Empresários de NO contam suas histórias e incentivam jovens ao empreendedorismo

Natural de São Paulo, a jovem Vanessa dos Santos Pereira, de 29 anos, fincou suas raízes no São Jorge, em Nova Odessa (SP), quando bebê. “Tive uma infância moleca, característica da maioria das meninas do bairro”, lembra. Porém, as brincadeiras deram lugar a uma grande dor, acompanhada das primeiras responsabilidades, ainda em sua meninice.

“Aos nove anos, meu pai abandonou minha família, do nada, com três filhos. Minha mãe não trabalhava e eu, como era a mais velha, arrumei um serviço de empregada doméstica, com 14 anos, para poder ajudar em casa”, recorda.

Vanessa ainda entrou para a Guardinha e trabalhou em um escritório, até aceitar uma proposta de emprego que mudaria sua vida. “Um amigo da família viu nossa dificuldade e me convidou para trabalhar em seu salão de beleza, porque acreditava que eu poderia me dar bem com o meu carisma e desenvolver um talento. Entrei como ajudante, aos 18, e fiquei oito anos lá, saí para fazer uma cirurgia bariátrica”, comenta. Renomado cabeleireiro novaodessense, Toninho Pedrosa foi quem construiu o alicerce para a carreira da futura “concorrente”.

Após o tempo afastada, uma amiga esteticista, que trabalhou com ela no salão, convidou-a para abrirem juntas o próprio negócio. “Estava um pouco confusa, não sabia se queria continuar como funcionária ou virar empresária, mas confiei em Deus e recebi o apoio da minha família para inaugurar o Spaço V & M, no início do ano passado”, afirma.

“Agora estou bem, tenho minha clientela formada, atendo cerca de 20 mulheres por semana. Mas foi o destino que me conduziu até aqui, mesmo porque meu sonho de infância era ser policial. Só que, hoje, não me vejo em outra área, posso dizer que me sinto realizada profissionalmente”, revela.

Curiosamente, em meio ao seu sucesso, o pai voltou com outra família para também morar no São Jorge e agora é ela quem o ajuda financeiramente.

“Quero continuar crescendo, fazendo cursos aqui e fora do país, especializando-me para ganhar cada vez mais a confiança das minhas clientes, porque, atualmente, vivo para elas. Hoje, já posso sonhar alto”, ressalta.

Como incentivo, a cabeleireira, que concluiu o Ensino Médio, manda um recado para os jovens de seu bairro: “estudem, trabalhem e sejam honestos. O dinheiro que vem fácil vai fácil. Tudo o que a gente consegue com o nosso suor é mais gostoso”.

‘Da pedra ao ouro’

Com a mesma idade de Vanessa, Vinícius Ferreira Martins não teve uma infância tão sofrida como a dela, mas também soube aproveitar as oportunidades que a vida o ofereceu. “Nasci em Americana e sempre vivi em Nova Odessa. Morei no Santa Luíza até os 14 anos, brincava bastante, jogava bola na rua. Mas o que sempre gostei foi do lado artístico das coisas, até que formei uma banda de rock, na adolescência”, lembra ele.

Contudo, Martins dividiu seu tempo voltado à arte com a Informática, formando-se como técnico na área e, mais tarde, graduando-se em Sistemas de Informação. “Paralelo a isso, mantinha os ensaios da minha banda no meu quarto ou na garagem de casa, até gravar um CD”, diz o guitarrista.

“Em 2003, iniciei um estágio na Prefeitura de Nova Odessa; passei oito anos nesta área, trabalhando em empresas de médio e grande porte da região. Até que um dia decidi largar a carreira de TI [Tecnologia da Informação] para me dedicar somente ao lado artístico. E meu conhecimento estudantil e profissional foi a base para iniciar minha empresa, possibilitando-me explorar outras oportunidades, já que a música e a tecnologia estão muito ligadas, atualmente”, afirma o jovem.

Proprietário da Golden Produções desde janeiro de 2012, o jovem morador do Nossa Senhora de Fátima revela não ter concorrência em sua área, o que não é necessariamente uma vantagem, segundo ele: “com um concorrente, como parâmetro, talvez fosse melhor”. Seus primeiros três meses de trabalho no estúdio, que fica no Centro de Nova Odessa, foram de preparação, até começar a produzir seus primeiros áudios artísticos e comerciais.

“Tive a sorte de abrir a Golden em um ano eleitoral, quando gravei vários jingles para campanhas de candidatos da cidade. Mas, depois desse período, precisei correr atrás dos clientes, foi daí que surgiu a ideia de explorar a parte de vídeo também”, recorda o empresário.

E sua nova cartada deu certo: um videoclipe produzido por sua empresa levou uma garotinha novaodessense ao Programa Raul Gil. A cantora mirim Ana Clara já conta com aproximadamente 1.357.000 visualizações de sua apresentação no YouTube.

“O conselho que dou para qualquer pessoa que pensa em empreender é: se empenhe. Eu não trabalhava no ramo que era feliz, só que dependi dele para fazer meu sonho acontecer. É possível sair do nada e arranjar uma maneira rentável de viver daquilo que você gosta de fazer, basta explorar seus dons e estar sempre ligado às oportunidades. Não é fácil, mas vale a pena lutar”, ressalta Martins.

Queijo é meu sobrenome!

Com um pouco mais de experiência, José Fernandes Ferreira, de 44 anos, também tem uma história de sucesso empresarial em Nova Odessa. Popularmente conhecido como Zezinho do Queijo, hoje ele tem seu próprio comércio e, em breve, pretende levar sua marca aos supermercados do Estado de São Paulo.

