Foco no resultado ou na maestria? – por Alexandre Anderson Romeiro


Resultados, é o que todo líder quer obter de sua equipe. Uma atitude comum entre líderes é querer ter uma abordagem diretiva e focada em resultados. Porém, estudos no campo da administração mostram que este tipo de atitude não é ideal em muitos contextos, pois afasta a inovação e a capacidade de solucionar problemas de equipes que pretendem ser de alta performance.

 

Janssen e Yperen, em um estudo publicado no Academy of Management em 2004, avaliaram a diferença do estilo de liderança orientado para maestria e o orientado para desempenho. O primeiro significa que o subordinado é encorajado a ser um especialista, mestre no assunto, sem estar pressionado diretamente por objetivos externos. O segundo estudo mostrou que o subordinado deve entregar resultados e é avaliado por isso.

 

O estudo concluiu que a orientação para a maestria conduz à uma relação de alta qualidade com o supervisor, a partir do desenvolvimento de afetos e atitudes positivas, além de intensa troca de conhecimentos. A orientação para o desempenho encontrou baixa relação com a inovação, com a satisfação e com o desempenho no trabalho. Esses achados sugerem que líderes que valorizam a maestria tem melhor desempenho da equipe, porque estabelecem uma relação de alta qualidade com os subordinados.

 

Mais recentemente, em 2013, Lorinkova e colegas publicaram no mesmo periódico científico, uma pesquisa que examina os efeitos da liderança diretiva comparando com os efeitos da liderança delegativa sobre o desempenho ao longo do tempo.

 

A liderança diretiva é aquela em que o líder se comporta visando estruturar ativamente o trabalho dos subordinados, provendo claras direções e expectativas. Já a liderança delegativa envolve compartilhar poder com os subordinados e aumentar o nível de autonomia e responsabilidade deles, por meio do encorajamento da expressão de ideias e opiniões do time, da promoção de decisões feitas de forma colaborativa, e do apoio para a troca de informações.

 

Este estudo concluiu que a liderança delegativa obtém níveis superiores de desempenho no tempo, pelo maior aprendizado do time, coordenação e desenvolvimento dos mapas mentais. Já a liderança diretiva é útil especificamente para contextos que demandam imediata ação como, por exemplo, polícia, pronto socorro, bombeiro, que não podem suportar atrasos ou erros do processo de aprendizagem.

 

Assim, a cultura frenética da urgência e da atividade por resultados é mais prejudicial do que de fato favorável ao desempenho, a não ser para contextos que demandam imediata ação. Desenvolver pessoas, via relacionamentos de alta qualidade, troca de conhecimentos e encorajamento para assumir responsabilidades e expressar opiniões, se mostra como o caminho para o alto desempenho das equipes.

 

Alexandre Romeiro, é psicólogo, mestre pela FGV-EAESP, professor da IBE-FGV e diretor do

Centro Mindsight. Atua com coaching de executivos e de negócios.

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