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#HanseníaseTemCura | Manchas na pele com alteração na sensibilidade? Fique atendo, pode ser hanseníase

O último domingo do mês de janeiro é o Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase. E entre as ações para marcar a data, o Ministério da Saúde lançou uma campanha educativa dirigida à população e aos profissionais de saúde. Você também pode ajudar a campanha e compartilhar as peças da campanha nas redes sociais. Com o slogan “Hanseníase tem Cura”, o Ministério busca ampliar os diagnósticos da doença. Por isso, caso apareçam manchas na pele com alterações na sensibilidade do local, fique atento, pois pode ser hanseníase.

Foi o que aconteceu com Georgina Rocha. Quando ela ainda tinha 12 anos, começaram a aparecer manchas na pele. Hoje, com 74 anos, a aposentada demorou 14 anos para ter o diagnóstico. “Essa doença tem uns sintomas que nunca vi. Uns médicos diziam que eram por causa do fígado, outros diziam que era o sol. Foram enrolando, enrolando até que consegui descobri”, conta Georgina. O diagnóstico tardio deixou uma sequela no pé. Apesar de considerar uma sequela pequena, ela tem de cuidar até hoje do pé, que caleja e cria rachaduras.

“Muita gente acha que a hanseníase não existe mais. Os profissionais de saúde têm dificuldade porque quase não veem casos na sua formação”, explica Jarbas Barbosa, secretario de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde. Ele reforça que a doença ainda é um problema importante de saúde, principalmente na periferia pobre das grandes cidades e nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Dermatologista do Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal, o médico Alexandre Ricciardi participou – há três anos – de um projeto para sensibilizar profissionais de saúde quanto à hanseníase. “Havia pouco conhecimento sobre o tema, não sabiam da magnitude do problema”, explica. “Existe uma dificuldade em valorizar as doenças infecto contagiosas. Não se dá muita ênfase”, comenta o Dr. Ricciardi.

“A hanseníase ainda é um problema com um grande potencial, pois pode causar sequelas que vão ficar para o resto da vida”, afirma o especialista. “Como não dói e não coça, a pessoa não dá muita importância. Ter uma campanha que divulgue os sintomas iniciais é bastante interessante. Toda vez que têm as campanhas do Ministério nós aumentamos o diagnóstico”, completa o dermatologista.

“A doença não tem vacina, o ponto chave é descobrir o caso, tratar, examinar a família e quebrar a cadeia de transmissão”, resume Rosa Castália, coordenadora-geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação (CGHDE) do Ministério. “Por isso, a nossa preocupação agora vai ser constante tanto com a população quanto com o profissional de saúde, que precisa se sentir apto a diagnosticar e tratar a doença”, explica Rosa.

Além da própria doença, quem contraí a hanseníase também lida com o problema do estigma e da discriminação. Georgina Rocha nunca contou para ninguém sobre a doença. “O problema era meu, não tinha que divulgar, principalmente por causa da discriminação. O importante era me tratar e me cuidar”, relata Georgina.


Lucas Pordeus Leon / Blog da Saúde

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