Infecção urinária: conheça os sintomas e as opções de tratamento

Infecção do trato urinário: Dores abdominais fazem parte dos sintomas do problema (Thinkstock)

Quatro em cada cinco mulheres já sofreram ou sofrerão pelo menos um episódio de infecção do trato urinário, também chamada de cistite ou infecção urinária, durante a vida. Embora os sintomas da doença possam ser facilmente identificados e o tratamento seja simples na maior parte dos casos, a cistite merece atenção. Isso porque, se não for tratada adequadamente, pode evoluir e, além da bexiga, passar a prejudicar os rins.

A infecção urinária acontece quando bactérias provenientes do intestino passam a colonizar o trato urinário, especialmente a bexiga. Os sintomas incluem dor e ardência ao urinar e vontade de ir ao banheiro várias vezes por dia, embora saia um volume pequeno de urina a cada micção. Também podem ocorrer dores abdominais e sangramento ao urinar. A doença afeta homens e crianças, mas atinge principalmente as mulheres, porque a anatomia do corpo feminino favorece a migração dessas bactérias, já que tem a uretra mais curta e uma maior proximidade entre a vagina e o ânus.

Entre as mulheres que já tiveram cistite, uma parcela considerável – cerca de um terço – sofre episódios recorrentes da doença. Ou seja, ao menos duas infecções em um período de seis meses, ou três infecções ou mais durante um ano. De acordo com Márcio Averbeck, chefe do Departamento de Urologia Feminina da Sociedade Brasileira de Urologia, infecção urinária recorrente, em geral, não é indício de que a mulher está com uma doença mais grave. “A paciente simplesmente tem uma maior tendência ao problema”, diz.

Essa propensão pode ser explicada de diversas formas. Por exemplo, o hábito de não ir ao banheiro sempre que há necessidade de urinar. “Além disso, algumas mulheres não relaxam a musculatura ao urinar e não esvaziam a bexiga completamente. Isso é importante para jogar fora as bactérias que possam ter chegado ao trato urinário”, afirma o urologista Flávio Trigo, coordenador do Centro de Tratamento de Incontinência Urinária do Hospital Sírio-Libanês.

Outros fatores que favorecem a migração das bactérias intestinais à bexiga incluem a falta de hidratação — médicos recomendam a ingestão de pelo menos 1,5 litro de água por dia —, higiene inadequada da área genital e constipação intestinal. Além disso, existem pacientes cuja infecção urinária é desencadeada na relação sexual. Nesse caso, as bactérias intestinais que migraram para a parede da vagina são levadas ao trato urinário. Por isso, muitos médicos recomendam que a mulher sempre urine após o sexo para eliminar os microrganismos e diminuir a probabilidade de eles se propagarem na bexiga.

Tratamento – A cistite pode ser diagnosticada pelos sintomas clínicos apresentados pela mulher. Depois, a confirmação da infecção e o tipo de bactéria que causou a doença são confirmados em um exame de urina que fica pronto entre dois e três dias. É comum, porém, que os médicos já prescrevam o antibiótico antes de o resultado ficar pronto para combater a infecção o quanto antes. “Caso a bactéria que causou a cistite não seja sensível ao medicamento prescrito, troca-se o remédio”, diz Averbeck.

No caso de pacientes que têm cistite recorrente, o médico pode recomendar um tratamento prolongado com o uso de antibiótico em doses menores, ou profiláticas. Segundo Averbeck, o período de tratamento diminui os casos de cistite em cerca de 90%. No entanto, uma parte das pacientes (40% aproximadamente) volta a ter infecção com o fim do uso de antibiótico. Nesses casos, indica-se uma vacina via oral que fortalece o sistema imunológico Esse tratamento costuma durar nove meses no total e, de acordo com o médico, reduz os episódios de cistite em 30%.

Como combater a infecção urinária

Identifique os sintomas

Pessoas com infecção urinária, ou cistite, apresentam dor e ardência na hora de urinar. Além disso, elas sentem necessidade de ir ao banheiro várias vezes por dia, mas sai pouca urina a cada micção. Isso acontece porque a bexiga está inflamada e não consegue armazenar um volume grande de urina como faz normalmente. Pode acontecer também de haver sangramento ao urinar e dores na região abdominal.

Procure um médico

Caso apareçam sintomas relacionados à infecção urinária, o paciente deve procurar auxílio para receber tratamento adequado e evitar que o problema passe a atingir os rins. Inicialmente, a doença é detectada pelos sintomas clínicos. Depois, a infecção e o tipo de bactéria causadora da doença são confirmados em um exame de cultura de urina, que fica pronto entre 48 e 72 horas. Se a suspeita de cistite é forte, o médico pode prescrever o tratamento com antibiótico antes de o resultado ficar pronto. Caso o diagnóstico seja positivo, o médico avalia se o medicamento prescrito é o mais eficaz para combater aquele tipo de bactéria ou se deve ser trocado.

Tenha atenção com infecção recorrente

Estima-se que entre até 30% das mulheres que apresentam infecção urinária terão episódios recorrentes da doença. Ou seja, duas vezes ou mais em seis meses ou três vezes ou mais durante um ano. “Normalmente, a infecção recorrente não indica que existe outra doença mais grave, mas sim que a paciente simplesmente tem uma maior tendência ao problema”, diz Márcio Averbeck, chefe do departamento de urologia feminina da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Pacientes com cistite recorrente podem receber um tratamento diferente do convencional, como o uso prolongado de antibióticos em doses.

Siga o tratamento corretamente

Seguir o tratamento indicado pelo médico é importante para combater completamente a infecção urinária, eliminando a possibilidade de a bactéria proliferar-se novamente na bexiga. A infecção urinária é tratada com antibiótico, que pode ser em administrado em dose única ou por até três dias. Em caso de cistite recorrente, o médico pode indicar o uso prolongado, por no mínimo seis meses, de antibiótico em doses profiláticas. Caso o problema persista, indica-se um tratamento de nove meses com uma vacina via oral que fortalece o sistema imunológico para combater futuros episódios de cistite.

Previna novas infecções

Além de concluir o tratamento indicado pelo médico, existem medidas que são capazes de diminuir o risco de infecção urinária. Entre elas, urinar sempre que sentir necessidade e esvaziar completamente a bexiga a cada micção. O ideal é que a mulher urine, sempre que possível, sentada no vaso e relaxe toda a musculatura. Além disso, é preciso buscar formas de manter a flora intestinal saudável, já que a constipação favorece a migração de bactérias intestinais ao canal urinário. Alguns médicos também recomendam que a mulher urine depois de toda relação sexual para expelir bactérias que possam ter passado da parede vaginal para o trato urinário. Hábitos adequados de higiene e hidratação (ingerir pelo menos 1,5 litro de líquido ao dia) também são essenciais para diminuir essas chances. Embora o suco de cranberry seja associado à prevenção do problema, as evidências cientificas que comprovem esse efeito ainda são fracas.
Fontes:Veja,  Flávio Trigo, coordenador do Centro de Tratamento de Incontinência Urinária do Hospital Sírio-Libanês; Luciano Nesrallah, urologista e diretor do Instituto da Próstata e Doenças Urinárias do Hospital Alemão Oswaldo Cruz; Márcio Averbeck, chefe do Departamento de Urologia Feminina da Sociedade Brasileira de Urologia
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