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Hospital Maternidade de Campinas precisa garantir estoque para o Banco de Leite

Redação 7 de abril de 2020 6 minutes read
  • Contém Suzano - YouTube

Doações de leite materno começam a ser incentivadas para suprir a necessidade da UTI – Unidade de Terapia Intensiva – Neonatal (recém-nascidos), que normalmente opera em sua capacidade máxima no outono e no inverno. O clima seco desta época contribui para aumentar a frequência dos casos de infecções virais respiratórias, principalmente em bebês, considerando que eles não têm, ainda, as defesas do organismo desenvolvidas. Doadoras não precisam ir ao hospital para a coleta, pois o hospital retira os frascos de leite nas residências.

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O Hospital Maternidade de Campinas já começa a intensificar a campanha de doação de leite materno para garantir o estoque necessário para o atendimento dos 62 leitos de sua UTI – Unidade de Terapia Intensiva – e UCI – Unidade de Cuidados Intermediários – Neonatal (recém-nascidos). Essa sazonalidade, caracterizada pelo clima mais seco e frio do outono e do inverno (de abril a setembro), aumenta a ocorrência de patologias respiratórias, principalmente nos bebês, pois ainda não desenvolveram as defesas do organismo para combatê-las.

O Banco de Leite Humano do Hospital Maternidade de Campinas registra hoje em estoque 183 litros de leite materno, enquanto o ideal é chegar aos 200 litros mensais, em média, para suprir os bebês internados na UTI e na UCI. Cada litro de leite materno doado pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia. “É importante estarmos preparados para esse crescimento da demanda na UTI e na UCI, como ocorre todos os anos. Antecipando a campanha, corremos menores riscos e garantimos a alimentação dos nossos bebês”, explica o Dr. Carlos Ferraz, presidente do Hospital.

As doadoras só precisam ir ao hospital uma única vez para realizar o exame de sangue para a verificação de sorologias de Sífilis, Hepatites B e C, doença de Chagas, HTLV (Vírus Linfotrópico da Célula Humana) e HIV (Aids). A coleta é feita nas residências, uma vez por semana. São atendidas também doadoras que moram em municípios vizinhos. No entanto, como o Banco de Leite utiliza o único veículo disponível para todos os demais setores e serviços do hospital, é priorizada a coleta em municípios onde haja mais de uma doadora.

Para doar

Para ser doadora é necessário que a mulher seja saudável, que esteja amamentando o próprio filho e que tenha uma produção excedente de leite após a mamada. O primeiro passo é fazer o agendamento prévio para o cadastramento e realização do exame pelo telefone (19) 3306-6039. Tudo é gratuito.

A realização do exame é rápida, pois se trata apenas de uma coleta de sangue. O atendimento é feito apenas às segundas-feiras, das 13h às 15h, no ambulatório da Rua José Paulino, n° 1774, na lateral do acesso principal da Maternidade (entrada pelo estacionamento em frente à Igreja do Nazareno). Esse ambulatório está sendo utilizado exclusivamente para o atendimento às lactantes, a fim de que elas não tenham qualquer contato ou acesso ao hospital. Os agendamentos respeitam períodos de meia hora para, inclusive, não haver mais do que uma ou, no máximo, duas mães no local no mesmo momento.

Cuidados redobrados

Sempre houve cuidado extremo na coleta do leite materno. Agora, no entanto, os cuidados estão redobrados diante da pandemia da Covid-19. As doadoras estão sendo orientadas a reforçarem os cuidados com a higiene das mãos e dos frascos, a usarem as toucas e máscaras fornecidas semanalmente pelo próprio hospital e a não coletarem o leite caso tenham qualquer sintoma de gripe, resfriado ou mesmo tosse, assim como ninguém da residência pode apresentar esses sintomas. “A doadora tem que ser e estar saudável para a realização da coleta”, informa a coordenadora do Banco de Leite Humano do Hospital Maternidade de Campinas, Olívia Favaro.

“As doadoras são orientadas a nos comunicar imediatamente caso apresentem algum sintoma respiratório, tosse, resfriado ou gripe para a interrupção imediata da coleta. Todas as semanas, antes de coletarmos os frascos nas residências, telefonamos para a doadora para saber se ela, o bebê e todos na residência estão saudáveis. Somente então a coleta é efetivada e entregue o novo kit com o frasco de armazenamento, touca e máscara, para a maior segurança de todos. Todo o leite coletado passa pelos mais rigorosos processos de pasteurização e análise da qualidade antes de servir como alimento para os bebês internados”, esclarece Olivia.

A coleta na residência é feita de segunda a sexta-feira pelo motorista da Maternidade, acompanhado por uma técnica de enfermagem exclusiva do Banco de Leite (que não atua em qualquer outro setor do hospital). O leite doado é transportado em caixas isotérmicas com gelo (geloc) e com controle de temperatura feito por termômetro digital. A visita às residências é feita com todos os equipamentos de segurança recomendados.

O aleitamento materno é a forma mais natural e segura de alimentar a criança no início da vida. No leite materno são encontrados diversos componentes imunológicos, tornando esta prática essencial para alcançar o crescimento e o desenvolvimento infantil adequados, além de promover benefícios para a saúde física e psíquica da mãe e do bebê. A criança amamentada pela mãe apresenta menor incidência de infecções, menor tempo de hospitalização e menor incidência de reinternações.

Coronavírus

Até o momento da publicação da Nota Técnica Nº 5/2020 pela Secretaria de Atenção Primária à Saúde, do Ministério da Saúde, não havia evidências sobre a transmissão do coronavírus através da amamentação, e considera-se prudente manter as doações. E, por segurança, o Ministério da Saúde determina ser “contraindicada a doação de leite humano por mulheres com sintomas compatíveis com síndrome gripal, infecção respiratória ou confirmação de caso de SARS-Cov-2 e também as que tenham contatos domiciliares de casos com síndrome gripal ou caso confirmado de SARS-Cov-2”.

 

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