Jarbas Martins
Por Jarbas Martins, especialista em gestão de negócios e fundador da JM Consultoria
Reorganização de processos, análise de produtividade e planejamento financeiro podem ajudar empresários a se adaptar ao novo cenário.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, acende um alerta para os empresários. Dependendo da atividade, manter a operação funcionando com menos horas disponíveis pode exigir novas contratações e elevar custos.
Mas isso não significa que o aumento de despesas seja inevitável em todos os casos, nem que a rentabilidade esteja necessariamente ameaçada.
Diante desse cenário, o desafio dos empresários é transformar a adaptação em um processo planejado, com diagnóstico, simulações financeiras e revisão das operações.
O primeiro passo é conhecer os próprios números
Antes de contratar mais pessoas ou alterar escalas, o empresário precisa entender onde estão os custos e como o trabalho é realizado.
Quais atividades exigem cobertura contínua? Existem horários com baixa demanda? Há tarefas que poderiam ser simplificadas, processos redundantes ou tempo perdido entre etapas? Quais áreas dependem efetivamente de mais profissionais?
Mapear essas questões ajuda a identificar oportunidades de reorganização e a simular os impactos de diferentes modelos de jornada. Indicadores como produtividade por hora, vendas por funcionário, horas extras e custos por turno são importantes para orientar decisões.
Trabalhar melhor pode fazer diferença
A redução da jornada não precisa ser acompanhada, na mesma proporção, por uma queda na produtividade. Em determinadas operações, a revisão de processos, a automação de tarefas repetitivas, a digitalização e uma distribuição mais eficiente das equipes podem compensar parte das horas disponíveis.
Isso não significa exigir que as pessoas trabalhem mais intensamente para cumprir as mesmas tarefas em menos tempo. O caminho é eliminar desperdícios, melhorar fluxos e direcionar recursos para atividades que realmente geram valor.
Em alguns negócios, esse movimento pode trazer ganhos de eficiência e até melhorar a rentabilidade. Em outros, especialmente aqueles que exigem atendimento presencial contínuo, as possibilidades podem ser mais limitadas. Cada operação precisa ser avaliada individualmente.
Escalas e planejamento financeiro
Alternativas de organização do trabalho, como a escala 5×2 e outros modelos permitidos pela legislação, podem entrar na análise, conforme as características da atividade e as regras aplicáveis.
Também é necessário avaliar custos de contratação, cobertura de turnos, horas extras e impactos sobre o atendimento. A revisão deve envolver profissionais de gestão, contabilidade e área trabalhista, considerando a legislação vigente e os acordos coletivos.
O objetivo é evitar decisões precipitadas e identificar a combinação mais adequada entre continuidade operacional, custos e produtividade.
Mudanças também podem abrir oportunidades
A reorganização da jornada pode levar empresas a rever horários de funcionamento, distribuição de equipes e estratégias comerciais. Conforme o setor, essas mudanças podem revelar oportunidades para concentrar recursos nos períodos de maior demanda, melhorar o atendimento e reduzir ociosidade.
Não há garantia de que a adaptação resulte em lucro maior. Mas conhecer os números e testar alternativas antes de implementá-las permite decisões mais seguras.
Preparação é uma decisão de gestão
O debate sobre a escala 6×1 não precisa ser encarado apenas pelo ângulo do custo. Para os empresários, este é o momento de diagnosticar a operação, identificar ineficiências e avaliar caminhos possíveis.
A mudança trará desafios diferentes para cada setor. Empresas que se anteciparem terão melhores condições de negociar, planejar investimentos e reorganizar suas equipes.
Mais do que reagir a uma nova regra, o desafio será encontrar formas sustentáveis de trabalhar, preservar a competitividade e manter a rentabilidade, respeitando a legislação e as necessidades dos profissionais.
Nem tudo está perdido. Mas a adaptação começa antes de a mudança chegar. Pense nisso.
Sobre o autor
Jarbas Martins é diretor da JM Consultoria, graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Cândido Mendes, mestre em Engenharia de Produção pela Unimep e pós-graduado em Engenharia de Produção pela Unicamp e em Engenharia da Qualidade pelo Unisal. Possui MBA em Marketing pela ESPM e formação em coaching profissional pela Academia Brasileira de Coaching. Também atuou como professor e coordenador de cursos de graduação, pós-graduação e MBA no Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal).
Sobre a JM Consultoria
Fundada em 2005 e sediada em Americana (SP), a JM Consultoria é uma empresa de gestão empresarial especializada em planejamento estratégico, implementação e acompanhamento de indicadores de desempenho. Ao longo de mais de duas décadas, já atendeu mais de 600 organizações de diferentes setores da economia, como comércio, serviços e indústria. Com o propósito de impulsionar e transformar pessoas e negócios, a consultoria atua em quatro frentes da gestão: comercial, financeiro, processos e pessoas. Saiba mais em: http://www.jmsconsul.com.br/







