Foto: IA (Dennis Moraes)
Por Dennis Moraes
A recente exoneração de Adriano Panin e de outros comissionados da Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste gerou, como já era esperado, uma enxurrada de interpretações apressadas. A principal delas: a de que estaria em curso um racha político dentro do grupo que sustenta a atual administração do prefeito Rafael Piovezan.
Mas será mesmo?
Na política barbarense — e isso não é de hoje — nem tudo que parece ruptura é, de fato, rompimento. Muitas vezes, o que se apresenta como crise é apenas reorganização. E, neste caso específico, há elementos suficientes para uma leitura mais estratégica do que emocional.
Os nomes exonerados têm algo em comum: histórico de proximidade com o ex-prefeito Denis Eduardo Andia, hoje secretário de Mobilidade Urbana no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pré-candidato a deputado federal pelo MDB.
Entre os desligados, além de figuras da articulação política, também estão profissionais ligados à comunicação institucional — nomes que, por anos, ocuparam funções estratégicas na relação entre governo e imprensa. Curiosamente, muitos desses mesmos agentes, em determinados momentos, adotaram postura crítica em relação à própria imprensa local, o que agora adiciona uma camada ainda mais complexa ao cenário.
Não se trata de coincidência. Na política, especialmente em cidades como Santa Bárbara d’Oeste, coincidências raramente são apenas coincidências.
A saída desses nomes da estrutura do governo municipal ocorre justamente em um momento em que o tabuleiro eleitoral começa a ser montado para 2026. E é nesse ponto que entra uma interpretação que considero mais coerente com o histórico local: não estamos diante de um racha, mas de uma movimentação calculada.
Adriano Panin, por exemplo, nunca foi um político de vitrine. Sua atuação sempre se deu nos bastidores, na articulação, na engenharia política que o eleitor muitas vezes não vê — mas que define muita coisa. Sua saída da Prefeitura, seguida da possível ida para a Alesp, não indica afastamento. Indica reposicionamento.
E isso vale para outros nomes que também deixaram seus cargos.
A leitura de rompimento perde ainda mais força quando se observa a estrutura atual do governo. Secretarias estratégicas como Cultura, Educação, Segurança, além de áreas como Obras, seguem sob influência de quadros ligados ao grupo político de Denis Eduardo Andia. Ou seja: o chamado “esqueleto” da administração permanece praticamente intacto.
Nos bastidores, também circulam informações sobre possíveis novos movimentos, como uma eventual saída de Cleber Canteiro da pasta de Meio Ambiente — ele também identificado como próximo ao grupo andiista. Em caso de mudança, um dos nomes ventilados seria o de Kadu Garçom, outro personagem com ligação política consolidada.
Além disso, outro nome que surge no radar é o de Laércio Andia, irmão do ex-prefeito, que também aparece como peça potencial dentro desse rearranjo político — seja permanecendo em sua função atual ou em novos projetos futuros.
Tudo isso reforça uma tese: não há desmonte, há reposicionamento.
A narrativa de “racha” pode até ser conveniente — gera manchetes, cria tensão, alimenta o debate. Mas, na prática, o que se desenha é algo mais pragmático: diferentes peças ocupando posições distintas no mesmo jogo, com foco claro no ciclo eleitoral de 2026.
Santa Bárbara d’Oeste já viu esse roteiro antes. Grupos que aparentemente se distanciam publicamente, mas que, na prática, seguem orbitando o mesmo campo político, reorganizando forças e ampliando sua permanência no poder.
Se olharmos em perspectiva, são oito anos de Denis Eduardo Andia, seguidos por oito anos de Rafael Piovezan (considerando a reeleição). E o que já se discute nos bastidores vai além de 2026 — há quem projete 2028 como mais um capítulo dessa continuidade política, seja com o retorno de Andia ou com a indicação de um nome de sua confiança.
Quando se observa esse histórico, a pergunta deixa de ser “há racha?” e passa a ser outra: estamos diante de uma ruptura real ou de mais um movimento estratégico para manutenção de poder?
Se houver rompimento de fato, será uma surpresa. Mas, conhecendo o histórico político da cidade, parece mais provável que estejamos vendo apenas mais uma cortina de fumaça — enquanto, nos bastidores, o jogo segue sendo jogado com o mesmo objetivo de sempre.
A eleição de 2026 já começou. E, em Santa Bárbara d’Oeste, como de costume, ela começa muito antes de chegar às urnas.
Dennis Moraes é Comendador outorgado pela Câmara Brasileira de Cultura, Jornalista, Feirante e CEO do Grupo Dennis Moraes de Comunicação. Acesse: dennismoraes.com.br








