Espaço Paiol Cultural faz estreia

A Paiol – Fradique Coutinho, loja de presentes artesanais brasileiros misto de arte popular com design, lançou em abril, o projeto Espaço Paiol Cultural. Com curadoria do Clube do Mecenas, o lugar chama-se Clubinho Espaço Cultural, fica no segundo andar, é uma sala intimista que abriga nova opção cultural de Pinheiros.

No dia 3 de junho, sábado, acontece à primeira contação de história com oficina para os pequenos, em dois horários às 11h e às 16h, a estreia é com As Serpentes que Roubaram a Noite, e Outras Histórias Indígenas, da Cia Pé do Ouvido. As contadoras são Débora Sperl e Lilia Nemes.

Sinopse:

Há muito tempo, os animais e pessoas estavam quase morrendo de tão cansados, pois a noite havia sido sequestrada pelas serpentes. Um guerreiro Munduruku parte numa perigosa negociação para trazê-la de volta.

Já a oficina:

Os povos indígenas brasileiros são muitos e muitas são suas músicas e brincadeiras. Vão apresentar um pouco desse universo, brincando e cantando juntos.

Os ingressos custa entre R$ 15 e R$ 30. Cliente da loja de brinquedos Trenzinho (vizinha da Paiol Fradique Coutinho), pagam meia-entrada.

 

 

Sobre a Paiol

 

Pelo artesanato e pela cultura popular

 

No dia 5 de novembro de 2016, a Paiol completou 9 anos de uma história recheada de desafios, riscos e, principalmente, relações humanas. A trajetória das lojas de presentes artesanais que virou referência no mercado de arte popular começa em 2001, quando Lucas Lassen, líder da empreitada, começa a expor tapetes na feira do Shopping Frei Caneca. Conheça a história do projeto que resgata e valoriza as raízes do Brasil.

 

Primeiro ato – Tapetes peludos

Estudante de teatro aos 20 e poucos anos, Lucas precisava de grana. E começou a procurar modos de completar a renda. A ex-cunhada, eventualmente, trazia para São Paulo alguns tapetes de Minas Gerais, os “teares manuais”. Juntou-se com o irmão, Felipe, e passaram a vendê-los na feira de artesãos do Shopping Frei Caneca. Lucas era responsável pelas vendas, nos fins de semana. Felipe, pela compra: ia e voltava de Minas Gerais com novos produtos.

 

Deu certo: os “tapetes peludos” viraram febre. Lucas conseguia continuar no curso de teatro e sobreviver sem tanto aperto. “Trabalhava com o que tinha, não com o que sonhava”, lembra. Passaram pela tradicional feira da Praça da República e fizeram parte da primeira geração de expositores do Center 3, shopping na Avenida Paulista.

 

Algum tempo depois, Lucas e Felipe resolveram seguir caminhos diversos. Neste momento, com pouco dinheiro para investir e muita disposição, Lucas abriu um negócio para chamar de seu. Passou a viajar para Minas Gerais para comprar produtos. Ao passar pelas regiões de Tiradentes e Rezende da Costa, famosas pela produção artesanal, percebeu que Minas tinha muito mais do que tapetes.
Numa dessas, a pedido de um cliente, Lucas trouxe para São Paulo as Galinhas d’Angola, típicas de Minas, talhadas em madeira por Dona Janete. Aproveitou e trouxe algumas a mais, para estoque loja. Quando vendeu todas, se animou.

E passou a trazer cada vez mais. E vendia tudo. Hoje, a Galinha D’Angola, estilizada, ilustra o logotipo da Paiol – que foi feito pelo artista plástico pernambucano Fernando Perez.

 

Auge da febre dos tapetes peludos, 2005 foi também ano em que surgiu a oportunidade de abrir um ponto fixo na Rua Pelotas, na Vila Mariana.
Abrir loja, entretanto, pareceu mais difícil do que parecia e quando o novo negócio enfrentava crises e desafios No ano seguinte, Lucas começou o curso de graduação em  “Gestão de Micro, Pequenas e Médias Empresas na FMU”, quando costuma dizer que entendeu as regras do jogo do mundo empresarial e, com isso,  sua empresa começou a se tornar case: tudo que aprendia, colocava em prática, vendo seu negócio também com um olhar externo. Aqui, é importante frisar que, gradualmente, a loja foi adquirindo sua identidade. De um negócio que trabalhava apenas com teares manuais de Minas Gerais, começou a surgir uma loja de artefatos diversos, que traziam consigo histórias de raízes brasileiras.

