(Photo by Joe Portlock/LAT Images)
Campeonato afirma ter alcançado mais de 86 mil pessoas por meio de ações educacionais, sociais e de sustentabilidade; relatório também aponta 680 postos de trabalho ligados à transição energética
A Fórmula E estima ter gerado € 5,6 milhões em valor social nas cidades que receberam etapas do campeonato durante a temporada 2024/25. O dado consta no relatório de sustentabilidade divulgado pela categoria e representa um crescimento de 241% em relação à temporada anterior, segundo os números apresentados pela organização.
Ao longo do período, a Fórmula E afirma ter alcançado 86.007 pessoas, com participação de 960 parceiros comunitários em diferentes ações realizadas nos locais que receberam as corridas.
O levantamento foi elaborado a partir de uma estrutura de avaliação socioeconômica desenvolvida pela Deloitte, que estimou o chamado retorno social sobre o investimento (SROI) em 2,7. A própria Fórmula E, entretanto, informa que é responsável pelo modelo, pelos dados utilizados e pelos resultados produzidos pela metodologia.
Educação concentra maior alcance
Entre as iniciativas contabilizadas está o programa Driving Force, voltado à educação em STEM — sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática — e sustentabilidade.
Segundo o relatório, a iniciativa alcançou 61.678 estudantes durante a temporada. Também foram realizados 15 workshops presenciais em escolas de Jeddah, Miami e Londres, envolvendo 1.288 estudantes.
A Fórmula E afirma ainda que, entre os participantes avaliados, 77% passaram a compreender melhor o impacto positivo da tecnologia no mundo, enquanto dois terços declararam ter se sentido incentivados a buscar carreiras relacionadas a pessoas e ao meio ambiente. Entre os professores entrevistados, 90% consideraram que o programa torna o aprendizado de STEM mais acessível.
Fundo destinou € 250 mil a projetos locais
Outra frente foi o Better Futures Fund, que recebeu € 250 mil durante a temporada 2024/25.
Os recursos foram direcionados a iniciativas locais nas cidades que receberam as etapas, com projetos relacionados a educação, saúde e apoio a comunidades em situação de vulnerabilidade. De acordo com a Fórmula E, 8.847 pessoas foram beneficiadas pelo fundo.
Entre os exemplos citados pela categoria estão iniciativas realizadas em Londres e Berlim, incluindo ações voltadas ao atendimento de comunidades locais e apoio a refugiados.
Transição energética também aparece nos empregos
O relatório também relaciona a realização das provas à geração ou manutenção de postos de trabalho ligados à economia de baixo carbono.
Com base em parâmetros de referência da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Fórmula E estima que suas atividades tenham apoiado 680 postos de trabalho equivalentes em tempo integral (FTE) relacionados à sustentabilidade ao longo da temporada.
A categoria sustenta que a transição para uma economia de baixo carbono depende não apenas do desenvolvimento tecnológico, mas também da formação e utilização de mão de obra especializada.
Mulheres e jovens também estão entre os projetos
O programa FIA Girls on Track, direcionado à participação feminina em STEM e no automobilismo, reuniu 1.272 participantes.
Segundo os dados apresentados no relatório, metade das participantes demonstrou maior interesse em seguir carreira no automobilismo após a experiência, enquanto 38% passaram a demonstrar maior interesse por carreiras relacionadas a STEM.
Outra iniciativa permitiu que moradores das cidades-sede, grupos de jovens e comunidades sub-representadas tivessem acesso aos bastidores das corridas. As chamadas Community Tours reuniram 3.503 participantes durante a temporada.
Metas ambientais
O relatório também apresenta indicadores relacionados à redução de emissões.
A Fórmula E informa ter obtido certificação no BSI Net Zero Pathway, após auditoria independente, seguindo referências como a ISO 14064 e as diretrizes IWA 42.
Entre as metas estabelecidas estão uma redução de 50% nas emissões de Escopos 1 e 2 e de 27,5% nas emissões de Escopo 3 até 2030, além de uma redução total de 90% até, no máximo, 2050.
A categoria também informa que foi apontada pelo Global Sustainability Benchmark in Sport (GSBS) como o esporte mais sustentável pelo quarto ano consecutivo, com pontuação de 85%. O levantamento citado pela Fórmula E avaliou 78 organizações esportivas globais.
Impacto social entra na estratégia da categoria
Para a Fórmula E, os números da temporada 2024/25 representam uma tentativa de mensurar os efeitos das corridas para além do resultado esportivo.
O relatório combina ações de educação, inclusão, desenvolvimento profissional, apoio a comunidades e metas ambientais. Ao todo, a categoria contabilizou 86.007 pessoas impactadas e 960 organizações comunitárias envolvidas, além dos € 5,6 milhões de valor social estimado.
Os dados, contudo, devem ser entendidos dentro da metodologia apresentada pela própria Fórmula E. A estimativa de impacto socioeconômico foi calculada a partir de um modelo desenvolvido pela Deloitte a pedido do campeonato, e a própria organização ressalta que responde pelos dados, parâmetros e resultados utilizados na avaliação.
Com a categoria entrando em uma nova fase, marcada também pela chegada da nova geração de carros GEN4 e por mudanças no calendário e no formato das provas, a sustentabilidade deixa de aparecer apenas como uma questão ambiental e passa a ser apresentada pela Fórmula E como parte de sua estratégia esportiva e de relacionamento com as cidades que recebem o campeonato.







