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Barbarense é vencedor do concurso “Romi-Isetta 65 anos”

André Frota Contreras Faraco vencedor do Concurso "Romi-Isetta 65 anos"

Fundação Romi apresenta logomarca escolhida no concurso “Romi-Isetta 65 anos”

 

Entre abril e maio de 2021, a Fundação Romi realizou Concurso “Romi-Isetta 65 anos”, em celebração aos 65 anos do primeiro carro de passageiro fabricado em série no Brasil, o Romi-Isetta, visando a escolha de uma logomarca comemorativa.  Foram inscritos 27 participantes sendo homens, mulheres e crianças que toparam o desafio em criar uma logomarca comemorativa. Muita criatividade, traços, formas e desenhos foram enviados.

 

Foi uma tarefa árdua para os avaliadores, um grupo formado por 15 pessoas, entre eles designers, comunicadores, publicitários, educadores, historiadores, arquitetos e administradores, que foram responsáveis em selecionar uma logomarca. “Convidamos um grupo seleto, que conhece a história e sua importância sobre o Romi-Isetta, e numa votação acirrada, chegamos ao resultado da logomarca vencedora”, explica o superintendente da Fundação Romi Vainer Penatti. “Tivemos participação de inscritos de muitas localidades, e também de crianças, o que nos deixou muito felizes”, conclui o superintendente.

 

Após período de inscrição e avaliação, a logomarca vencedora do Concurso “Romi-Isetta 65 anos” é de um barbarense. O arquiteto André Frota Contreras Faraco, de 26 anos, apresentou sua criação e recebeu o maior número de votos, que decreta sua proposta como a grande campeã. Ele recebeu a premiação: os livros “Romi-Isetta – O Pequeno Pioneiro” e “Oficina dos Sonhos”, que apresentam a história do pequeno pioneiro. “Fiquei lisonjeado em ter minha logomarca escolhida como a vencedora”, diz o arquiteto. “ Por ser da arquitetura, pesquisei sobre identidade visual e aplicações, e a partir disso, criei meu conceito e deu certo”, finaliza o vencedor do Concurso “Romi-Isetta 65 anos”.

 

Uma grata surpresa ficou por conta da participação de crianças que mostraram os dons artísticos. Helena Moraes de Oliveira, de oito anos, é aluna do Núcleo de Educação Integrada da Fundação Romi, em sua inscrição disse “gosto muito de desenhar. Minha mãe me inspirou a participar. Entendi o que era uma logomarca, pesquisei sobre o Romi-Isetta e tracei meu desenho. Estou muito feliz em participar”, o que chamou a atenção dos jurados. Como forma de estimular que a jovem artista continue, ela recebeu um exemplar do livro “Romi-Isetta” pela participação.

 

Nos próximos dias, a logomarca que estampará todo material referente aos 65 anos do Romi-Isetta começará a ser aplicada na comunicação visual. Como 2021 é o ano de comemorar, para quem quiser saber mais sobre a história do primeiro carro de passeio fabricado no Brasil, o Centro de Documentação Histórica – CEDOC da Fundação Romi conta em seu acervo com uma  coleção do Romi-Isetta que é de extrema significação para o resgate e preservação da memória da indústria automobilística brasileira, pois, reflete o contexto social, econômico e político em que foi construído o primeiro carro de passeio fabricado em série no Brasil. No acervo fotográfico, por exemplo, há imagens de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília, além de personalidades como Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, Odete Lara, Anselmo Duarte, Eva Wilma, entre outros nomes da história brasileira.

 

 

 

Breve histórico do pequeno pioneiro

 

O Romi-Isetta, há quase 65 anos, foi o primeiro carro de passeio fabricado em série no Brasil. De características revolucionárias, compacto e super-econômico, tal como os últimos modelos dos dias atuais, o pequeno notável já fazia 25Km com 1 litro de gasolina. Pela primeira vez, via-se circular pelas ruas um carro que não era montado com componentes importados, mas sim, um automóvel realmente fabricado no Brasil.

