
Prestação de contas mostrou mais de R$ 146 milhões em recursos próprios até agosto; durante a audiência, munícipe relatou dificuldades para conseguir transporte para o pai, que está em tratamento contra o câncer
A Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste já aplicou mais de R$ 190 milhões na área da Saúde em 2026, segundo os dados apresentados durante a Audiência Pública da Secretaria Municipal de Saúde realizada nesta quarta-feira (30), na Câmara Municipal.
Do total apresentado, pouco mais de R$ 146 milhões correspondem a recursos próprios do município, aplicados nos primeiros oito meses do ano. De acordo com os números apresentados na prestação de contas, o montante representa 30,73% do orçamento municipal, percentual que supera em mais de duas vezes o mínimo constitucional destinado à Saúde.
Durante a audiência, foram apresentados dados relacionados ao orçamento da pasta e a serviços como consultas, exames, procedimentos, dispensação de medicamentos, transporte de pacientes e demais atendimentos realizados pela rede municipal.
A reunião faz parte do calendário de prestação de contas da Saúde e ocorre a cada quatro meses, permitindo o acompanhamento público da aplicação dos recursos e dos serviços oferecidos à população.
Munícipe relata dificuldades para transportar pai em tratamento contra o câncer
Em meio à apresentação dos números, um dos momentos que mais chamou a atenção na audiência ocorreu quando uma munícipe, identificada como Elisa, pediu a palavra para relatar as dificuldades que, segundo ela, vem enfrentando para conseguir transporte para o pai, que realiza tratamento de quimioterapia e radioterapia.
Em seu relato, Elisa afirmou que estava tendo dificuldades para conseguir o transporte necessário para levar o pai aos atendimentos e que havia procurado diferentes setores do município em busca de uma solução.
Segundo ela, o tratamento do pai começou em 2022 e envolve deslocamentos para a Unicamp. A munícipe afirmou que, diante da falta de transporte, não sabia como conseguiria levar o pai aos atendimentos.
“Hoje, ele não tem transporte. Eu não sei como que eu vou fazer para conseguir levar ele.”
Durante a fala, Elisa também relatou ter procurado o setor responsável pelo agendamento e, segundo seu relato, ter sido encaminhada para diferentes unidades antes de conseguir buscar uma solução.
A munícipe ainda afirmou que enfrenta há anos dificuldades para conseguir um aparelho auditivo para si e cobrou planejamento para atender situações em que pacientes dependem do transporte público para realizar tratamentos fora do município.
“Se eu não precisasse, eu não estaria aqui”, afirmou durante a audiência.
Ela também mencionou situações que, segundo seu relato, teria presenciado em deslocamentos anteriores, envolvendo as condições de veículos utilizados para o transporte de pacientes. As afirmações foram feitas publicamente durante a audiência e não foram, no momento da reunião, apresentadas com documentação ou comprovação independente.
Secretário afirma que conhece o caso e promete encaminhamento
Após ouvir o relato, o secretário municipal de Saúde, Marco, respondeu diretamente à munícipe e afirmou que já tinha conhecimento do caso de seu pai.
O secretário reconheceu que o município enfrenta, naquele momento, uma situação relacionada à disponibilidade de ambulâncias e informou que alguns veículos haviam sido retirados de circulação para manutenção.
“Eu sei do caso do seu pai”, afirmou o secretário durante a audiência.
Segundo Marco, algumas ambulâncias haviam apresentado problemas no dia anterior e aguardavam conserto. O secretário também destacou que o município realiza um volume elevado de transportes de pacientes.
Na sequência, informou que uma servidora identificada como Michele conversaria com Elisa para coletar os dados do paciente e que, após o encerramento da audiência, ele próprio trataria do caso.
A manifestação do secretário ocorreu diante do público presente na Câmara e representou um compromisso de encaminhamento da situação apresentada pela munícipe.
Entre os números e a realidade de quem utiliza a rede
O episódio expôs uma das questões que costuma aparecer no debate sobre a Saúde pública: o volume de recursos aplicados não representa, sozinho, a experiência individual de quem depende dos serviços municipais.
Santa Bárbara d’Oeste possui uma rede que envolve Unidades Básicas de Saúde, prontos-socorros, atendimento especializado, transporte sanitário e encaminhamentos para serviços de maior complexidade. Ao mesmo tempo, usuários relatam situações envolvendo espera por consultas e exames, disponibilidade de medicamentos e insumos e dificuldades para acessar determinados procedimentos.
No caso apresentado durante a audiência, a principal reivindicação estava relacionada ao transporte para tratamento de saúde fora do município.
É importante diferenciar, nesse ponto, o transporte municipal da chamada regulação de vagas para serviços de maior complexidade. A CROSS (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) integra a estrutura de regulação do Estado de São Paulo. O município, por sua vez, participa do fluxo de atendimento, solicitação, encaminhamento e acompanhamento dos pacientes dentro da rede do SUS, conforme o tipo de serviço e os pactos de regulação existentes.
Assim, uma eventual espera por uma vaga regulada pelo Estado não significa necessariamente que a Prefeitura seja responsável pela disponibilidade daquela vaga. Já questões como transporte municipal, atendimento nas unidades municipais e encaminhamento adequado do paciente pela rede local envolvem diretamente a gestão municipal.
Investimento e cobrança por resultados
Os mais de R$ 190 milhões apresentados na audiência dimensionam o volume de recursos destinados à Saúde em 2026. Desse montante, mais de R$ 146 milhões foram classificados como recursos próprios do município nos primeiros oito meses do ano.
Ao mesmo tempo, os relatos apresentados durante a própria audiência mostram que a discussão sobre a Saúde vai além da execução orçamentária.
Para o usuário, o resultado da política pública aparece no momento em que ele precisa marcar uma consulta, conseguir um exame, retirar um medicamento, ser encaminhado para um especialista ou garantir o transporte necessário para realizar um tratamento.
O caso relatado por Elisa terminou com o compromisso público do secretário de Saúde de verificar a situação de seu pai e buscar uma solução para o transporte. A partir desse encaminhamento, o desdobramento do caso poderá mostrar se a demanda apresentada durante a audiência foi efetivamente solucionada.
A prestação de contas realizada nesta quarta-feira teve justamente o objetivo de apresentar os números da Saúde e permitir que a população acompanhe a aplicação dos recursos públicos e os indicadores da rede municipal.
O SB24Horas seguirá acompanhando os dados apresentados na audiência e os desdobramentos das demandas levadas pelos usuários da rede pública de Saúde de Santa Bárbara d’Oeste.