Paiol: o embrião

Meses depois, ainda em crise, Lucas mudou a loja para a Frei Caneca, cuja locatária, por uma feliz coincidência, conhecia e adorava as peças. “Foi uma santa”. Neste período, o empresário buscou sociedade com alguém para continuar o trabalho sem sucesso e, mesmo assim, foi em frente quando, então, teve a ideia então de sublocar espaços na Frei Caneca para outros vendedores. Assim, associando a mistura trazida por diferentes lojas e à própria diversidade de seu negócio, que trazia até roupas, veio a luz um nome: PAIOL. Um lugar onde se encontra de tudo. No caminho, várias pessoas importantes incorporaram-se ao projeto; gente como Talita, Nena, Rodrigo e Priscila. “Eu posso ser a cabeça do projeto, mas somos o que somos por conta da equipe”.

Um pouco mais estabelecido, Lucas começou a pesquisar sobre o universo que estava inserindo-se cada vez mais e começou a frequentar feiras nacionais e em comunidades. Pela primeira vez, foi na feira artesanal “Mão de Minas” e, no evento, percebeu que o mercado artesanal era muito maior do que imaginava, tendo a Paiol um grande potencial neste universo.

Junto à ideologia, a estética da loja começava a tomar forma também. Logo, Renato Diniz desenhou o logo da “Galinha da Angola Psicodélica”, que hoje simboliza o projeto, e houve também uma reforma do espaço da Frei Caneca, que Lucas considera decisiva para o projeto. Amarelo e vermelho tomaram as paredes da loja, enquanto o chão adquiriu uma textura de cimento queimado Fernando Perez pintou o teto e grafitou a porta e, até hoje, essa é a identidade visual das lojas. “A ideia é que a Paiol seja uma coisa diferente, de outro mundo. Que o cliente tenha uma experiência ao adentrar o espaço – de um universo lúdico, mágico. A aparência contribui, assim a música tocada e os pequenos detalhes. Acho que podemos dizer que [além das peças] a brasilidade está presente na estética da loja.” , explica. “O que é legal da Paiol é que fora muitos riscos assumidos. A identidade dela vem muito disto”.

 

Relações humanas, experiência e próximos passos

Em 2010, Lucas aproximou-se do SEBRAE, quando começou a participar de rodadas de negócios artesanais, indo até estados do Norte e do Nordeste do país. Logo, começou a expandir a diversidade das peças que trazia para São Paulo. Durante o processo, foi-se amadurecendo também a consciência empresarial do projeto. Algo que Lucas se orgulha é que o projeto é democrático, pois beneficia com responsabilidade todas as partes envolvidas na cadeia produtiva: desde o produtor, que vende produtos a um preço justo, até a possibilidade atender a clientes de variados perfis, já que a Paiol possui peças de todos os preços. “São consequências da própria história da Paiol”.

Revendo os passos, Lucas avalia que o mais importante dentro do processo de construção da Paiol é a criação de vínculos reais pelo caminho; é um ramo de mercado que é feito por pessoas. onde as parcerias são vínculos. “Se eles crescerem, eu cresço e vice-versa. Não há relação de trabalho, há relação humana. É uma ‘bobagem’, mas é real e faz toda a diferença. É algo coletivo de fato. Essa forma de relacionamento vibra, vibra nas peças – o cliente sente”. Hoje, ele explica não oferece clientes apenas produtos, mas peças com história e relevância social.

Assim, com uma história recheada de desafios e graças um trabalho de parceria e respeito entre equipe, fornecedores e clientes, a Paiol foi se tornando referência no mercado de arte popular. Após a abertura de uma segunda unidade, na rua Fradique Coutinho (Pinheiros), o projeto começa a ter agora maior posicionamento no mundo virtual como próximo passo.  “Jamais imaginei que a Paiol chegaria onde chegou, me sinto realizado. As coisas foram acontecendo e eu não tive cartilha: trabalho com cultura e a relação com teatro virou outra.” Avalia e pensa que o projeto deve continuar. “Cheguei a um lugar muito sincero e a loja chegou a um lugar que é o dela, 100% artesanal e 100% brasileiro, que deve continuar depois de mim.”

 

Mais informações

Serviço:

Contada da História: as Serpentes que Roubaram a Noite e outras Histórias Indígenas, com a Cia Pé do Ouvido

Duração: 90 minutos

Local: Clubinho Espaço Cultural

Preço: R$ 30 e meia-entrada R$ 15.

Clientes da loja Trenzinho paga meia-entrada

Horários: às 11h e às 16h

Lugares:

Classificação: livre

Endereço: Rua Fradique Coutinho, 172 – 2º andar

Telefone: (11) 3554-3553

e-mail: lojapaiol.sp@gmail.com

Site: https://lojapaiol.wordpress.com/

Instagram: @LOJAPAIOL

Facebook: https://www.facebook.com/lojapaiol

 

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