Autuori deve dizer ‘sim’ ao São Paulo

A precária situação financeira do Vasco e os constantes atrasos salariais do clube carioca farão com que Paulo Autuori evite dizer “não” ao São Paulo pela quarta vez.

Antes mesmo de anunciar sua saída do time alvinegro, o treinador afirmou nesta segunda à tarde que não tem por que recusar uma provável oferta.

“O São Paulo me procurou três vezes nos últimos anos. Estaria feliz da vida se pudesse dizer não de novo, pois estaria confortável onde estou. Mas não estou confortável”.

Marcelo Sadio/Divulgação/vasco.com.br
O técnico Paulo Autuori conversa com os jogadores do Vasco
O técnico Paulo Autuori conversa com os jogadores do Vasco

Segundo o treinador, a diretoria do Vasco foi avisada sobre seu futuro na última sexta. Na segunda, os cartolas se reuniram, sem sua presença, para discutir o que fariam. A equipe de São Januário não se pronunciou sobre a decisão de Autuori.

O técnico deve deixar o Vasco depois de menos de quatro meses e então negociar a ida para o São Paulo.

Campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes de 2005 pelo clube, Autuori se tornou o maior favorito para o cargo de Ney Franco, demitido na sexta, porque custa menos que Muricy Ramalho.

Tricampeão brasileiro no Morumbi e nome mais pedido pela torcida nas arquibancadas do estádio, Muricy recebia quase R$ 700 mil mensais no Santos, mais que o dobro do que era pago a Ney.

“O São Paulo tem uma política financeira e pretende continuar seguindo essa política. O futuro treinador vai ter de se adaptar”, disse o vice-presidente de futebol, João Paulo de Jesus Lopes. Na sequência, despistou. “As coisas são dinâmicas no futebol. Esse raciocínio [descartar alguém pelo salário alto] não é o mais correto”.

Apesar de ter conquistado os dois títulos mais importantes do clube no século, Autuori leva desvantagem sobre Muricy no aproveitamento. Em 2005, seu time conquistou 54,1% dos pontos possíveis. A equipe da passagem mais recente de Muricy (2006 a 2009) ganhou 63,4%.

Certo é que depois de apostar em Ney Franco, um técnico da nova geração, o São Paulo deseja um medalhão.

É esse o padrão que a gestão do presidente Juvenal Juvêncio tem adotado desde a saída de Muricy, em 2009: alternar um treinador rodado, com bagagem e história no clube, com outro que está em busca de afirmação.

Os discursos se repetem. Após a saída de medalhões, como Paulo César Carpegiani e Emerson Leão, os dirigentes disseram que era hora de dar espaço aos jovens devido ao potencial duvidoso dos técnicos mais experientes.

Quando o demitido é um jovem, caso de Ney Franco, os cartolas são-paulinos pregam que o clube necessita de um tiro certeiro, sem riscos. Um Autuori ou um Muricy.

 

Folha de São Paulo

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