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Governo já tomou decisão de elevar preço da gasolina

Contudo, porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann, negou que Dilma tenha discutido reajuste dos preços da gasolina e do óleo diesel

Logo da PetrobrásPetrobras já pediu formalmente reajuste de combustíveis ao governo (Ricardo Moraes/Reuters)

A forte pressão que a escalada do dólar colocou sobre a Petrobras forçou uma mudança de planos do governo federal, que deve conceder um reajuste nos preços da gasolina e do óleo diesel ainda neste ano. Segundo matéria publicada nesta quinta-feira pelo jornal O Estado de S.Paulou, o reajuste deve ficar na casa de um dígito para os dois produtos, mas o martelo ainda não está batido quanto ao momento ideal para a alta nos preços.

Depois de os jornais terem divulgado reajuste como certo, o porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann, negou nesta quinta-feira que a presidente Dilma Rousseff tenha discutido reajuste dos preços da gasolina e do óleo diesel. A informação foi divulgada pela conta do Blog do Planalto, via Twitter.

Economistas ouvidos pelo jornal projetam que o reajuste da gasolina na refinaria, diante da atual cotação do dólar, deveria ficar entre 24% e 30%. Tal aumento, contudo, provocaria uma alta de dois dígitos no preço do combustível nas bombas – o que provocaria o estouro do teto da meta de inflação. A ideia, portanto, está praticamente descartada.

Este foi o principal assunto tratado na quarta-feira pela presidente da estatal, Maria das Graças Foster, e a presidente Dilma Rousseff, em encontro fechado no Palácio da Alvorada, do qual participaram também os ministros da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. A avaliação consensual é de que o preço do barril de petróleo, definido pelo mercado internacional, não deve ceder no curto prazo, o que suavizaria o custo com as importações.

O reajuste nos preços foi solicitado formalmente pela Petrobras ao governo, e serviria para reduzir a diferença entre o custo do combustível comprado pela estatal no exterior e aquele vendido nos postos de gasolina no Brasil. A explosão do dólar nos últimos dias aumentou o chamado diferencial – a Petrobras precisa gastar mais reais para adquirir a mesma quantidade de combustível, cotado em dólar. Na quarta-feira, a moeda americana fechou o dia cotada a2,45 reais.

Inflação — A equipe econômica reconhece hoje que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, indicador oficial da inflação) dificilmente terminará o ano abaixo do patamar de 5,84%, o que configuraria um nível inferior ao registrado no ano passado – essa era a meta perseguida e assumida publicamente pelo governo até poucas semanas atrás. Com isso em mente, um reajuste na gasolina e no diesel ganhou força, uma vez que essa alta dos combustíveis não deve levar o IPCA a estourar essa “meta informal”, e, ao mesmo tempo, também não deve implicar um salto além do teto da meta oficial perseguida pelo Banco Central (BC), de 6,5%.

Ao conceder o reajuste ainda neste ano, além de permitir à Petrobras uma folga de caixa importante para sustentar seu grande programa de investimentos, o governo deixaria a presidente Dilma Rousseff “livre” de uma alta impopular de preços no ano eleitoral de 2014.

No ano passado, a presidente da Petrobras indicara que a estatal contava com um reajuste de 15% no preço da gasolina em 2013, de forma a viabilizar suas obrigações financeiras para este ano. Em janeiro, o governo concedeu uma alta de 6,6% na gasolina, e de 5,4% no óleo diesel. O quadro econômico ficou ainda mais complicado nos últimos meses, diante da alta do dólar, reconhece o governo, mas um reajuste de dois dígitos para compensar as perdas está praticamente descartado.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Dennis Moraes