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A umidade excessiva favorece fungos e infiltrações, o que causa impacto direto na qualidade do ar interno e na saúde respiratória
Em janeiro de 2026, foram registrados volumes expressivos de chuva nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Com o aumento das chuvas, as casas costumam ficar com janelas e portas fechadas, com pouca ventilação, o que aumenta a umidade e, consequentemente, a proliferação de fungos e ácaros, afetando a qualidade do ar interno e elevando o risco de doenças respiratórias e alergias.
Especialistas alertam que o problema vai além da estética das manchas nas paredes. A presença constante de fungos no ambiente doméstico pode desencadear ou agravar quadros respiratórios, especialmente em pessoas sensíveis.
Por que o mofo aumenta no período chuvoso
Ar mais úmido, quente e com pouca ventilação é a combinação ideal para o surgimento de infiltração, condensação e, consequentemente, mofo.
De acordo com a pneumologista Michele Andreata, médica da Santa Casa de Belo Horizonte e professora da Faculdade Unifenas, em entrevista à rádio Itatiaia, o hábito de fechar portas e janelas aumenta os riscos de transmissão de doenças respiratórias. “Quando começa a chover, a primeira coisa que a gente faz é fechar a casa toda. E aí, se tem uma pessoa infectada com vírus ou alguma coisa que seja transmissível por via aérea, a chance de ela passar para os outros membros da família é muito maior”, afirma.
Além disso, segundo a médica, “nosso verão é quente e úmido, o que favorece a proliferação de fungos, sendo o mofo. E aí, às vezes, a gente não percebe que está ali escondidinho atrás de uma parede que tem um quadro, ou às vezes está em uma área que tem menos habitação, que tem menos circulação de gente”, finaliza.
Como a umidade afeta a qualidade do ar dentro de casa
A umidade excessiva altera diretamente a qualidade do ar interno. Ambientes fechados concentram esporos de fungos e partículas microscópicas liberadas pelo mofo, que podem ser inaladas continuamente.
O bolor pode liberar substâncias que irritam as vias respiratórias, principalmente em ambientes sem ventilação adequada. O resultado é um ambiente propício a irritação nasal, tosse persistente, crises de rinite, piora da asma e até mesmo sensação de falta de ar.
A exposição contínua ao mofo, causada por infiltrações, pode desencadear ou agravar essas condições respiratórias, além de também comprometer as estruturas da casa.
Quem é mais vulnerável aos efeitos do mofo
Alguns grupos apresentam maior sensibilidade aos fungos presentes no ar, como:
- crianças;
- idosos;
- pessoas com asma;
- indivíduos com rinite alérgica;
- pacientes imunossuprimidos.
Nesses casos, a exposição prolongada pode levar a crises mais intensas e necessidade de atendimento médico.
Como prevenir o surgimento de fungos e infiltrações e controlar a umidade
A prevenção ao mofo começa com medidas simples no dia a dia:
- manter janelas abertas, sempre que possível;
- evitar secar roupas dentro de casa;
- verificar e reparar infiltrações rapidamente;
- limpar áreas úmidas com frequência.
Em locais com pouca ventilação, o uso de um aparelho antimofo pode auxiliar no controle da umidade e reduzir a formação de fungos nas superfícies.
Outras medidas também podem ajudar, como uso de desumidificadores, instalação de exaustores em locais como banheiros e cozinhas, que exigem maior atenção por acumular vapor de água, além de pinturas com produtos antifúngicos e manutenção preventiva de telhados e encanamentos.
Essas medidas contribuem para melhorar a qualidade do ar interno e reduzir a proliferação de ácaros e fungos.
Ambientes secos são aliados da saúde
O aumento do mofo em períodos chuvosos exige atenção preventiva, especialmente em regiões com altos índices de precipitação e calor. A combinação de ventilação adequada, controle da umidade e reparo de infiltrações é fundamental para proteger a saúde respiratória.
Manter ambientes secos e bem arejados é uma medida direta de cuidado com a saúde da família, especialmente dos mais vulneráveis.








