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Como Salvar a Economia do Brasil – por Vieira Junior

Redação 26 de setembro de 2015 4 minutes read
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O governo Dilma Rousseff colocou o Brasil em um estado de absoluta atenção com relação à saúde de sua economia. O rombo nos cofres públicos tem trazido prejuízos para todos os segmentos e pesado, principalmente, no bolso dos brasileiros, que passaram a pagar mais para quase tudo em seu dia a dia. A ordem da vez é aumentar o faturamento e reduzir custos para equilibrar as contas. Nesse cenário, o famoso Ajuste Fiscal entrou em cena e os investimentos devem ser reduzidos. Mas, em um país considerado em desenvolvimento, carente de estrutura e cheio de problemas em áreas básicas, deixar de investir e aumentar impostos seria mesmo a solução? A resposta pode estar dentro do próprio governo.

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Deputados e senadores brasileiros são os segundos mais caros do mundo em um universo de 110 países. A conclusão é de um estudo realizado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em parceria com a UIP (União Interparlamentar). Segundo o levantamento, cada um dos 594 parlamentares do nosso país custa 7,4 milhões de dólares por ano, valor próximo ao dos E.U.A, que liderou o ranking com um custo anual de US$ 9,6 milhões anuais. Nossos políticos levam a vida de parlamentares americanos, enquanto os brasileiros bancam a mordomia e sonolência do legislativo.

Ao todo, o Brasil possui 513 deputados e 81 senadores que recebem 13 salários durante o ano. Entre 2013 e 2014, eles mesmos votaram o próprio aumento, passando de R$26 mil para R$34 mil. Além disso, todos recebem benefícios que deixariam qualquer trabalhador de orelha em pé.

Os parlamentares recebem, por exemplo, um auxílio moradia no valor de R$ 3.800. Na Câmara, os deputados têm direito a uma cota para atividade parlamentar que varia entre R$ 27,9 mil e R$ 41,6 mil, de acordo com seu Estado de origem, mais uma verba de gabinete de R$ 78 mil. Cada um dos 513 deputados ainda pode contratar até 25 funcionários para seu gabinete pagando salários que vão de R$ 845 a R$ 12.940. Somando as despesas com os valores mais baixos, um deputado custa por mês R$ 143,4 mil ou R$ 1.720.800 por ano.

No Senado, o cenário é parecido. Os 81 senadores recebem o “cotão” variando entre R$ 21 mil e R$ 44 mil. Cada parlamentar pode contratar até 55 funcionários para seus gabinetes, com verba de R$ 80 mil. Além disso, todos têm direito a gastos ilimitados com celulares. Eles também têm direito a um veículo oficial, alugado pelo Senado, e com o combustível pago. Assim, um senador que opta pelos gastos mínimos custa por mês R$ 138,5 mil ou R$ 1.662.000 ao ano. E quem paga essa conta são as mesmas pessoas, agora, vão ter que arcar com Ajuste Fiscal.

A lista de mordomias vai longe: Com passagens aéreas, a verba pode chegar a R$ 16 mil por mês. Todo senador tem direito a 25 litros de combustível por dia, R$8.500 para gastar com produtos gráficos e cinco assinaturas de jornais da sua escolha, além da cota postal de mais de R$5 mil por mês. Todos esses custos e “benefícios” também são aplicados aos deputados, que ainda recebem uma verba indenizatória superior a R$15 mil por mês e uma verba de gabinete de R$60 mil.

É impossível não recordar a frase do Sr. Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que, há alguns dias, disse que o brasileiro estava preparado para pagar mais impostos e contribuir com desenvolvimento do país. Na verdade, quem deveria não apenas se preparar, mas também agir para contribuir com o país, é o próprio governo. A redução desses custos daria retornos bem mais satisfatórios do que CPMF, COFINS e afins….  O governo brasileiro diminuiria os seus gastos, se tornaria mais sustentável e passaria a recolher, ao invés de impostos, a reputação perdida ao longo dos anos com falcatruas e mentiras à frente da máquina pública. Querem salvar a economia? Condene aqueles que a colocaram nessa situação.

Vieira Junior é jornalista especializado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (IBE-FGV)

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