Doação de órgãos | “Meu sentimento é de gratidão para o resto da vida”

2MS_DOACAO_DE_ORGAOS_BANNER_1X2m_SNTAos 13 anos, Katiani Baroni de Oliveira foi diagnosticada com Ceratocone, doença da córnea, caracterizada pelo aumento progressivo e irreversível de sua curvatura, que vai ficando em um formato mais cônico ao invés do formato esférico.

A principal consequência do Ceratocone é a diminuição da acuidade visual. Após o diagnóstico, Katiani iniciou o tratamento com uso de lentes de contato. “Fiquei quatro anos usando lentes. Muitas pessoas vivem vários anos com a doença apenas usando lentes e não precisam de transplante. Mas esse não foi o meu caso. O médico chegou à conclusão que eu tinha que fazer o transplante de córnea”, conta a comerciante, que hoje tem 34 anos. “A gente nem conhecia a doença. Nem sabia o que era. E lá na cidade onde eu morava, Sidrolândia, nem se falava muito em fazer transplante”, completa.

Katiani ainda teve que esperar um ano até receber a primeira córnea. E mais um ano para fazer o segundo transplante. “O transplante foi muito bom. Mas quando a gente faz o transplante, acha que vai tirar o tampão do olho e já vai sair enxergando tudo. Mas não é assim. Fiquei muito tempo ainda usando óculos com grau muito forte para conseguir enxergar mais ou menos”, explica Katiani, que hoje já recuperou bem a visão, principalmente do olho esquerdo, já que foi de um doador mais novo.

Foto: Arquivo pessoal

“A segunda córnea foi de uma criança de sete anos. Sei porque a família entrou em contato comigo. A princípio, a mãe do menino não queria doar. Mas a avó a convenceu. Eu ainda tinha contato com elas quando morava no Mato Grosso do Sul”, lembra Katiani, que hoje mora em Anápolis (GO).

Gratidão – “Meu sentimento é de gratidão para o resto da vida. Fiz questão de falar com a família do segundo doador, para passar o meu sentimento de gratidão. Acho que naquele momento de dor, de perda de um filho tão novo, eles não conseguiam perceber a dimensão do que tinham feito, a importância para mim daquele ato. Mas ao permitir a doação da córnea dele, a família me devolveu a visão. Porque se eu tivesse que esperar mais um pouco, talvez não conseguisse mais enxergar. Eles me deram a visão de volta”, disse Katiani.

A comerciante aproveita para passar um recado. “Eu só tenho uma coisa a dizer: Doem órgãos! É difícil no momento que perdemos alguém, mas esse ato salva vidas e é a oportunidade de não deixar mais uma pessoa morrer. De dar qualidade de vida para alguém, como foi o meu caso”.

Fonte: Luana Spinillo / Blog da Saúde

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