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Para esses jovens, a astrologia é uma ferramenta de autoconhecimento, identidade e até conexão social
A influência dos chamados planetas geracionais, Urano, Netuno e Plutão está entre os fatores que ajudam a entender a conexão da geração Z com a astrologia. Por se moverem lentamente, esses planetas permanecem vários anos em cada signo, influenciando coletivamente as gerações nascidas sob suas posições. Esses trânsitos ajudam a moldar tendências culturais e sociais amplas.
Para a geração Z, a astrologia representa um senso de continuidade, que tem a ver com o início de novos ciclos dos planetas. “A astrologia pressupõe que a forma como os astros se posicionam e se movimentam no universo interfere diretamente na construção da identidade de cada um, podendo até mesmo nos influenciar individual e coletivamente por meio de desafios e potências”, explica a astróloga Cláudia Lisboa.
Astrologia desperta interesse da geração Z
De forma resumida, é possível definir a astrologia como o campo do conhecimento que se dedica a estudar a influência dos astros na vida do indivíduo, o que pode ser aprofundado por meio de um curso de astrologia. Com os primeiros registros nas civilizações da Mesopotâmia, por volta de 2.000 a.C., a astrologia surgiu com esse propósito, uma forma de observar os céus em busca de padrões que ajudassem a entender os fenômenos naturais e o comportamento humano.
A divisão do céu em doze signos zodiacais, baseada nas constelações que o sol atravessa ao longo do ano, foi modificada por diversas culturas, como os gregos, que deram nomes e características aos signos que conhecemos hoje: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes.
Tempos depois, a astrologia ganha novas possibilidades, que podem ser compreendidas ao fazer mapa astral. É o que revela a pesquisa da consultoria Allied Market Researh, que afirma que o mercado global de astrologia atingirá US$ 22 bilhões até 2031. O crescimento, segundo o estudo, é impulsionado pela geração Z, responsáveis pelo disparo de downloads de aplicativos de astrologia nos últimos anos.
Compreensão em um mundo de incertezas
Segundo dados do Google Trends e de redes sociais, o interesse pelos termos “signo”, “mapa astral” e “ascendente” tem crescido consideravelmente nos últimos anos. O fato explica o crescimento da linguagem astrológica como parte do cotidiano de jovens, seja por meio de memes, aplicativos personalizados ou perfis de conteúdo esotérico.
Para a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, a geração Z, que cresceu em meio à internet, redes sociais e mudanças sociais aceleradas, é mais conectada com o mundo digital, mas “a ela foi dada pouca oportunidade de interação. Esses jovens têm dificuldade de olhar no olho, parecem ter menos vivência que gerações passadas, têm um medo que é real. Com isso, recorrem à astrologia para se preparar”
A geração Z têm redescoberto a astrologia como uma ferramenta de autoconhecimento. identidade, uma delas é o mapa astral vocacional. Em busca de propósito e pertencimento, os jovens encontraram na astrologia respostas que vão além da previsão, e sim uma forma de compreender padrões emocionais, explorar traços de personalidade e refletir sobre relações interpessoais.
Para o influenciador Ricardo Cubba, que criou conteúdos sobre as características dos signos com toques de humor, a geração Z busca o autoconhecimento também por meio da astrologia. “Percebo que é comum esses jovens buscarem no horóscopo respostas para se auto descobrirem e se reconhecerem.” Neste caso, a astrologia funciona como uma linguagem que auxilia a entender emoções, relacionamentos e identidade.
É o que confirma o estudo publicado no periódico Social Currents, que aponta que a astrologia tem menos a ver com prever o futuro e mais com compreender o “eu” em um mundo de incertezas.
De acordo com o professor de sociologia da Denison University, Shiri Noy, a popularidade atual da astrologia reflete mudanças culturais mais amplas. “As gerações mais jovens estão menos ligadas à religião organizada, mas continuam a buscar espiritualidade ou encontrar significado em outros lugares, seja como forma de entretenimento ou como uma janela para a personalidade de alguém.”
De acordo com o professor, alguns especialistas descreveram, durante as abordagens para seus estudos, o momento atual como uma era de muitas crises, com desafios econômicos, políticos e ambientais. Ao mesmo tempo, as categorias de identidade se tornaram mais fluidas, e as fontes tradicionais de autoridade, como religião, educação e governo, estão mais propensas a serem contestadas ou desacreditadas. “A astrologia pode oferecer às pessoas ferramentas para lidar com essas incertezas.”








