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Donald Trump poderá ditar a escolha de Bolsonaro

Dr Cássio Faeddo

Por Cassio Faeddo

Conforme amplamente noticiado, o presidente dos EUA, Donald Trump, premido pela pressão e instinto de sobrevivência política, cedeu e ampliou até 30 de abril as instruções de isolamento motivadas pelo Covid-19.

Por seu turno, o presidente Bolsonaro até momento próximo, ainda proclamava pela retomada das atividades econômicas, advogando pelo chamado isolamento vertical, com o afastamento apenas de idosos e grupos de riscos do contato social.

Todavia, a vontade de Bolsonaro sofreu, como sofre, forte resistência de prefeitos, governadores e até mesmo do Poder Judiciário, quando este foi provocado a se manifestar.

Mesmo alertado pelo ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, de que o isolamento vertical poderia conduzir a trágica imagem de caminhões do exército transportando caixões com milhares de mortos pelo vírus, Bolsonaro não retrocedeu.

Porém, o risco político de sua postura poderá ceder a partir da decisão de Trump. A escolha do presidente estadunidense deixará Jair Bolsonaro isolado no âmbito global, o que já ocorre internamente, salvo o apoio de costume do séquito de bolsonaristas que pouco ajuda para melhor a racionalidade das decisões.

Bolsonaro já possuía a imagem amplamente desgastada no cenário internacional, especialmente na Europa, situação inaugurada pelas queimadas na Amazônia  de 2019 agravada agora por sua posição antagônica ao que ocorre no  resto do mundo, e especialmente ilustrada pela tragédia europeia no combate ao Covid-19.

O risco de Bolsonaro é imenso, seja no âmbito político interno, como internacional; e há, inclusive, quem avente a possibilidade futura de denunciá-lo ao Tribunal Penal Internacional.

O vice-presidente Mourão manifestou-se  recentemente sobre encontrar-se um caminho do meio, o que deve ser considerado por Jair Bolsonaro não só como uma saída honrosa, mas como uma possibilidade de controlar o processo de retomada, neutralizando, por ora, vozes que pedem por sua renúncia, impedimento ou outros problemas futuros em sede internacional.

A escolha é esta, pois milhares de mortes destruirão qualquer pretensão do presidente que responderá solitariamente por sua decisão. Em outro sentido, se ouvir seus técnicos da saúde e boa parte do mundo, poderá compartilhar o provável caos econômico com governadores e demais administradores, inclusive poderá citar Donald Trump como paradigma.

É certo que ninguém pode afirmar o que pensa Jair Bolsonaro, porém não será improvável que replique as medidas de Donald Trump.

Sobre Cassio Faeddo: Advogado. Mestre em Direitos Fundamentais. MBA em Relações Internacionais – FGV SP

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