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A Câmara Municipal de Santa Bárbara d’Oeste realiza nesta terça-feira (12), às 14 horas, a 17ª Reunião Ordinária de 2026 com uma pauta marcada por projetos voltados à saúde e proteção animal, mas também por moções que devem provocar discussões políticas nos bastidores do Legislativo barbarense.
Entre os projetos considerados mais relevantes da sessão está o Projeto de Lei nº 130/2025, de autoria do presidente da Câmara, Júlio César Kifú, que propõe a criação do Programa Municipal de Fornecimento de Sensores para Monitoramento Contínuo de Glicose para crianças e adolescentes com Diabetes Tipo 1.
A proposta acompanha uma demanda crescente de famílias que convivem diariamente com os desafios do controle glicêmico infantil e pode representar avanço importante no acompanhamento médico e na qualidade de vida desses pacientes. O tema, inclusive, deve encontrar apoio amplo entre os vereadores pela forte relevância social e humanitária.
Outro projeto que entra em votação é o PL nº 183/2025, da vereadora Esther Moraes, que autoriza o Poder Executivo a criar o Cadastro Municipal de Protetores e Cuidadores Individuais de Animais. A medida busca reconhecer oficialmente voluntários que atuam no resgate e acolhimento de animais abandonados no município, setor que há anos cobra maior apoio do poder público.
Apesar dos projetos sociais relevantes, parte da atenção política da sessão deve se voltar para as moções protocoladas pelos parlamentares — principalmente em relação ao recente caos envolvendo a coleta de lixo em Santa Bárbara d’Oeste.
A Moção nº 224/2026, apresentada pelo vereador Alex Dantas, manifesta aplauso aos coletores de resíduos sólidos da empresa Forty pela atuação na normalização da coleta no município. Embora o reconhecimento aos trabalhadores da limpeza urbana seja compreendido como valorização profissional, a proposta também levanta questionamentos políticos inevitáveis diante da crise recente enfrentada pela cidade.
Nos bastidores, cresce o debate sobre o papel fiscalizador do Legislativo durante os problemas envolvendo a antiga empresa responsável pela coleta. Moradores enfrentaram acúmulo de lixo em diversos bairros antes da ruptura oficial do contrato, situação que gerou críticas da população e desgaste à administração municipal. A discussão que surge agora é: por que o problema precisou atingir níveis críticos antes de receber atenção mais incisiva da fiscalização política?
A moção apresentada acaba abrindo espaço para uma reflexão mais ampla sobre a atuação da Câmara durante a crise. Para parte da população, homenagear a normalização de um serviço essencial pode soar como reconhecimento por uma obrigação contratual que deveria funcionar regularmente desde o início, enquanto faltaram cobranças públicas mais contundentes à empresa anterior durante o agravamento do problema.
Já em outro ponto da pauta, o vereador Celso Ávila apresenta a Moção nº 226/2026 em homenagem à torcida Inferno Barbarense pelos 13 anos de existência e apoio ao União Barbarense. A iniciativa reforça a ligação histórica entre o clube e sua torcida organizada, reconhecendo o papel dos torcedores na preservação da identidade esportiva barbarense.
A sessão ainda contará com diversas moções ligadas à infraestrutura urbana, educação, esporte e assistência social. O vereador Rony Tavares concentra cinco moções voltadas a pedidos de melhorias em escolas estaduais, instalação de semáforo e solicitação de veículos para a área social do município.
Outro tema sensível aparece na Moção nº 227/2026, do vereador Carlos Fontes, que pede estudos e políticas públicas voltadas à moradia assistida para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), assunto cada vez mais debatido em nível nacional por famílias que buscam garantias de acolhimento e autonomia futura para pessoas autistas.
Com uma pauta aparentemente simples no número de projetos, mas carregada de simbolismos políticos e sociais, a sessão desta terça-feira evidencia que o Legislativo barbarense entra em um período onde a cobrança popular sobre fiscalização, eficiência dos serviços públicos e prioridades dos vereadores tende a se intensificar ainda mais ao longo de 2026.







