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Consciência negra: webinário debate a importância da diversidade racial no mercado de trabalho

Evento virtual do MPT e do TRT-15 abordará as ações afirmativas e a importância da conscientização social para inclusão de pessoas negras no ambiente profissional

 

No mês da consciência negra, o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) e o Comitê Regional de Erradicação do Trabalho Escravo, Tráfico de Pessoas e Discriminação do TRT-15 realizarão no próximo dia 26 de novembro, às 10:30, um webinário com o tema “Diálogos sobre Diversidade Racial no Mercado de Trabalho”, abordando o tema da inclusão de pessoas negras no mercado de trabalho por meio de ações afirmativas e da conscientização social. O evento será transmitido no canal oficial da Escola no YouTube.

 

O webinário contará com dois debatedores, sendo eles a procuradora do MPT São Paulo e gerente do Projeto Nacional de Inclusão de Jovens Negras e Negros no Mercado de Trabalho, Valdirene Silva de Assis, e o desembargador e membro do Comitê Regional de Erradicação do Trabalho Escravo, Tráfico de Pessoas e Discriminação do TRT-15, Lorival Ferreira dos Santos. A mediação ficará a encargo da desembargadora Eleonora Bordini Coca.

 

A igualdade de oportunidades no mercado de trabalho é uma preocupação institucional do MPT e da Justiça do Trabalho, seja relativa à raça, gênero, liberdade religiosa e outras. Pensando na implementação de ações afirmativas para inserção de pessoas negras nos ambientes profissionais, a Coordenadoria Regional de Promoção da Igualdade de Oportunidades no Trabalho (Coordigualdade) trouxe para o interior de São Paulo o “Projeto Nacional de Inclusão de Jovens Negras e Negros no Mercado de Trabalho”, uma iniciativa que busca conscientizar as empresas sobre a importância da diversidade nos ambientes laborais e da inclusão sem barreiras com viés racial. Uma série de empresas, agências de publicidade e escritórios de advocacia da cidade de Campinas já aderiram ao projeto.

 

“O MPT está trabalhando essa questão em razão da discriminação e do racismo histórico presente na nossa sociedade. Esse projeto é uma forma de criar possibilidades através da equidade para que essas pessoas ingressem no mercado de trabalho em cargos que demandem formação profissional universitária, onde as pessoas negras têm menor representatividade”, explica a coordenadora regional da Coordigualdade, Danielle Olivares Corrêa.

 

A medida decorre de um trabalho realizado em âmbito nacional pela Coordigualdade, que culminou, inclusive, em um pacto com empresas do setor publicitário em São Paulo, com o objetivo de incluir e valorizar a população negra nas agências e nos próprios trabalhos de criação publicitária. A ideia de iniciar um projeto para sensibilizar os gestores empresariais de todo o país veio a partir da análise das estatísticas levantadas por instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Segundo o estudo “Desigualdades Sociais por Cor e Raça no Brasil”, divulgado em 2019 pelo IBGE, a população negra representava a maior parte da força de trabalho no país (54,9%) em 2018. A proporção de pretos e pardos correspondiam a cerca de dois terços das pessoas desempregadas (64,2%) e das que trabalhavam menos horas do que gostariam ou poderiam (66,1%). A pesquisa apontou que os negros são os que mais sofrem com a informalidade: em 2018, 47,3% das pessoas ocupadas pretas ou pardas estavam em trabalhos informais, enquanto que este percentual para os brancos era de 34,8%. Uma pesquisa do IBGE mais recente, de 2020, apontou que a população preta foi a que mais sofreu com a desocupação durante a pandemia de Covid-19 (17,8%).

 

Segundo o Observatório de Diversidade e da Igualdade de Oportunidades no Trabalho, com base em dados oficias da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2017, há grande diferença de remuneração média entre raças no setor formal na cidade de Campinas. Enquanto homens brancos ganhavam um salário médio de R$ 4,3 mil, os homens negros recebiam, em média, R$ 2,7 mil. As mulheres negras, por sua vez, tinham uma média salarial de R$ 2 mil, enquanto as mulheres brancas recebiam remuneração média de R$ 3 mil.

 

Uma pesquisa realizada pelo instituto Ethos mostrou que os negros ocupam apenas 4,9% das cadeiras nos Conselhos de Administração das 500 maiores empresas em faturamento do Brasil. Entre os quadros executivos, eles são 4,7%; na gerência, apenas 6,3% dos trabalhadores são negros.

 

Os segmentos de advocacia e publicidade foram escolhidos pelo MPT por terem baixa representatividade da população negra. Um levantamento feito pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), de 2019, revelou que os negros representam 1% dos advogados de grandes escritórios. Em empresas de publicidade, segundo pesquisa da consultoria Danila Dourado, o percentual de negros e negras no quadro funcional é de apenas 3,5%, e apenas 0,7% de pessoas negras integram o quadro de executivos das maiores agências do país, levando em consideração que, segundo o IBGE, a população negra equivale a 56% do total dos brasileiros.

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