
Tivoli Shopping recebe mostra que resgata a trajetória e a história da produção do carro que marcou o início da indústria automobilística brasileira
A história do primeiro carro produzido no Brasil poderá ser conhecida de perto na exposição “Romi-Isetta 70 anos”, que será inaugurada no dia 14 de agosto, no Tivoli Shopping, em Santa Bárbara d’Oeste (SP). A mostra marca o início das comemorações pelos 70 anos do lançamento da Romi-Isetta e reúne documentos de época, desenhos técnicos, fotos históricas e um exemplar do veículo fabricado em 1958.
Com entrada gratuita, a exposição resgata a história e apresenta ao público documentos e imagens que ajudam a compreender os desafios e o pioneirismo envolvidos na criação do primeiro carro produzido no país.
A exposição ficará disponível na Entrada A do Tivoli Shopping, a partir de 14 de agosto, com período de visitação até dia 30.
A produção do primeiro carro nacional foi iniciativa da Romi, fabricante de tornos e implementos agrícolas de Santa Bárbara d’Oeste (SP), fundada em 1930.
No início de 1955, Américo Emílio Romi e seu enteado, Carlos Chiti, se interessaram por um revolucionário veículo urbano chamado Iso Isetta, fabricado na Itália. Importaram duas unidades para estudar sua produção local e, depois de testes e avaliações indicarem sua viabilidade, partiram para uma reunião na sede da empresa na Europa.
A ideia era produzir o veículo no Brasil em parceria, mas a Isetta não tinha recursos, dado o cenário da Itália pós-Segunda Guerra Mundial. Destemida, a Romi decidiu bancar a empreitada sozinha, obtendo a licença de fabricação e pagando 3% de royalties sobre cada unidade vendida.
A Romi, com muita determinação, conseguiu contratar diversos fornecedores nacionais, sendo o principal deles a paulistana Tecnogeral, que produzia as partes metálicas do carro como o chassi e a carroceria. Com isso, já em junho de 1956, a primeira unidade da Romi-Isetta deixava a linha de montagem de Santa Barbará d’Oeste, em um novo galpão erguido na Romi especialmente para esse fim. O lançamento oficial, porém, ainda esperaria mais três meses, para composição de estoque e constituição da rede de vendas e assistência técnica.
Antecipando tendências em várias frentes
A Romi-Isetta foi a precursora da mobilidade sustentável. Trata-se de um carro urbano, compacto, econômico – tanto no preço quanto no consumo –, prático, ágil, fácil de dirigir e estacionar e de manutenção simples.
O projeto herdou várias soluções técnicas da avançada indústria aeronáutica, origem de seu projetista, Ermenegildo Pretti. Alguns exemplos são a carroceria aerodinâmica, em forma de gota d’água, a porta única frontal (como dos aviões cargueiros), que facilitava o acesso ao interior do modelo ao mesmo tempo em que fortalecia a estrutura do veículo, a grande área envidraçada, como nos caças a jato, e o amplo uso de materiais mais leves e modernos, como o alumínio.
Por suas características únicas, a Romi-Isetta causou uma onda de paixão instantânea nos brasileiros. Além de aclamado pela imprensa e pelo setor industrial, a classe artística também abraçou o carrinho.
Vários atores e atrizes muito famosos na época tiveram um Romi-Isetta ou participaram diretamente de suas atividades de divulgação, como Eva Wilma e John Herbert, o que contribuiu fortemente para a popularidade e carisma do modelo.
Avanços técnicos e o fim da produção
A primeira Romi-Isetta usava motor Iso dois tempos de 236 cm3 e 9,5 hp, com bloco e cabeçote em alumínio em posição central. A velocidade máxima era de 85 km/h e, graças ao seu baixo peso, de apenas 350 quilos, o consumo chegava a impressionantes 25 km/l.
Depois de algumas evoluções estéticas até 1958, em 1959 veio a maior mudança: foi lançada a Romi-Isetta 300 de Luxe, com motor BMW quatro tempos de 298 cm3 e 13 hp, que aumentou o desempenho sem sacrificar o consumo. Essa versão também recebeu diversas melhorias técnicas e estéticas, tanto no interior quanto no exterior.
Em 1961 a Romi-Isetta já havia cumprido, com amplo sucesso, seu papel de indutora da industrialização automobilística nacional, que então caminhava a passos largos graças à política desenvolvimentista adotada pelo governo JK.
Em 13 de abril daquele ano o último Romi-Isetta, nas cores branco e amarelo-limão, deixou a linha de montagem para entrar definitivamente na história – que agora poderá ser revivida de perto, exatos 70 anos depois de seu lançamento, no Encontro Nacional de Romi-Isettas em Santa Barbará d’Oeste.
Exposição Romi-Isetta 70 anos
Local: Tivoli Shopping
Realização: Fundação Romi
Patrocínio: Azimut e Romi S.A.
Apoio: Tivoli Shopping, Balmax Gestão de Serviços e Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste, por meio da Secretaria de Segurança, Trânsito e Defesa Civil
Mídias parceiras: TV TodoDia, Grupo O Liberal, FM Gold 94.7 e Brasil FM
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AGOSTO, 2026






