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Flores para Finados devem crescer em faturamento, mesmo com redução do volume

Produção do Isidorus Flores, em Holambra
Isidorus Flores

Os produtores ainda vivem dias de incerteza e estão cautelosos, adequando as suas produções às demandas de mercado. Em datas especiais, o otimismo aumenta. Tanto que, embora a maioria tenha reduzido a produção durante a pandemia da Covid-19, alguns se arriscaram e apostaram no Dia de Finados. A Cooperativa Veiling Holambra, a mais completa cooperativa de flores e plantas do Brasil, avalia que alguns produtos, mais específicos para a data, podem não atender toda a demanda. O Ibraflor pede ajuda à Frente Nacional de Prefeitos para que solicite às Prefeituras a permissão da abertura dos cemitérios e da venda de flores no fim de semana e no feriado para auxiliar o setor.

Mesmo diante das dificuldades de realizar previsões neste “novo normal”, a expectativa da Cooperativa Veiling Holambra, que reúne cerca de 400 produtores de flores, é de ter, em Finados, um bom resultado. Alguns poucos produtores decidiram arriscar e aumentar a produção para recuperar as perdas do início da pandemia, mas, a maioria, ainda receosa pelos prejuízos, optou por reduzir a produção ajustando-a ao mercado. “Com a previsão de quantidades menores, as perspectivas são de que os preços possam ser melhores. Por isso, de modo geral, esperamos crescer neste período ao menos 10% no faturamento de produtos específicos para a data, em relação ao ano anterior, mesmo com uma regressão entre 15% e 20% quanto ao volume”, avalia Jorge Possato Teixeira, CEO da Cooperativa Veiling Holambra.

 

Os produtos mais comercializados nesta época pela Veiling são os Crisântemos em geral (Bola Belga, potes 13 e 15 e em vasos de barro), Antúrios, Kalanchoes e Kalanchoes dobrados (Calandivas) e os produtos da linha de Suculentas em geral. Essas flores e plantas destacam-se pela delicadeza e colorido e pela facilidade de cuidados e de manutenção. Na previsão da Cooperativa, não devem faltar flores para os consumidores nesta data. No entanto, considerando a regressão nos volumes dos produtos típicos para Finados, e havendo um aquecimento nas vendas de última hora, certamente a oferta de algumas variedades poderá ser menor e não atender toda a demanda.

Ibraflor

O Ibraflor – Instituo Brasileiro de Floricultura -, consultou os administradores de alguns dos maiores cemitérios do país, além da ACEMBRA – Associação dos Cemitérios e Crematórios do Brasil –, para melhor preparar todos os envolvidos na cadeia da floricultura nacional, que inclui produtores, atacadistas e floristas, principalmente, para esta data. “Essa informação é para que lojistas e atacadistas se sintam mais seguros no momento de realizar suas compras, pois ainda não há uniformidade no mercado nacional, considerando os índices de contágios da Covid-19”, explica Kees Schoenmaker, presidente da instituição.

O Instituto encaminhou, ainda, carta ao presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Jonas Donizette, pedindo para que sejam solicitadas às prefeituras de todo o Brasil permissão para a abertura dos cemitérios e para a venda de flores no fim de semana e no feriado com o objetivo de auxiliar o setor da floricultura em todo o país. Para as novas gerações, que ao longo dos últimos anos não vêm mantendo a tradição de visitar os cemitérios nesta data, Kees Schoenmaker, sugere que as homenagens continuem sendo feitas com flores, que em podem ser colocadas nos jardins das próprias residências ou junto à foto da pessoa querida, que já se foi, em um móvel, dentro de casa. “ A data é importante para que não nos esqueçamos das pessoas que fizeram parte e foram importantes em nossas vidas”, diz Kees.

Produtores otimistas

 

De maneira geral os produtores de Holambra estão otimistas com a data, mesmo os mais cautelosos, que ainda mantêm a produção retraída. O produtor de crisântemos, Pedro Pennings, da Maggy Flores e Plantas, diminuiu a produção regular semanal em 20%, devido a pandemia. Para o pico de Finados, não houve aumento da produção em relação ao ano passado, pois como o ciclo dos crisântemos é de cerca de 12 semanas (três meses), os lotes foram plantados entre 28 de julho a 05 de agosto, no auge da pandemia na região de Campinas, onde está localizada Holambra. Mas o produtor informa que está normalizando a produção gradativamente, que estará estabilizada até o final do ano.  Ele investiu nos crisântemos polares brancos e amarelos, principais demandas do mercado para esta época, e nas margaridas de cores variadas e vibrantes, oferecendo grande variedade de cores e formatos para os clientes, que compram grandes quantidades para o feriado. As flores são plantadas em vasos de barro, os mais tradicionais para cemitérios, e, em menor quantidade, no vaso de plástico (pote 13).

 

Os produtores Johnny e Bete Kortstee, da Isidorus Flores, que cultivam roseiras em vaso (vários tamanhos) e Bola Belga, embora tenham expectativa positiva para as vendas para Finados, ficaram com “um pé atrás” ao perceber, ainda em agosto, um certo receio de vários clientes com relação a possibilidade de não abertura dos cemitérios ou a alguma nova informação sobre o aumento dos casos de Covid-19. “Por isso, nós diminuímos a produção de Bola Belga pote 20 pela metade em relação ao ano passado, mas aumentamos em 4% a produção de roseiras nos potes 8, 11 e 15 na cuia 21”, informa Bete Kortstee.

O cuidado foi para evitar novos prejuízos. “Nós não vendemos toda a produção plantada, ainda. Nos anos anteriores já tínhamos quase tudo vendido nesta mesma época”, diz. Já a equipe do Rancho Raízes aumentou a produção de Crisântemos em 18% a partir de agosto, em relação a 2019. Otimista com a data, ela está disponibilizando 54 variedades em diferentes formas, tamanhos e cores (amarelo, creme, verde, branco, vermelho, laranja, roxo e rosa, entre outros). Ela também aposta no pote 13 e nos vasos de barro para a data.

 

O Grupo Swart, produtor de Kalanchoes, também está entre os que decidiram aumentar a produção para Finados. Ele plantou 150 mil vasos extras (pote 11 e 15) para atender a demanda de Finados. Com ciclos de 15 semanas a 18 semanas, dependendo do tamanho, o plantio desta colheita foi em julho, diante de muitas incertezas no mercado. A aposta foi positiva. “Registramos um aumento de produção em torno de 10% a mais em relação ao ano passado. Nós acreditamos que o pior da pandemia já teria passado antes desta data e que o consumo aumentaria. Acertamos, pois já temos em torno de 70% da produção comercializada antecipadamente e a nossa expectativa é a de que o resultado seja melhor do que o do ano passado”, diz Victor Villa Nova. O Kalanchoe tem um posicionamento muito bom para a data de finados, pois é uma flor de baixo custo, grande durabilidade e é encontrada com facilidade. Para a data, segundo Victor, o Grupo Swart trabalhará os Kalanchoes bicolores, variedade trazida da Dinamarca e lançada esse ano no Brasil.

    

Do Ateliê da Notícia

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