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Errar é humano

Cássio Faeddo

Por Cássio Faeddo

 

 

Dos ditados populares, talvez o “errar é humano” seja um dos mais conhecidos e também talvez de mais difícil aceitação.

Veja o Rogério Ceni: Em certo momento da carreira passou a ser o cobrador de pênaltis do São Paulo. Mais acertou do que errou. Mas quando errava…

Certa vez teve uma cobrança de pênalti defendida por Cássio, goleiro do Corinthians. Cássio, deve ter uns 2,00 metros de altura, sendo um dos melhores goleiros do país.

No entanto, Ceni, com mais 1.000 jogos na carreira, mais de 100 gols anotados (ele é goleiro!), muitos deles marcados em cobrança de faltas, errou a cobrança aos 45 minutos do segundo tempo. Não importa que defendendo tenha feito um grande jogo.

Pesava, naqueles tempos, contra Rogério a questão da idade.

Simplesmente decidiram que ele deveria pendurar as luvas.

Sim, a aposentadoria.

Não sei se ele queria, mas a maioria já houvera decidido: ele deveria parar!. Torcida, imprensa, psicólogos do esporte, todos tiravam uma casquinha.

O espetacular Dino Zoff, ganhou a Copa de 1982, no gol da Itália, com 42 anos. George Foreman foi campeão de boxe com mais de 40 anos.

Mas via de regra é assim: Já se formou? Quando vai casar? E os filhos? Você é velho para namorar…e por ai vai.
Mas Ceni errou. Anderson Silva, passou de ousado para arrogante. Mereceu perder. Desrespeitou o adversário. Foi vendido. Foi o que falaram.

Coisas do futebol. Coisas do esporte.

Lembro de Daiane dos Santos, e do ginasta Diego Hipólito, com frustradas tentativas de medalhas olímpicas. Para o brasileiro médio, “amarelaram”. Não importa que façam coisas excepcionais, em um esporte extraterrestre que é a ginástica. São indignos. Não importa que a ginasta Daiane tenha inventado um novo movimento no esporte, nem que Diego seja supercampeão mundial. Eles erraram!

De acordo com o melhor projetista de F1, Adrian Newey, profissional que criou os mais fantásticos carros de corrida, jamais saberemos se Senna errou ou se a barra de direção quebrou. Newey disse isso há algum tempo. Ele projetou o carro. Teria o destino errado, ou Senna realmente “saiu de traseira” com a Willians em 1994?

Senna queria ganhar tudo. Até aquela corrida na qual “deixou” o companheiro de equipe Berger ultrapassar, pois Senna já era campeão mundial. Senna era arrogante? Não sei. Sei que ele queria ganhar sempre.

Com a morte e criação do instituto, virou santo.

Nelson Piquet. Ah! Piquet! Esse era arrogante para o brasileiro. Foi tricampeão, mas chamava Mansell de babaca e não cumprimentava a torcida. Piquet foi excepcional, mas faltava-lhe a cordialidade de um Marcos, ex-goleiro do Palmeiras.

A morte de Senna abalou a todos por aqui, assim como abalou milhões de pessoas. Me abalou especialmente, por Senna ser meu herói da juventude. Sempre se safava como se fosse um Ultraman.

Aprendi com a dureza de um soco no estômago. Gente erra. Podemos errar. Ninguém precisa controlar tudo. Controlar o concreto, controlar o abstrato, o que as pessoas sentem ou deixam de sentir. Absurdo! Controlar sentimento!

Creio, de verdade, que deva ser assim. Admitir que podemos errar; que a vida não é um plano lógico de expectativas sobre ele e alcance de metas.

Talvez, Ceni possa ter jogado dois anos ou mais. Jogar feliz. Em qualquer lugar Errando e acertando. Como a vida tem de ser. Admitir que podemos errar é o começo do acerto.

Cassio Faeddo. Advogado. Mestre em Direito. MBA em Relações Internacionais/FGV SP