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Cateterismo cerebral para combater AVC pode chegar ao SUS

Apesar da alta complexidade do tratamento, pesquisadores apontam que a técnica pode reduzir sequelas 

Um estudo financiado pelo Ministério da Saúde e realizado pela Rede Brasil AVC apresentou dados importantes para a viabilização da chamada trombectomia mecânica para tratamentos de AVCs na rede pública de saúde. Os dados foram apresentados na última conferência  da ESO (European Stroke Organization), em maio deste ano, e estão sob avaliação do Ministério da Saúde para que seu custo-benefício seja colocado à prova..

 

Durante a pesquisa, 221 pacientes foram submetidos à técnica em 12 hospitais públicos pelo país. O tratamento é capaz de reduzir em 30% a mortalidade de pacientes acometidos por um AVC, além de 35% mais chances dos sobreviventes manterem sua independência e 30% não manifestarem qualquer tipo de sequela.

 

O método também pode ser utilizado até oito horas depois das manifestações dos primeiros sintomas, ao contrário das terapias atuais, que só trazem resultados nas quatro primeiras horas seguintes ao AVC.

 

Considerado um tipo de cateterismo cerebral, o procedimento já é realizado nos hospitais privados do país, mas, ainda assim, de forma limitada em virtude de sua complexidade.

 

Como a técnica funciona?

 

Primeiramente, é necessário compreender os diferentes tipos de AVC: o hemorrágico e o isquêmico. No primeiro e mais raro dos casos, há o rompimento de um vaso sanguíneo cerebral causando uma hemorragia. As chances de sobrevivência nesse caso são menores.

 

Já no AVC isquêmico, que ocorre em 85% dos casos, há uma obstrução do vaso, o que acaba impedindo o transporte de oxigênio para o cérebro, trazendo riscos à vida do paciente e também também da ocorrência das lesões cerebrais, fontes das temidas sequelas, como paralisias, perda da sensibilidade, problemas de fala, de memória, entre outros.

 

As sequelas variam de paciente para paciente, de acordo com a extensão da área do cérebro que foi afetada, e requerem reabilitação após o AVC, com o auxílio da fisioterapia, fonoaudiologia e tratamentos neurológicos. Esse é exatamente o quadro que a trombectomia pode diminuir se aprovada na rede pública de saúde.

 

Em linhas gerais, a técnica consiste na inserção de um catéter (tubo plástico muito fino) através de uma artéria localizada na virilha, e que então é guiado até o cérebro por meio de avançados aparelhos de raio-x. Esse tubo é capaz de remover mecanicamente o coágulo, desobstruindo a circulação sanguínea cerebral mais rapidamente.

 

Atualmente, o principal tratamento oferecido na rede pública para o tratamento de um AVC é a alteplase. Trata-se da aplicação de um medicamento intravenoso que circula pela corrente sanguínea até chegar ao cérebro e dissolver o coágulo.

 

Ainda de acordo com a pesquisa sobre a trombectomia mecânica, o procedimento, mesmo com seus altos custos e complexidade, pode reduzir as despesas do SUS com o tratamento de reabilitação das sequelas, longas internações, manter os pacientes menos dependentes de seus familiares e mais rapidamente aptos a retornar às sua atividades normais, incluindo o trabalho.

 

De acordo com dados do Ministério da Saúde, os acidentes vasculares cerebrais são a causa de aproximadamente 100 mil mortes por ano no país, além de causar incalculáveis impactos econômicos e sociais quando causa quadros de incapacidade severa aos pacientes neurológicos.

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