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Fundação Romi lança concurso cultural e artístico para celebrar os 65 anos do Romi-Isetta

Romi-Isetta / Arquivo Fundação Romi

O ano da 2021 marca a celebração dos 65 anos do primeiro carro de passageiro fabricado em série no Brasil, e a Fundação Romi convida a todos, que tem habilidades e gostam de desenhar, para participarem do Concurso “Romi-Isetta 65 anos”, que visa a escolha de uma logomarca comemorativa.  O concurso é cultural e artístico, de forma que os participantes terão como protagonista da proposta o Romi-Isetta, um veículo com características únicas e marcantes, lançado pela Indústrias Romi em 5 de setembro de 1956.

 

A proposta é compartilhar a celebração da data não somente com os colecionadores e apaixonados pelo Pequeno Pioneiro, mas com toda comunidade local, regional, estadual, federal, e quem sabe ultrapassar fronteiras. “Estamos abertos para receber logomarcas comemorativas de todas localidades”, explica o superintendente da Fundação Romi Vainer Penatti. “Com a realização deste concurso, queremos celebrar 65 anos do primeiro carro de passeio fabricado em série no Brasil com uma logomarca comemorativa e exclusiva, incentivar a criatividade, manter viva a memória e história do Romi-Isetta, além de promover a marca para todas as gerações”, conclui o superintendente.

 

Poderão participar do concurso pessoas de qualquer localidade do Brasil e do mundo. O envio da inscrição, com a logomarca comemorativa, implica na aceitação de todas as diretrizes estabelecidas no regulamento, que pode ser acessado no link https://fundacaoromi.org.br/fundacao/romi-isetta/galeria/publicacoes. A inscrição será feita de forma gratuita e espontânea, via formulário on-line, no link https://fundacaoromi.org.br/fundacao/contato/ , item Romi-Isetta, preenchendo os requisitos do formulário e anexando a imagem/desenho da logomarca comemorativa, de 07 de abril de 2021 até 07 de maio de 2021 às 23h59.

 

Os concorrentes deverão enviar a logomarca comemorativa elaborada em formato jpg, png ou PDF, em qualidade ALTA, com até 5 MB. Caso a Fundação Romi julgue a qualidade da imagem inadequada, poderá requerer que o participante a reenvie em prazo assinalado. No caso de descumprimento das regras, o participante será desclassificado. A logomarca selecionada será publicada em todo material comemorativo dos 65 anos do Romi-Isetta. “A comissão organizadora será responsável pela avaliação das logomarcas recebidas, e a escolha da vencedora”, conta Vainer Penatti. “O ganhador terá sua logomarca aplicada em todo material relacionado aos 65 anos do Romi-Isetta, e receberá dois livros, ‘Romi-Isetta – O Pequeno Pioneiro’ e ‘Oficina dos Sonhos’, que contam a história do automóvel”, finaliza.

 

O Centro de Documentação Histórica – CEDOC da Fundação Romi conta em seu acervo com uma  coleção do Romi-Isetta que é de extrema significação para o resgate e preservação da memória da indústria automobilística brasileira, pois, reflete o contexto social, econômico e político em que foi construído o primeiro carro de passeio fabricado em série no Brasil. No acervo fotográfico, por exemplo, há imagens do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Brasília, além de personalidades como Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Odete Lara, Anselmo Duarte, Eva Wilma, entre outros nomes da história brasileira. É uma ótima fonte para pesquisa e inspiração aos interessados em participar do concurso. “Todos estão convidados a fazerem parte do concurso”, complementa Vainer Penatti.

 

Serviço –  A inscrição para o Concurso “Romi-Isetta 65 anos”  será feita de forma gratuita e espontânea, via formulário on-line, no link https://fundacaoromi.org.br/fundacao/contato/, item Romi-Isetta, preenchendo os requisitos do formulário e anexando a imagem/desenho da logomarca comemorativa, de 07 de abril de 2021 até 07 de maio de 2021 às 23h59. Os concorrentes deverão enviar a logomarca comemorativa elaborada em formato jpg, png ou PDF, em qualidade ALTA, com até 5 MB.

 

 

Romi-Isetta / Arquivo Fundação Romi

 

Breve histórico do pequeno pioneiro

 

O Romi-Isetta, há quase 65 anos, foi o primeiro carro de passeio fabricado em série no Brasil. De características revolucionárias, compacto e super-econômico, tal como os últimos modelos dos dias atuais, o pequeno notável já fazia 25Km com 1 litro de gasolina. Pela primeira vez, via-se circular pelas ruas um carro que não era montado com componentes importados, mas sim, um automóvel realmente fabricado no Brasil.