 

Carlos Chiti, idealizador do projeto Romi-Isetta ao lado de Américo Emílio Romi, conheceu na Itália um carro que chamava a atenção de público e da imprensa mundial, o Iso Isetta, e percebeu que aquele conceito inteligente poderia representar uma revolução no mercado brasileiro de automóveis, pois finalmente inauguraria a era da indústria brasileira de automóveis, com carros genuinamente fabricados no país.

 

Até aquele momento, os automóveis vendidos no Brasil eram importados já prontos ou apenas montados nas operações das multinacionais, num sistema chamado CKD (Complete Knock-Down), ou seja, carros completamente desmontados, cujas peças eram produzidas fora do país e enviadas para serem montadas pelas multinacionais.

 

“Na verdade, nossa intenção era maior, era convencer a Iso a se associar a nós, investir conosco, montar aqui uma empresa capaz de produzir 50 mil carros por ano. Só que a Iso não tinha recursos: no pós-guerra, as companhias italianas estavam mal de caixa e não podiam investir fora do país, preocupadas em colocar ordem na casa, desarranjada com a guerra. Mas acreditávamos no mercado, no potencial, na marca, e em fabricarmos o primeiro carro brasileiro.” – revelou Carlos Chiti, naquela época.

 

No dia 30 de junho de 1956, um ano após a assinatura do contrato de direito de licença e aos royalties com a Iso, Emílio Romi, os filhos Giordano, Alvares, Romeu e, Carlos Chiti, vivenciaram o momento histórico: o primeiro exemplar do Romi-Isetta foi, enfim, exibido ao país através de uma transmissão ao vivo pela TV. As câmeras mostraram o carro número um circulando pelo pavilhão da Indústrias Romi, revelando a realidade que já era a indústria brasileira de automóveis. Entretanto, o lançamento oficial do Romi-Isetta ocorreu em dia 5 de setembro de 1956, com a realização de um marco: uma caravana com os primeiros 16 carros produzidos no Brasil, partiram da Rua Marquês de Itu, 133, no centro de São Paulo e passearam pela cidade.

 

O Romi-Isetta teve uma vida social intensa. Por suas características únicas, despertou o interesse de uma classe particularmente sensível ao novo e à moda: os artistas. O Brasil vivia o apogeu do cinema nacional, a idade de ouro da televisão, e o rádio vivia uma grande fase. Os artistas desses meios detinham grande popularidade, e eram importantes formadores de opinião. E muitos deles se tornaram proprietários de Romi-Isetta.

Logomarca vencedora do Concurso “Romi-Isetta 65 anos”

Suas notáveis características de estabilidade e comportamento levaram o Romi-Isetta às competições esportivas. Em 1954, a Iso inscreveu dois exemplares para participar da conhecida e dura prova italiana chamada Mille Miglia, que atravessava as regiões montanhosas da Itália. A notável média alcançada, de 79 km/h – apenas 6 km/h inferior à velocidade máxima do carro – foi mais elevada que a média obtida pelo vencedor da primeira edição da prova.

 

Em 1960 novos produtos na efervescente indústria brasileira traziam concorrência e frescor ao crescente mercado consumidor de automóveis. O país já contava, além da Romi, com modelos fabricados pela Vemag, Volkswagen, Simca, Willys, Toyota e FNM, numa indústria que alcançava crescente volume de produção local. Assim, com as evidentes qualidades do Romi-Isetta, ainda atuais, seu ciclo natural de vida se aproximava do fim. Deste modo, o Romi-Isetta teria sua produção planejada para até o início de 1961, com a formação de estoques suficientes para comercialização do modelo até o fim daquele ano. No dia 13 de abril de 1961, o último Romi-Isetta – um exemplar branco e amarelo-limão – deixou a linha de montagem.

 

Carlos Chiti fez, em 2006, uma panorâmica radiografando a experiência com o Romi-Isetta: “Tínhamos razão quando quisemos entrar na produção de automóveis, pensando num carro de modestas proporções e reduzido consumo de combustível. O que se vê hoje senão carros mais compactos e uma preocupação cada vez maior com a questão da gasolina, do petróleo, da busca de soluções alternativas? Cinquenta anos atrás, estávamos avançando no tempo.” O Romi-Isetta, afinal, entrava para a história brasileira como pioneiro de uma indústria que, em 1961, já havia redesenhado a paisagem brasileira.