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Luca Moreira apresenta a carreira de Thales Corrêa em entrevista

Diretor, ator e roteirista, Thales Corrêa, de 31 anos, imprimiu seu talento em todas as suas áreas de atuação em seu primeiro longa-metragem “Nos Becos de São Francisco“, uma comédia ousada sobre o universo LGBTQ, disponível no Now, serviço de Streaming e On Demand da Net. Não poderia ser diferente: lançado em setembro nos Estados Unidos, o longa já chega ao Brasil com três premiações garantidas e concorrendo a outras cinco. Nascido em Minas Gerais, Thales mudou-se para Los Angeles aos 21 anos e frequentou a Escola de Cinema da UCLA. Projetos que variam entre filmes, videoclipes e episódios para a TV integram seu extenso e premiado currículo sendo inclusive seus dois últimos curtas-metragens, “Parents” e “Milvio”, exibidos no Festival de Cannes, um dos principais festivais de cinema do mundo.

Conte-nos um pouco sobre seu início na área artística? Me mudei para os EUA com 21 anos. Vim com pretensão de estudar cinema, mas comecei em um “college” que é do tipo uma “pré-faculdade” na qual você toma aulas de assuntos gerais até você definir a área exata na qual deseja focar. Sabia que queria fazer algo na área de entretenimento desde novo, mas não conhecia muito. Cresci no interior de Minas, numa cidadezinha chamada Campo Belo. Lá não tem nem salas cinema, então acesso à cultura era difícil. Só assistia pela TV, novelas da globo e filmes alugados em VHS. Mas sempre ficava fascinado ao ver filmes, e observar as histórias se desdobrando na minha frente causando uma emoção. Filmes mudaram minha vida e forma de pensar. Quando tinha 16 anos, fui em um cinema em Juiz de Fora, sozinho, e assisti “Brokeback Mountain. ” Sai de sala completamente modificado, aye hoje me arrepio ao assistir aquele filme.  Mas não tinha noção nenhuma de como era feito um filme, até começar a estudar aqui nos Estados Unidos

Sendo esse seu primeiro longa-metragem, como foi a criação de “Nos Becos de São Francisco”? O roteiro veio a partir de uma conversa com meu co-autor Izzy Palazinni. Sempre tivemos conversas sobre nossas frustrações com aplicativos de encontro e sobre nossas experiências de namoro no mundo gay aqui nos Estados Unidos. Sempre tivemos uma linguagem despojada sobre o assunto, mas também passamos por sérios problemas, a partir daí decidimos escrever um roteiro que fosse o mais próximo da nossa realidade possível. Por isso o filme não tem um final feliz tão concreto e também não fica apenas de um lado da questão, pois é exatamente como nos sentimos.

O filme traz uma abordagem sobre o universo LGBTQ, sendo mais uma produção brasileira nesse gênero. Acredita que esse tema ainda tenha muito a ser abordado pelo cinema nacional? Com certeza. Temos vários personagens LGBTQ na história do cinema nacional. Mas filmes com a temática central são bem poucos. Mas a cada ano que passa vemos excelentes produções saindo do Brasil ganhado destaque no mundo inteiro. Lembro que o primeiro festival que abrimos o filme na Philadelphia estava Nos Becos de São Francisco em uma sala e Tinta Bruta, outro filme LGBTQ brasileiro que sou fã, na outra. Isso mostra representatividade do cinema brasileiro e como tem público para esse gênero.

A produção recebeu alguns prêmios nos Estados Unidos e está concorrendo a outros cinco no Brasil. Como estão as expectativas para o sucesso do filme? Nos Estados Unidos sim, mas no Brasil não estamos concorrendo a nenhum prêmio ainda não. O filme já saiu do circuito de festival e enviamos para vários festivais no qual foram selecionados apenas no Estados Unidos, mas foi além da nossa expectativa. Com a repercussão do filme nos festivais americanos fechamos com uma distribuidora o direto internacional o que levaram o filme ao Brasil diretos para o lançamento VOD, sem passar por nenhum festival. Mas ei, estamos aí festivais brasileiros, chama eu!

Você cursou a escola de cinema na UCLA em Los Angeles, produzindo filmes que chegaram até no Festival de Cannes. Quais as diferenças que você observa no mercado internacional e no brasileiro? Pensa em trabalhar em algum projeto nacional? Minha experiência com cinema mesmo é apenas aqui. Nunca trabalhei com cinema no Brasil, apenas um papel pequeno como ator, mas então não sei muito te dizer a diferença. Tenho amigos que trabalham lá, e o que ou escuto deles é que a diferença é falta de mão de obra, falta de roteirista, e o acesso restrito a equipamentos. Naturalmente, equipamentos no Brasil tem um custo maior do que aqui. E morando em Los Angeles tem mais alternativas, como aluguel, parcerias, o que facilita muito. Morro de vontade de trabalhar no Brasil algum dia. Toda vez que vou no Brasil minha cabeça vai a mil com ideias de produções nacional. Estava em Arraial D’ajuda, minha primeira vez na Bahia, e fiquei encantado com a cultura local, não parava de pensar em milhões de histórias para contar sobre aquele lugar

Deixe uma mensagem. Queria muito agradecer o carinho de todos que estão nos dando espaço, assistindo o filme, mandando mensagens positivas. É muito gratificante ver que o meu trabalho está conectando pessoas do mundo inteiro, e que quem assiste consegue se ver na tela e dentro da história. Algo tão pessoal, que está unificando pessoas de lugares tão diferentes. Mesmo falado com outras línguas, na essência somo um só. É um filme sobre um grupo de amigos, e é muito legal ver amigos se reunindo para assistir ao filme juntos, fazendo uma experiência única. Obrigado a todos que assistiu ao filme e compartilham com amigos e familiares, não só na internet como na boca a boca também, quem tem acontecido muito.

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