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Dos rodeios aos musicais, cultura sertaneja tem dominado o audiovisual

Dennis Moraes 18 de março de 2026 6 minutes read
Carolina Belarmino em cena de DOMA--

Reprodução/Rede Globo (fotos de Coração Acelerado),

Seja nas novelas, música ou no cinema, as temáticas do universo interiorano no Brasil têm tomado conta das telas

A cultura sertaneja já faz parte da cultura, imaginário e vivência dos brasileiros. A música sertaneja, por exemplo, é o gênero musical mais ouvidos no Brasil, de acordo o Ecad, estando presente no dia a dia de 48% dos brasileiros. Esse sucesso musical se reflete em outros formatos do audiovisual. Shows gravados, DVDs musicais, lives, videoclipes e produções documentais sobre artistas e festivais ampliam a circulação da estética sertaneja em plataformas digitais e televisivas. Além disso, narrativas ligadas ao universo rural, ao agronegócio e às trajetórias de artistas do interior aparecem em séries, programas de TV e conteúdos de streaming, reforçando a presença simbólica dessa cultura no imaginário audiovisual brasileiro. Não é à toa que a nova novela das sete, “Coração Acelerado”, se apropria desse universo.

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Com canção de abertura interpretada por Ana Castela, uma das maiores vozes atuais do gênero, a novela traz como protagonista João Raul (Filipe Bragança), artista fictício que é um dos maiores nomes do sertanejo, além de trazer outros personagens que também tentam a vida na música. Para além disso, a novela, que se na cidade fictícia de Bom Retorno, localizada no interior de Goiás, nas proximidades de Goiânia, encapsula bem toda a ambiência e estética sertanejas, desde os rodeios e estábulos, até aos figurinos, com chapéus, botas e muito jeans.

É nesse universo que encontramos “DOMA”, curta-metragem estrelado pela paulista Carolina Belarmino. O filme é um drama sobre amor, sacrifício e a coragem silenciosa necessária para apostar em si mesma quando todo o resto já foi perdido, ambientado no interior do Brasil. Ele acompanha Mariana, uma jovem que se encontra forçada a vender sua égua Doma para pagar as despesas médicas do pai à beira da morte. Porém, Doma representa mais do que dinheiro — ela é legado, liberdade e o último elo emocional que conecta a protagonista ao passado de seu pai. Então, a jovem arrisca tudo em uma corrida final para salvar o pai e o animal que carrega seu legado.

Carolina, que também é idealizadora do projeto, nasceu em São José do Rio Preto, SP, e teve esse universo de rodeios sempre presente na sua vida. “Eu cresci na cidade, mas meus pais vieram da roça. Muitos dos meus finais de semana de infância eram passados em sítios de amigos da família, andando a cavalo, convivendo com animais e indo aos rodeios das cidades da região. Quando era mais nova, inspirada por esse ambiente, eu cheguei a fazer aulas de três tambores, e estar próxima dos cavalos marcou muito a minha relação com esse mundo. A Festa do Peão de Barretos, por exemplo, era um passeio em família que ficou muito forte na minha memória. Para mim, esse universo sempre foi algo muito natural, quase uma extensão da minha própria história familiar”, conta.

A atriz e produtora acredita que os rodeios continuam muito presentes na cultura brasileira porque estão profundamente ligados às raízes rurais do país. “Mesmo para quem cresce na cidade, como foi o meu caso, muitas famílias ainda têm uma conexão com o campo, seja através da história dos pais ou dos avós, seja pelas pequenas cidades do interior onde essas tradições continuam muito vivas”, explica.

“Para muitas comunidades, o rodeio é mais do que uma competição. É um evento cultural que reúne música, festa, encontro entre famílias e uma relação muito antiga com os animais e com o trabalho no campo. Ele acaba funcionando como um espaço onde essa identidade rural continua sendo celebrada. No meu caso mesmo, quando penso na presença dos rodeios na cultura brasileira, penso muito nessa mistura entre memória familiar, tradição e pertencimento”, conta.

O curta-metragem teve sua estreia no Brasil no final de fevereiro, em uma sessão exclusiva no Cine Belas Artes, em São Paulo. Em breve, o curta será exibido em Londres, antes de integrar a temporada internacional de festivais de cinema.

“É muito especial poder retratar uma realidade que ainda não é tão conhecida do Brasil lá fora. Quando estrangeiros ouvem falar de Brasil, logo pensam em Carnaval, futebol e Amazônia. E se eu pudesse mostrar um lado que eles ainda não viram e que faz parte do meu dia a dia e história no Brasil? Foi daí que surgiu a ideia para o filme. O campo e o rodeio têm histórias e camadas que merecem ser exploradas, eles fazem parte da identidade brasileira e carregam uma riqueza cultural enorme, com histórias profundas, humanas e cheias de camadas”, conta.

Para construir os aspectos visuais do filme e preservar a verossimilhança desse universo, foram convocados profissionais que realmente fazem parte desse meio, como a figurinista Isadora Paulinich, que trabalha quase exclusivamente com moda country, e o treinador de cavalos Manelão, que é competidor de Três Tambores. A égua Malibu, que interpreta a Doma no filme, também é uma égua de competição. Além disso, as cenas da competição foram filmadas durante uma prova real, o que ajudou a capturar a atmosfera verdadeira desse ambiente.

“Acho que o grande chamariz dessa cultura que tem crescido tanto no audiovisual é justamente a força das histórias humanas que existem nesse universo. O interior brasileiro carrega tradições muito profundas e uma identidade cultural que se manifesta na música, nas festas e no cotidiano dessas comunidades. Ao mesmo tempo, muitas vezes o campo brasileiro é retratado apenas a partir de conflitos, problemas ambientais ou disputas políticas, o que acaba criando uma visão simplificada dessa realidade. Acho que quando o audiovisual começa a mostrar essas camadas mais humanas e complexas do interior, ele desperta curiosidade e identificação no público. Existe uma vontade de conhecer melhor esse Brasil que muitas vezes fica à margem das narrativas mais comuns”, conclui.

Assim, o sertanejo não se limita a um gênero musical, mas constitui um ecossistema cultural e midiático, que atravessa música, vídeo, televisão e plataformas digitais, consolidando-se como uma das expressões mais consumidas e difundidas do entretenimento no Brasil contemporâneo.

O trailer do curta “DOMA” por ser visto no https://www.youtube.com/watch?v=sfrO7ypai84

Já “Coração acelerado” está no ar na TV Globo de segunda à sábado às 19h30

Instagram https://www.instagram.com/carolinabelarmino_/ / https://www.instagram.com/doma.shortfilm 

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Tags: anacastela audiovisual carolinabelarmino cinema cultura entretenimento interior novela rodeio sertanejo

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