FGV divulga terceira queda consecutiva na confiança do consumidor

 

 

Professor da IBE-FGV afirma que principal motivo é a insatisfação com o cenário econômico do país, mas que se tiver algum corajoso, ‘o momento para investir é agora’

 

Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas recuou 2,9% entre fevereiro e março de 2015, ao passar de 85,4 para 82,9 pontos. Com o resultado, o índice atinge o mínimo histórico pelo terceiro mês consecutivo.

 

“O ICC aprofunda a queda, se afastando ainda mais dos níveis mínimos anteriores, registrados durante a crise financeira internacional de 2008-2009. Aos fatores econômicos, como inflação e mercado de trabalho, soma-se a preocupação do consumidor brasileiro com a turbulência do ambiente político e com os riscos de abastecimento de água e energia”, afirma Aloisio Campelo superintendente para ciclos econômicos da FGV/IBRE.

 

Para o professor de Economia da IBE-FGV e diretor do Economies Consultoria Empresarial, Múcio Zacharias, o problema não é de hoje. “Os últimos quatro anos foi de muito sofrimento para quem produz e emprega. Os resultados dos setores de indústria, comércio e serviços ficaram muito abaixo do esperado e consequentemente a economia começou a estagnar”, afirma.

 

Zacharias explica que até o próprio financiador da produção, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), tem sinalizado às empresas que não há recurso disponível para a demanda.

 

“E quem investiu prevendo em algum retorno, já sabe que somente virá a longo prazo. Agora, a confiança foi contaminada com a desconfiança e ninguém mais acredita no mercado. Portanto, se tiver algum corajoso, o momento para investir é agora. Quem o fizer, ficará à frente quando a economia for retomada”, analisa o professor.

 

Queda

 

A queda do ICC foi motivada principalmente pela piora da situação atual. Entre fevereiro e março, o Índice de Situação Atual (ISA) caiu 5,6%, de 82,3 para 77,7 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) recuou 1,4%, ao passar de 87,0 para 85,8 pontos. Os dois índices encontram-se nos níveis mínimos históricos. Considerando-se comparações com séries padronizadas, as expectativas estão em pior estado que as percepções sobre a situação atual: o IE está 3,4 desvios padrão abaixo da média histórica e o ISA, 2,9 desvios abaixo da média.

A maior pressão negativa para a queda do ISA veio do indicador que mede o grau de satisfação com a situação econômica atual, que registra o menor patamar da série histórica pelo terceiro mês consecutivo. A proporção de consumidores afirmando que a situação da economia está boa caiu de 5,8%, em fevereiro, para 4,5% do total em março, enquanto a parcela dos que a consideram ruim aumentou de 71,6% para 77,6% no mesmo período.

 

Em relação ao futuro próximo, as expectativas também não são favoráveis. O indicador que mede o otimismo em relação à evolução da situação financeira da família nos seis meses seguintes apresentou recuo de 2,8%, para 114,1 pontos. A proporção de consumidores prevendo melhora da situação financeira caiu de 27,9% em fevereiro para 27,0% do total em março, enquanto o percentual dos que projetam piora aumentou de 10,5% para 12,9%.

 

A edição de março de 2015 coletou informações de 2.191 domicílios entre os dias 02 e 21 de março.

 

 

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