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Opinião

Empreender é fazer: como estar preparado para todos os momentos

Por Anderson de Andrade, sócio da Invisto Venture Capital

O ano que está se encerrando certamente ficará nos livros de história como um dos mais desafiadores deste século em todas as áreas, seja ciência, governo, finanças, comércio ou cultura.  Todos os setores e mercados foram afetados pela pandemia ao longo de 2020.

Eu costumo dizer que  um grande sucesso é um conjunto de pequenos fracassos, ou seja, você provavelmente vai vivenciar situações bem pouco agradáveis até encontrar o êxito naquilo que você faz. Mas são momentos assim que nos fazem aprender e não nos deixam incorrer nos mesmos equívocos ali na frente.

Veja eu,  tenho mais de 30 anos de estrada profissional, e sempre foi a vontade de fazer melhor e diferente que me motivaram a não desistir. Eu nasci no interior de uma cidade – que já é considerada interior – chamada São Borja, na fronteira do Brasil com Argentina, no Rio Grande do Sul. Era um lugar onde não haviam grandes oportunidades – ao menos na época em que eu era menino – saí da casa dos meus pais aos 13 anos, imbuído de um sentimento que é comum aos empreendedores: estava incomodado com as opções que tinha, aquilo não era suficiente para mim, eu queria mais e sabia que teria que trabalhar e estudar muito para isso.

Trabalhei muito, primeiro como office boy, depois do advento da tecnologia, como instrutor de informática – vale ressaltar que aprendi utilizando de favor o único computador que havia na cidade, da meia noite às cinco e meia da manhã – depois fui vendedor, trazia computadores do Paraguai para serem comercializados na região e aos 19 anos cheguei a ser gerente da mesma escola onde comecei dando aulas e fazendo limpeza.

Cheguei em um determinado ponto onde precisei decidir se seguiria este caminho ou escutaria o anseio que ainda tinha, de querer construir algo maior, estudar mais, conhecer mais. Optei por seguir meu instinto e desembarquei em Joinville após 24 horas de viagem, em um domingo à noite. Na manhã seguinte, segunda-feira,  fui contratado para ser instrutor de informática.

Em 1998, com o início da internet no Brasil, que à época já contava com mais de um milhão de usuários, decidi empreender pela primeira vez.  Junto com um sócio, desenvolvemos um portal para estudantes, com dicas e informações relevantes para o público. Na época eu também fazia diversas entrevistas para o portal, uma delas foi o senhor João Batista Sérgio Murad, o Beto Carrero. A entrevista aconteceria em um domingo e eu tinha apenas 15 minutos, de acordo com a secretária dele, pois ele precisava realizar a apresentação icônica com o seu cavalo. Ao me receber, o Beto pontuou o quanto precisava ser rápido em função de seus compromissos e eu disse a ele que não se preocupasse, que seriam apenas 3 perguntas. 

Empreender é fazer, esta foi a resposta que ele me deu ao ser questionado sobre o que era empreender. Ele ainda me mostrou cinco projetos que estavam em sua gaveta – a maior parte deles já realizados dentro do parque homônimo – e a conversa seguiu. Saímos às 20h do parque para jantar, junto com meu sócio, compromissos cancelados e uma conversa que marcou para sempre a minha vida e meu caminho.

De lá pra cá, se vão mais de 20 anos. Eu me tornei empresário, fundei uma agência de marketing digital que foi vendida recentemente para o grupo BriviaDez. Me tornei também investidor, sócio de uma empresa de Venture Capital, a Invisto, sou conselheiro em outras empresas de ramos distintos, participei de grandes negociações e vejo no empreendedorismo um catalisador de mudanças.

Contei toda esta história pois, na minha visão, diversos momentos difíceis que vivi serviram para me ensinar, disciplinar e mostrar que adversidades são, em sua grande parte, imprevisíveis, mas também são elas que forjam a nossa capacidade de resiliência. 

Como este ano que vivemos, não estava desenhada a pandemia nem sua avassaladora extensão, as perdas provocadas são enormes, e aqui me refiro unicamente à economia, mas precisaremos saber lidar com elas e a partir delas, pois se não existe fórmula pronta para o sucesso, certamente não existe para superar os problemas facilmente.

Por isso, meu conselho é, estude, faça alianças valiosas, busque ser educado com todos, não é só você que está passando por uma crise, fortaleça suas relações interpessoais – com a sua equipe, sócios – essas são fundamentais para qualquer empreendimento, e principalmente, seja resiliente na sua decisão.

O ano que vem chegando vai ser o momento de colocar em prática tudo o que você conseguiu tirar de melhor desta crise, ele certamente não será fácil, nada é, mas se empreender é fazer. 

Sobre a Invisto

Maior círculo de venture capital do sul do Brasil,  a Invisto surgiu a partir da fusão das empresas Bzplan e da  unidade de venture capital da FIR Capital. A Invisto surgiu no  início de 2020 por Marcelo Wolowski, que já acumula mais de 20 anos de experiência no setor. A empresa tem sede em Florianópolis (SC) e sua principal expertise é a de alavancar os investimentos em scale ups, com foco em tecnologia e inovação. Com mais de R$ 300 milhões em investimentos em empresas de alto crescimento, o time de fundadores da Invisto participou de várias operações de saída em mais de 30 investimentos realizados, com vendas para outros players no Brasil e no exterior. Dentre os  cases de sucesso da Invisto estão a venda da Axado para o Mercado Livre, da Akwan para o Google, da Hekima para o iFood e da Myreks para Nexxera.