 

Carlos Chiti, idealizador do projeto Romi-Isetta ao lado de Américo Emílio Romi, conheceu na Itália um carro que chamava a atenção de público e da imprensa mundial, o Iso Isetta, e percebeu que aquele conceito inteligente poderia representar uma revolução no mercado brasileiro de automóveis, pois finalmente inauguraria a era da indústria brasileira de automóveis, com carros genuinamente fabricados no país.

 

Até aquele momento, os automóveis vendidos no Brasil eram importados já prontos ou apenas montados nas operações das multinacionais, num sistema chamado CKD (Complete Knock-Down), ou seja, carros completamente desmontados, cujas peças eram produzidas fora do país e enviadas para serem montadas pelas multinacionais.

 

“Na verdade, nossa intenção era maior, era convencer a Iso a se associar a nós, investir conosco, montar aqui uma empresa capaz de produzir 50 mil carros por ano. Só que a Iso não tinha recursos: no pós-guerra, as companhias italianas estavam mal de caixa e não podiam investir fora do país, preocupadas em colocar ordem na casa, desarranjada com a guerra. Mas acreditávamos no mercado, no potencial, na marca, e em fabricarmos o primeiro carro brasileiro.” – revelou Carlos Chiti, naquela época.

 

No dia 30 de junho de 1956, um ano após a assinatura do contrato de direito de licença e aos royalties com a Iso, Emílio Romi, os filhos Giordano, Alvares, Romeu e, Carlos Chiti, vivenciaram o momento histórico: o primeiro exemplar do Romi-Isetta foi, enfim, exibido ao país através de uma transmissão ao vivo pela TV. As câmeras mostraram o carro número um circulando pelo pavilhão da Indústrias Romi, revelando a realidade que já era a indústria brasileira de automóveis. Entretanto, o lançamento oficial do Romi-Isetta ocorreu em dia 5 de setembro de 1956, com a realização de um marco: uma caravana com os primeiros 16 carros produzidos no Brasil, partiram da Rua Marquês de Itu, 133, no centro de São Paulo e passearam pela cidade.

 

O Romi-Isetta teve uma vida social intensa. Por suas características únicas, despertou o interesse de uma classe particularmente sensível ao novo e à moda: os artistas. O Brasil vivia o apogeu do cinema nacional, a idade de ouro da televisão, e o rádio vivia uma grande fase. Os artistas desses meios detinham grande popularidade, e eram importantes formadores de opinião. E muitos deles se tornaram proprietários de Romi-Isetta.

 

Suas notáveis características de estabilidade e comportamento levaram o Romi-Isetta às competições esportivas. Em 1954, a Iso inscreveu dois exemplares para participar da conhecida e dura prova italiana chamada Mille Miglia, que atravessava as regiões montanhosas da Itália. A notável média alcançada, de 79 km/h – apenas 6 km/h inferior à velocidade máxima do carro – foi mais elevada que a média obtida pelo vencedor da primeira edição da prova.

 

Em 1960 novos produtos na efervescente indústria brasileira traziam concorrência e frescor ao crescente mercado consumidor de automóveis. O país já contava, além da Romi, com modelos fabricados pela Vemag, Volkswagen, Simca, Willys, Toyota e FNM, numa indústria que alcançava crescente volume de produção local. Assim, com as evidentes qualidades do Romi-Isetta, ainda atuais, seu ciclo natural de vida se aproximava do fim. Deste modo, o Romi-Isetta teria sua produção planejada para até o início de 1961, com a formação de estoques suficientes para comercialização do modelo até o fim daquele ano. No dia 13 de abril de 1961, o último Romi-Isetta – um exemplar branco e amarelo-limão – deixou a linha de montagem.

 

Carlos Chiti fez, em 2006, uma panorâmica radiografando a experiência com o Romi-Isetta: “Tínhamos razão quando quisemos entrar na produção de automóveis, pensando num carro de modestas proporções e reduzido consumo de combustível. O que se vê hoje senão carros mais compactos e uma preocupação cada vez maior com a questão da gasolina, do petróleo, da busca de soluções alternativas? Cinquenta anos atrás, estávamos avançando no tempo.” O Romi-Isetta, afinal, entrava para a história brasileira como pioneiro de uma indústria que, em 1961, já havia redesenhado a paisagem brasileira.