Foto: Divulgação Instagram Vereador Carlos Fontes
Vereador Carlos Fontes protocola moção de protesto contra representação considerada ofensiva a evangélicos e católicos na Marquês de Sapucaí
A Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste recebeu nesta terça-feira (18) a Moção nº 142/2026, de autoria do vereador Carlos Fontes (União Brasil), que manifesta protesto contra uma alegoria apresentada pela escola de samba Acadêmicos de Niterói durante desfile no Carnaval do Rio de Janeiro.
O documento faz referência à apresentação realizada na Marquês de Sapucaí, na qual uma ala intitulada “neoconservadores em conserva” teria representado simbolicamente fiéis cristãos dentro de “latas de conserva”. Segundo a moção, a encenação foi interpretada por parcela significativa da população como ofensiva às comunidades evangélica e católica.
No texto protocolado, o vereador fundamenta o protesto com base no artigo 5º da Constituição Federal, que assegura a liberdade religiosa e a inviolabilidade de consciência e crença. A moção também menciona a Lei nº 7.716/1989, que trata de crimes resultantes de discriminação ou preconceito, e o artigo 208 do Código Penal, que tipifica o crime de vilipêndio a ato ou objeto de culto religioso. O documento registra ainda que parlamentares federais teriam apresentado representação junto à Procuradoria-Geral da República solicitando apuração dos fatos.
A justificativa ressalta que Santa Bárbara d’Oeste possui forte presença de comunidades evangélicas e católicas, que desempenham papel relevante em ações sociais, assistenciais e no fortalecimento familiar. Caso aprovada em plenário, a moção deverá ser encaminhada aos organizadores do evento, ao Palácio do Planalto, ao Congresso Nacional e ao Ministério da Educação.
Após o protocolo da matéria, Carlos Fontes publicou em suas redes sociais uma arte na qual aparece ao lado da família dentro de uma “lata em conserva”, em alusão direta à alegoria apresentada no desfile. Na nota divulgada sob o título “Posicionamento Oficial: Em Defesa da Família”, o vereador afirmou que o Carnaval deve ser um espaço de celebração e não de desrespeito a valores religiosos. Ele declarou repudiar o que classificou como tentativa de ridicularização da família tradicional e afirmou que continuará defendendo a fé, a família e a vida. A publicação foi encerrada com a citação bíblica “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24:15).
O episódio amplia um debate recorrente no país sobre os limites entre liberdade artística e liberdade religiosa. A Constituição Federal assegura tanto a livre manifestação artística quanto a proteção à liberdade de crença, o que frequentemente leva a interpretações distintas quando manifestações culturais utilizam símbolos religiosos em contextos críticos ou satíricos.
A tramitação da moção na Câmara Municipal deve definir o posicionamento institucional do Legislativo barbarense sobre o caso. O tema continua gerando repercussão nas redes sociais e no meio político.