Americanense de nascença, mas novaodessense de criação, o comerciante morou no Bela Vista até se casar, e vive na Vila Azenha faz 16 anos. “Minha infância foi muito pobre, éramos em seis irmãos, só meu pai trabalhava e era alcoólatra; sobrevivíamos com um salário mínimo da área têxtil. Com oito anos, comecei a lida na área rural para ajudar em casa, mas sempre tive o sonho de trabalhar por conta”, conta Zezinho.

“Com 12 anos, entregava marmita nas empresas. Aos 14, entrei numa leiteria, para entregar leite nas casas. Dos 16 aos 23, trabalhei em duas empresas têxteis. Depois fui para uma metalúrgica, onde permaneci seis meses, até que decidi trabalhar para mim mesmo, em 1995, buscando queijos e doces em Minas Gerais para vender de porta em porta”, relembra.

Bastou um ano como vendedor nas ruas para ele iniciar outro empreendimento – uma pastelaria, onde trabalhou por mais três anos, à noite. “Quando casei, em 1999, decidi ficar só com os queijos. Foi quando tive a ideia de também produzir e fiz um curso de laticínios em Juiz de Fora (MG), em 2006, ano em que já iniciei a produção”, comenta.

“Foi crescendo a procura, então tive que parar com as vendas na rua em 2008, e me dedicar somente ao atacado. Em 2013, tive a ideia de entrar pro varejo e, em outubro do ano passado, realizei o sonho de abrir a Venda do Zezinho, com mais doces, vinhos, salames, além dos queijos. Graças a Deus, ela está indo bem”, comemora.

Hoje, o comerciante faz o atacado e o varejo, com a ajuda de três funcionários. Porém, recentemente perdeu um colaborador importante – o sobrinho, também morador do bairro, que, envolvido com o mundo das drogas, abandou o emprego na Venda, aos 18 anos.

“Com dedicação aos estudos, os jovens deixam de entrar nesta perdição das drogas, bebidas; aos 16 anos já podem procurar um emprego, porque trabalhando a gente alcança qualquer sonho; a família também é um importante aliado para o sucesso, assim como a fé – esses são os conselhos que eu dava para o meu sobrinho e agora estendo para os garotos que desejam um futuro diferente do dele”, reforça Zezinho, que, através da venda de seus queijos, formou sua esposa como psicóloga e tem criado dois filhos com tranquilidade.

O empreendedor social

O mais novo da turma de empreendedores de Nova Odessa, que o Instituto de Educação e Meio Ambiente (IEMA) tem o prazer de apresentar nesta reportagem especial, é Lucas Frigeri de Camargo, de 22 anos.

“Nasci em Americana e vim para cá com dois anos, morando no Santa Luíza. Na infância, sempre gostei de criar as brincadeiras a partir do que eu tinha e de tudo que era relacionado à arte: teatro, circo”, lembra Camargo.

Aos dez anos, pediu à família que o matriculasse em aulas de teatro e, a partir dos 14, foi atrás de outros cursos da mesma área, na região. “Com 17 já sabia que era isso mesmo que eu queria, então fui fazer Artes Cênicas no Conservatório Carlos Gomes, em Campinas (SP), e, aos 18 anos, abri a Catavento Escola de Artes, com a ajuda de uma amiga”, comenta.

“Estudei com ela no Médio e fazíamos o conservatório juntos, sempre pensávamos em fazer algo nosso, até que descobrimos este espaço aqui no Centro e buscamos parcerias para alugá-lo. Conseguimos, em 2012, mas ela ficou só nos primeiros três meses, daí engravidou e passei a tocar a escola sozinho”, recorda.

Como professor de teatro e com a ajuda de colegas do curso, que vinham de Campinas para dar aula na Catavento, Camargo foi aumentando seu número de alunos. “Foi então que aluguei uma segunda sala do prédio, em 2013, e abri cursos de dança, capoeira e música. Atualmente, temos 120 alunos e precisamos alugar mais uma sala, para fazer nossa recepção”, afirma.

“Mas em vários momentos pensei em desistir, porque a Cultura não é incentivada em nosso país. Até meus professores e amigos do Carlos Gomes perguntavam: ‘como você tem coragem de fazer isso?’; porque, até pouco tempo atrás, eu trabalhava em outros lugares e tudo o que eu ganhava investia aqui”, diz o professor de teatro, que dá aulas em dois colégios particulares.

O empreendedor social, que conta com sete educadores e um secretário em sua equipe da escola de artes, também abriu a Catavento Produções Artísticas para promover eventos de importantes artistas brasileiros pela região. “Já trouxemos para cá o Matheus Ceará e o Giovani Braz, ambos da Praça é Nossa; o Alexandre Frota; os shows do Elvis Cover e Beatles 4Ever; além de apresentarmos os espetáculos Frozen e A Bela e a Fera – com encenação dos nossos alunos”, informa.

“Quero crescer cada vez mais, abrir a escola em outros lugares e ajudar a concretizar sonhos de outras pessoas. Como é o caso da aluna Lígia Alves, atriz da novela Chiquititas, e do João Francisco Tottene, que fez teatro comigo atuou no filme VIPs, representando o Wagner Moura, na infância”, revela.

E, seguindo a cartilha dos outros empresários citados pelo IEMA, Camargo também incentiva os jovens novaodessenses ao empreendedorismo. “Nunca desista de seus sonhos, batalhe, não é fácil abrir uma empresa, mas insista, você não vai se arrepender”, conclui o proprietário da Catavento.

 

Assessoria

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