de lubrificantes sintéticos e minerais dentro do veículo é praticamente inofensivo, existindo inclusive óleos semissintéticos que usam proporções variáveis dos dois tipos de base, aproveitando as melhores características de cada um deles e otimizando custos. Mas existe uma verdade por trás deste mito, pois sempre o lubrificante de qualidade inferior, vai anular os benefícios do lubrificante de qualidade superior, por isso caso seja necessário utilizar um produto com qualidade superior ou inferior ao já utilizado, sempre deve-se fazer a troca total do lubrificante, já quando for necessário apenas completar o óleo do cárter, deve-se sempre utilizar um produto com a mesma especificação utilizada na troca, evitando que a vida útil do lubrificante seja comprometida. É importante lembrar que sempre o lubrificante ideal para o veículo é aquele especificado pelo fabricante do mesmo.

Carro que pega muita estrada precisa ter o óleo trocado com mais frequência?

DEPENDE. A frequência de troca do óleo lubrificante é recomendada de acordo com a quilometragem do veículo ou por tempo de uso do produto. Basta seguir a recomendação indicada pelo fabricante no manual do veículo, que geralmente recomenda intervalos de troca menores para regime de uso severo. Edson explica que o desgaste de cada veículo pode ser classificado entre leve, moderado ou severo de acordo com o uso em rodovia, vias urbanas ou estradas rurais/precárias, mas que isso já é pensado nas recomendações de troca de óleo. Segundo ele, nesse quesito o grande mito está em acreditar que o carro com maior quilometragem é sempre o que teve maior desgaste, sendo que, ainda que marque muitos quilômetros rodados, um carro que trafega mais em rodovias provavelmente possui bem menos desgaste do que um veículo que se desloca apenas dentro de cidades, precisando acelerar e frear muitas vezes mais, por exemplo.

É bom fazer flushing (lavagem do motor) com frequência?

MITO. A lavagem do motor não é um procedimento de rotina. Só é necessária em situações bastante raras e com certa gravidade – como desrespeitar em muito o prazo de troca do óleo ou o veículo alcançar com uma quilometragem muito alta. O lubrificante já tem como função limpar o motor, então a lavagem não é necessária. O CEO da Maxon Oil explica que o produto traz na composição aditivos detergente e dispersante, insumos que servem para limpar o motor e ao mesmo tempo manter a sujeita solta (não deixá-la grudar nas peças), por isso ela é eliminada na troca de óleo. Se o filtro sair com muita sujeira, é porque o lubrificante cumpriu bem seu papel e está tudo certo. Fazer o flushing com frequência não traz danos, mas é um investimento desnecessário.

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