Chuvas não foram suficientes e especialista alerta: ‘água terá fim no curto prazo e morreremos de sede e fome no escuro’

Foto: Represa Recando  Nova Odessa (Dennis Moraes)

Professor da IBE-FGV diz que a situação ainda é muito grave: usinas hidrelétricas podem interromper produção de energia e as safras agrícolas estão em risco

 

Bueno 1O Brasil experimenta a maior crise hídrica da história. Pelo menos 20% dos municípios enfrentam os efeitos da estiagem com destaque para São Paulo, a maior metrópole da América do Sul e cidades da Região Metropolitana de Campinas. O interior do estado paulista também vem sofrendo essas consequências, que pode se tornar, em breve, uma catástrofe climática.

 

De acordo com o professor da IBE-FGV, Luiz Fernando de Araújo Bueno, especialista em sustentabilidade e responsabilidade social, se não chover mais em pouco tempo e se não forem tomadas medidas drásticas e urgentes, a água terminará no curto prazo. “Será o fim, pois antes de morrermos pelo aquecimento global, morreremos de sede e fome, no escuro”, afirmou.

 

Segundo ele, a situação é muito grave. O nível do Sistema Cantareira, que abastece 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo e ajuda com distribuição ao interior do estado, caiu pela 20ª vez seguida. O volume acumulado das represas também registra recorde de dias sem aumento.

 

A vazão do Rio Piracicaba, que abastece toda a região de Americana, caiu 83% nos últimos dias e registrou uma das menores marcas na terça-feira, dia 2. A situação também não é boa nos rios Atibaia e Capivari que levam água para Campinas. O Atibaia ficou quase que totalmente seco no final de novembro, o que forçou a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) a pedir ao Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) de São Paulo, uma solicitação de vazão proveniente do Sistema Cantareira.

 

Isso, sem contar os municípios que já sucumbiram à crise e não dispõem de água em seus reservatórios como Itu, que entrou em racionamento em fevereiro e agora é abastecido por caminhões-tanque. O especialista aponta falha na gestão dos recursos hídricos, não utilização das águas servidas (reuso) e da chuva, aliados à falta de uma política que estimule e combata o desperdício na cidade e no campo, além de ausência de investimentos em saneamento, como algumas das causas do desabastecimento.

 

“Já corremos o risco das usinas hidrelétricas instaladas interromperem a produção de energia por causa da baixa vazão dos rios prejudicando a produção da indústria. Isso sem contar na queda de produtividade na agricultura e na oferta desses produtos elevando os preços e impactando a inflação”, aponta Bueno. Ele acredita que o cidadão comum pode contribuir através do consumo consciente.

 

Dicas:

 

– A cada dois minutos que você diminui no banho, podem ser economizados mais de 37 litros de água.

– Você gasta cerca de 186 litros de água limpa em 30 minutos regando o jardim. Para economizar, guarde a água da chuva e regue sempre de manhã, evitando que a água se evapore com o calor do dia.

– Ao limpar o aquário, aproveite a água para regar as plantas. Ela está enriquecida com nitrogênio e fósforo, o que faz muito bem para as plantas.

– A água do banho ou da máquina de lavar roupa também pode ser reaproveitada para lavar quintais.

– Feche a torneira ao escovar os dentes, fazer a barba e ao ensaboar a louça.

– Lave o carro com balde e um pano ao invés de uma mangueira. Se possível, não lave o carro durante a estiagem (época do ano em que chove menos).

– Guarde a água que você lavou a roupa para lavar o chão da sua casa.

– Conserte pequenos vazamentos ou torneiras que não fecham direito.

– Instale geladeiras e freezers em locais onde não bate muito sol. O mesmo vale para aparelhos de ar condicionado.

– Use calhas para captar água da chuva.

– Adote descarga de caixa acoplada no vaso sanitário (todas as fabricadas a partir de 2001 utilizam 6 litros de água). O vaso sanitário com a válvula e tempo de acionamento de seis segundos gasta cerca de 15 litros. Quando a válvula está defeituosa, pode chegar a gastar até 30 litros.

– Use um regador para molhar as plantas ao invés de utilizar a mangueira. No verão, a rega deve ser feita de manhãzinha ou à noite, o que reduz a perda por evaporação. No inverno, a rega pode ser feita dia sim, dia não, pela manhã.

– Adote o hábito de usar a vassoura, e não a mangueira, para limpar a calçada e o quintal da sua casa. A mangueira ligada por 15 minutos gasta cerca de 280 litros de água.

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